Uma cidade fundada por um capitão bandeirante devoto de São Roque, três estradas cortadas por vinhedos e alcachofrais, adegas centenárias abertas à degustação e casarões coloniais no centro histórico. São Roque, na Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Grande São Paulo, virou a Terra do Vinho a uma hora da capital paulista e recebe mais de 600 mil visitantes por ano.
De fazenda bandeirante a Estância Turística de São Paulo
A origem tem endereço marcado. Segundo a Prefeitura Municipal de São Roque, a cidade foi fundada em 16 de agosto de 1657 pelo nobre capitão paulista Pedro Vaz de Barros, conhecido como Vaz Guaçu, O Grande. Ele pertencia a uma linhagem tradicional de bandeirantes e era um homem religioso, o que fez com que escolhesse o nome do santo de sua devoção para batizar as terras.
A ocupação começou por uma fazenda. O núcleo original nasceu às margens dos ribeirões Carambeí e Aracaí, onde se utilizava mão-de-obra indígena no cultivo de trigo e uva. Segundo dados do Turismo Paulista, portal oficial da Secretaria de Turismo do Estado, foram cerca de 1.200 indígenas que ajudaram a estabelecer as primeiras plantações de uva na região, base histórica da vitivinicultura local.
A vocação turística foi oficializada em 1990. Segundo a Prefeitura Municipal de São Roque, o município foi transformado em Estância Turística naquele ano devido ao seu potencial histórico e cultural, com clima serrano e natureza abundante. Hoje é uma das 29 estâncias reconhecidas oficialmente pelo Governo do Estado de São Paulo.

O Roteiro do Vinho e as três estradas de degustação
O principal cartão-postal da cidade se estende por três vias. Segundo a Prefeitura, o Roteiro do Vinho é formado pela Estrada do Vinho, pela Estrada dos Venâncios e pela Rodovia Quintino de Lima, todas iniciando a poucos quilômetros do centro histórico. O trajeto é gratuito, aberto o ano inteiro e reúne mais de 30 estabelecimentos entre vinícolas, adegas, restaurantes, lojas e empórios.
A produção tem raízes coloniais. A imigração italiana e portuguesa, a partir do fim do século XIX, transformou a vitivinicultura em uma das principais atividades econômicas da região e consolidou São Roque como Terra do Vinho no cenário nacional. Segundo o Turismo Paulista, hoje 13 adegas oferecem diariamente degustação e venda direta ao público, com opções que vão do vinho de mesa aos rótulos premiados de vinhos finos.
O apelo vai além da bebida. Segundo o Governo do Estado de São Paulo, São Roque recebe mais de 600 mil visitantes por ano, atraídos pela combinação de vinhedos, alcachofrais, pesqueiros, restaurantes de cozinha italiana e portuguesa e a proximidade com a capital. Os fins de semana são de maior movimento, e os visitantes podem participar das vindimas, a colheita da uva feita nos meses de verão.
A alcachofra e a Expo São Roque
Ao lado da uva, outra cultura ganhou destaque. A alcachofra chegou à cidade com os imigrantes italianos ainda no fim do século XIX, e as encostas férteis se mostraram perfeitas para o cultivo. Hoje, restaurantes locais criam cardápios inteiros com base na flor comestível, e algumas propriedades oferecem colheita participativa, em que o visitante colhe direto do pé.
O calendário reforça a dupla vocação. Segundo o Governo do Estado, a Expo São Roque, festival que reúne vinho e alcachofra, acontece todos os anos em outubro e novembro, com feiras gastronômicas, shows e exposições ligadas à florada. É um dos principais eventos turísticos do interior paulista e o momento em que a cidade ganha o maior fluxo de visitantes.
A gastronomia local ampliou o repertório. Cantinas familiares mantêm receitas passadas por gerações, cafeterias e empórios servem produtos regionais, e restaurantes especializados criam pratos completos com alcachofra: entradas, principais e até sobremesas. A programação anual funciona como calendário permanente de degustação para quem chega à Estância Turística.

