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Início Bem-Estar

A bebida aromática consumida depois das refeições que tem uso tradicional contra gases e compostos investigados pela ciência

Por Daniely Cardoso
18/09/2026
Em Bem-Estar, saúde
Pesquisas experimentais investigam essa substância por possíveis efeitos antioxidantes, antimicrobianos, anti-inflamatórios e sobre a musculatura lisa.

Pesquisas experimentais investigam essa substância por possíveis efeitos antioxidantes, antimicrobianos, anti-inflamatórios e sobre a musculatura lisa.

O chá de anis-estrelado, preparado a partir do fruto de Illicium verum, é usado tradicionalmente após as refeições e costuma ser associado ao alívio de gases e desconfortos digestivos. A planta contém anetol e outros compostos aromáticos estudados por possíveis atividades antioxidantes, antimicrobianas e antiespasmódicas, mas boa parte dessas evidências ainda vem de pesquisas laboratoriais.

O uso digestivo é um dos mais tradicionais

O anis-estrelado aparece há muito tempo em práticas tradicionais relacionadas a gases, desconfortos e espasmos digestivos. Uma revisão científica sobre Illicium verum disponível no PubMed descreve atividades antiespasmódicas associadas a preparados da planta e destaca a presença de diferentes substâncias aromáticas em sua composição.

Isso ajuda a explicar por que uma infusão morna costuma ser consumida depois de refeições mais pesadas. Ainda assim, não há evidência clínica suficiente para afirmar que o chá trate gastrite, refluxo, síndrome do intestino irritável ou outras doenças digestivas, principalmente quando os sintomas são frequentes.

Ainda assim, não há evidência clínica suficiente para afirmar que o chá trate gastrite, refluxo, síndrome do intestino irritável ou outras doenças digestivas, principalmente quando os sintomas são frequentes.

Leia também: O chá que muita gente toma antes de dormir tem estudos sobre ansiedade, qualidade do sono e possíveis efeitos calmantes

O anetol está entre os compostos mais estudados

Grande parte do aroma característico do anis-estrelado está relacionada ao trans-anetol, um dos principais componentes de seu óleo essencial. Pesquisas experimentais investigam essa substância por possíveis efeitos antioxidantes, antimicrobianos, anti-inflamatórios e sobre a musculatura lisa.

Uma revisão publicada sobre a composição e farmacologia do anis-estrelado reúne centenas de substâncias identificadas na planta e diferentes atividades estudadas. O dado, porém, não significa que uma xícara de chá forneça concentrações terapêuticas ou reproduza os resultados observados com extratos e compostos isolados.

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A ação antioxidante existe, mas precisa ser colocada em perspectiva

Extratos de anis-estrelado demonstraram atividade antioxidante em pesquisas de laboratório, resultado relacionado a lignanas, flavonoides, fenóis e outras substâncias presentes no fruto. Antioxidantes participam de processos que ajudam a lidar com espécies reativas formadas naturalmente no organismo.

  • Ação digestiva: uso tradicional relacionado a gases e espasmos leves.
  • Compostos antioxidantes: demonstram atividade principalmente em estudos experimentais.
  • Atividade antimicrobiana: observada em pesquisas laboratoriais com extratos e óleo essencial.
  • Aroma marcante: está ligado principalmente à presença de trans-anetol.

Não é correto, porém, concluir que beber o chá diariamente previne envelhecimento ou doenças crônicas. Estudos laboratoriais identificam propriedades de substâncias da planta, mas o benefício real para seres humanos depende da quantidade consumida, absorção, metabolismo e conjunto da alimentação. Se você gosta de dicas de profissionais, separamos esse vídeo do canal da Nutricionista Patricia Leite falando mais sobre os benefícios desse alimento:

O anis-estrelado não funciona como medicamento contra gripe

Outra curiosidade é que Illicium verum é uma importante fonte de ácido chiquímico, substância utilizada industrialmente como matéria-prima na produção de determinados medicamentos. Esse fato costuma levar a afirmações de que o chá teria um efeito antiviral semelhante ao de remédios usados contra influenza.

Essa comparação é incorreta. Uma revisão no PubMed explica a relação entre o anis-estrelado e o ácido chiquímico, mas tomar a infusão não equivale a utilizar oseltamivir nem representa tratamento comprovado para gripe, resfriado ou outras infecções virais.

A espécie correta é uma questão importante de segurança

O anis-estrelado próprio para uso culinário é o Illicium verum, conhecido como anis-estrelado-chinês. Existe, porém, uma espécie visualmente semelhante chamada Illicium anisatum, ou anis-estrelado-japonês, que contém substâncias neurotóxicas e não é apropriada para consumo.

A FDA dos Estados Unidos registra casos de problemas neurológicos associados a chás contaminados ou adulterados com espécies tóxicas, incluindo episódios de vômitos, agitação e convulsões. Por isso, é recomendável adquirir o produto de fornecedores confiáveis e evitar preparações de origem desconhecida, especialmente para crianças pequenas.

Como consumir chá de anis-estrelado sem esperar efeitos milagrosos

Para adultos saudáveis, o anis-estrelado pode ser utilizado como especiaria ou ocasionalmente em uma infusão aromática, desde que o produto seja corretamente identificado e destinado ao consumo. Óleo essencial e extratos concentrados não devem ser tratados como equivalentes ao chá caseiro, pois apresentam concentrações muito maiores de seus componentes.

O principal benefício do chá de anis-estrelado está ligado ao seu uso tradicional para conforto digestivo, enquanto atividades antioxidantes e antimicrobianas continuam sendo investigadas. Se gases, dor abdominal, náuseas ou outros sintomas forem persistentes, intensos ou recorrentes, procurar avaliação profissional é mais adequado do que aumentar a quantidade do chá tentando obter um efeito medicinal mais forte.

Tags: Bem-EstarciêncianutriçãoSaúde
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