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Casal usa todas as economias para arrematar imóvel por R$ 310 mil, mas depois descobre que existe construção de 70 metros quadrados não registrada na matrícula; regularização vira problema antes mesmo de conseguir financiamento para reforma

Por Daniely Cardoso
15/09/2026
Em Notícias
Quando a construção real possui área diferente daquela constante nos registros apresentados, podem surgir exigências adicionais antes da liberação do crédito.

Quando a construção real possui área diferente daquela constante nos registros apresentados, podem surgir exigências adicionais antes da liberação do crédito.

Na história fictícia, Marcos e Juliana usam todas as economias para arrematar uma casa por R$ 310 mil e começam a planejar o financiamento da reforma. O problema surge quando descobrem que aproximadamente 70 metros quadrados da construção existente não aparecem na matrícula do imóvel, criando uma pendência que precisa ser entendida antes de novos gastos.

A casa existe fisicamente, mas parte dela não aparece na matrícula

A divergência significa que a descrição registral do imóvel não acompanha integralmente aquilo que está construído no terreno. Uma ampliação de 70 m² sem averbação pode ter sido realizada anos antes, mas sua existência física, sozinha, não atualiza automaticamente os dados mantidos pelo Registro de Imóveis.

A Lei de Registros Públicos prevê a averbação de ocorrências que alterem ou repercutam sobre o registro do imóvel. O procedimento concreto, porém, pode depender de documentos municipais, características da construção e exigências do cartório, conforme a situação específica encontrada.

O procedimento concreto, porém, pode depender de documentos municipais, características da construção e exigências do cartório, conforme a situação específica encontrada.

Leia também: Homem compra casa em leilão por valor muito abaixo do mercado, paga o imóvel e só depois descobre que uma família ainda mora no endereço e não pretende sair voluntariamente

A diferença pode aparecer justamente quando o casal busca crédito

Marcos e Juliana pretendiam financiar a reforma, mas uma instituição financeira pode solicitar documentos e avaliações antes de aceitar o imóvel em determinada operação. Quando a construção real possui área diferente daquela constante nos registros apresentados, podem surgir exigências adicionais antes da liberação do crédito.

Isso não significa que qualquer imóvel com área não averbada terá financiamento automaticamente negado. Cada instituição possui critérios próprios, e o tipo de crédito também influencia a análise, mas uma pendência documental pode atrasar o planejamento e gerar custos que o casal não previa quando decidiu fazer a arrematação.

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O registro é central para definir a situação jurídica do imóvel

O artigo 1.245 do Código Civil estabelece que a propriedade imobiliária entre vivos é transferida mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis. Por isso, a matrícula imobiliária tem papel central na identificação jurídica do bem e dos atos registrados sobre ele.

O fato de uma construção não estar averbada, entretanto, não significa automaticamente que ela seja clandestina perante a prefeitura. É necessário verificar se aqueles 70 m² possuem projeto aprovado, autorização municipal ou outros documentos e se o problema está apenas na averbação registral ou começa antes, na própria regularidade da obra.

Essa distinção pode alterar bastante o custo. Se a ampliação estiver regular no município e faltar apenas atualizar o registro, o caminho tende a ser diferente daquele de uma construção que também viola regras urbanísticas, recuos, índices de ocupação ou outros parâmetros locais.

Quem vendeu ou promoveu o leilão responde automaticamente pelo problema?

A resposta depende de como aconteceu a aquisição. Em um leilão judicial, leilão extrajudicial ou venda realizada por instituição financeira, o edital e os documentos do procedimento precisam ser examinados, especialmente para descobrir como o imóvel foi descrito e quais condições foram informadas ao arrematante.

Em negócios aos quais se aplicam as regras sobre vícios redibitórios, o artigo 441 do Código Civil trata de defeitos ocultos existentes em coisa recebida por contrato comutativo que a tornem imprópria ao uso ou reduzam seu valor. O artigo 442 também prevê, dentro das hipóteses legais, a possibilidade de reclamar abatimento no preço em vez da rejeição da coisa.

Mas essas disposições não devem ser transportadas automaticamente para qualquer arrematação. Dependendo da modalidade do leilão, das informações do edital e da origem da venda, a responsabilidade jurídica pode seguir regras próprias, razão pela qual a documentação do procedimento é tão importante quanto a matrícula.

A resposta depende de como aconteceu a aquisição. Em um leilão judicial, leilão extrajudicial ou venda realizada por instituição financeira

Se alguém conhecia a irregularidade, a análise pode mudar

Outro ponto relevante seria descobrir se o responsável pela alienação sabia que existiam 70 m² fora dos registros apresentados. O artigo 443 do Código Civil estabelece consequências específicas quando o alienante conhecia o vício ou defeito, dentro das situações em que as regras sobre vícios redibitórios são aplicáveis.

Para Marcos e Juliana, documentos anteriores à arrematação poderiam ajudar a esclarecer o histórico. Fotografias, avaliações, plantas, anúncios, laudos e o próprio edital podem mostrar se a área construída já estava identificada ou se havia alguma advertência sobre divergências documentais.

Antes de gastar com a reforma, alguns documentos precisam ser comparados

O primeiro passo seria separar a regularização da construção do projeto de reforma. Começar novas intervenções sem descobrir a situação dos 70 m² existentes pode ampliar a dificuldade documental e tornar mais complexo identificar o que já existia antes da aquisição.

  • obter uma matrícula atualizada do imóvel;
  • conferir o edital e todos os documentos da arrematação;
  • buscar na prefeitura a planta, o projeto aprovado e eventuais licenças;
  • comparar a documentação com um levantamento técnico da área efetivamente construída;
  • consultar o cartório sobre os documentos necessários para eventual averbação.

Com essas informações, um arquiteto ou engenheiro pode avaliar a situação física e urbanística, enquanto um profissional jurídico pode analisar o procedimento de aquisição e verificar se existe alguma medida possível contra o responsável pela alienação.

Marcos e Juliana fazem parte de uma história fictícia

Marcos e Juliana são personagens fictícios, e a arrematação por R$ 310 mil, assim como a descoberta dos 70 m² não registrados, foi criada apenas para ilustrar um tipo de problema que pode aparecer na compra de imóveis. O contexto não descreve um processo, casal ou propriedade real e não substitui a análise individual de documentos.

Em uma situação verdadeira, é necessário verificar a origem da arrematação, o edital, a matrícula, os registros municipais, a data da construção e as regras locais antes de definir quem deverá pagar pela regularização. A divergência pode representar desde uma averbação pendente até um problema urbanístico mais complexo, e essa diferença deve ser esclarecida antes de contratar financiamento ou comprometer mais dinheiro com a reforma.

Tags: ArquiteturadireitoimóveisLegislação
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