Um patrimônio histórico ligado a Mário de Andrade
A cidade também guarda memória bandeirante e literária. Em 1681, Fernão Paes de Barros, irmão do fundador, ergueu a Capela de Santo Antônio, que virou parada dos bandeirantes que navegavam pelo Rio Tietê à procura de ouro e esmeraldas. Séculos depois, a Casa Grande e a Capela integraram o Sítio Santo Antônio, um dos principais patrimônios históricos preservados de São Paulo.
A propriedade teve um proprietário ilustre no século XX. Segundo a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), o Sítio Santo Antônio já pertenceu ao escritor Mário de Andrade, autor de Macunaíma e um dos nomes fundamentais do modernismo brasileiro. O intelectual usou a propriedade como refúgio de trabalho e escritório de campo em suas expedições pelo interior paulista.
A Reserva da Biosfera reforça o legado. Segundo a Prefeitura, São Roque integra a Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo, gerida pelo Instituto Florestal em cooperação com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). O município mantém a maior parte da superfície coberta por vegetação nativa, com remanescentes significativos de Mata Atlântica.
O que fazer entre vinícolas, alcachofrais e patrimônio bandeirante
O roteiro combina degustação, gastronomia, patrimônio histórico e lazer para famílias. A maioria dos atrativos fica a poucos quilômetros do centro urbano.
- Roteiro do Vinho: três estradas com mais de 30 vinícolas, adegas, restaurantes e empórios, com degustação diária e visitação gratuita.
- Sítio Santo Antônio: patrimônio histórico erguido em 1681 pela família Paes de Barros e que já foi propriedade do escritor Mário de Andrade.
- Museu do Vinho: instalado no complexo Villa Canguera, com acervo raro sobre a vitivinicultura no Brasil.
- Ski Mountain Park: parque temático com única pista de esqui do país, com escola de esqui e snowboard sobre superfície sintética.
- Morro do Cruzeiro: elevação rochosa próxima ao centro com cruz iluminada e imagem do padroeiro São Roque.
- Igreja Matriz de São Roque: templo dedicado ao padroeiro no centro histórico, com celebrações que atraem peregrinos ao longo do ano.
- Expo São Roque: festival de vinho e alcachofra realizado anualmente entre outubro e novembro no centro de eventos da cidade.
A mesa italiana, portuguesa e da alcachofra
A gastronomia é uma das mais diversificadas do interior paulista, com forte herança italiana e portuguesa. As cantinas familiares concentram-se ao longo do Roteiro do Vinho.
- Pratos com alcachofra: entradas, sopas, tortas, risotos e até sobremesas com a flor cultivada nas encostas locais.
- Massas artesanais: raviólis, nhoques e capeletes servidos em cantinas italianas tradicionais.
- Bacalhau à moda portuguesa: preparo consagrado nas casas de origem portuguesa da cidade.
- Vinhos e sucos de uva: rótulos de fabricação local, disponíveis para degustação e venda direta nas adegas do roteiro.

Como é o clima de São Roque durante o ano?
A cidade tem clima serrano ameno, com verões chuvosos e invernos secos e frios. As encostas com vinhedos e alcachofrais mudam de paisagem em cada estação, o que atrai visitantes o ano inteiro.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Terra do Vinho
São Roque fica a cerca de 60 km de São Paulo, com acesso pela Rodovia Raposo Tavares (SP-270) em pouco mais de uma hora fora dos horários de pico. Uma alternativa é a Rodovia Castello Branco (SP-280) até a Rodovia Prefeito Livio Tagliassachi. O Aeroporto Internacional de Guarulhos e o Aeroporto de Congonhas são as principais portas aéreas, com linhas diárias de ônibus saindo do Terminal Barra Funda até a rodoviária local.
A Terra do Vinho paulista
Poucos destinos brasileiros combinam vitivinicultura de mais de três séculos, patrimônio bandeirante preservado, gastronomia italiana e portuguesa e reserva de Mata Atlântica em raio tão curto. São Roque entrega tudo isso a uma hora da maior metrópole do país, com adegas abertas todos os dias e uma alcachofra que virou identidade cultural.
Você precisa conhecer São Roque e percorrer o Roteiro do Vinho para entender como uma fazenda bandeirante virou a Terra do Vinho de São Paulo.




