A mangueira plantada anos antes no quintal vizinho cresceu além do esperado. Primeiro foram os galhos ultrapassando o muro; depois, rachaduras finas começaram a aparecer no piso da garagem, sinal de que as raízes já avançavam por baixo da divisa.
É legal cortar galhos e raízes do vizinho sem avisar antes?
Sim. O artigo 1.283 do Código Civil estabelece que raízes e ramos de árvore que ultrapassarem a linha divisória entre dois terrenos podem ser cortados, até o plano vertical da divisa, pelo proprietário do imóvel invadido.
Essa autorização não depende de comunicação prévia ao dono da árvore nem de autorização judicial, o que diferencia esse caso de outras disputas de vizinhança que exigem notificação formal antes de qualquer ação.
O corte só pode ir até o plano vertical exato da divisa entre os terrenos. Cortar além desse limite, invadindo a propriedade do vizinho ou comprometendo a saúde da árvore inteira, transforma o direito legítimo em ato ilícito passível de indenização.
O dono da árvore pode ser responsabilizado pelos danos na garagem?
Sim, de forma independente do direito de poda. O artigo 1.277 do mesmo Código Civil garante ao proprietário prejudicado o direito de exigir que cessem interferências que comprometam a segurança de seu imóvel, incluindo danos estruturais causados por raízes.
Isso significa que, além de poder cortar a parte invasora, o morador prejudicado também pode buscar reparação pelo conserto do piso rachado, desde que consiga demonstrar o nexo entre a árvore e o dano observado.

Existe algum limite para o tipo de corte que pode ser feito?
O corte deve se restringir exatamente à parte que invade o terreno vizinho, sem se estender à porção da árvore que permanece do lado do proprietário original, respeitando o plano vertical da divisa como limite físico.
Cortes desproporcionais, que coloquem em risco a sobrevivência da árvore inteira sem necessidade técnica comprovada, podem gerar responsabilização do próprio autor da poda, mesmo amparado pelo artigo 1.283.

Casos parecidos de raízes invadindo terrenos vizinhos já geraram disputas semelhantes em outras cidades.
Como comprovar o dano antes de realizar o corte por conta própria?
Fotografar o estado das raízes, das rachaduras no piso e da distância entre a árvore e a divisa, antes de qualquer intervenção, cria um registro que sustenta tanto o direito de poda quanto um eventual pedido de reparação.
Esse cuidado evita que o vizinho conteste depois a extensão do corte realizado ou negue a própria existência do dano estrutural que motivou a ação do morador prejudicado.
Outro caso parecido envolveu raízes de mangueira danificando tubulação e piso de garagem.




