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Pai suspende pensão de R$ 1.800 após filha completar 19 anos, mas Justiça determina manutenção do pagamento durante a faculdade

Por Daniely Cardoso
03/09/2026
Em Notícias
A estudante ingressou com pedido judicial para reverter a suspensão unilateral praticada pelo alimentante.

A estudante ingressou com pedido judicial para reverter a suspensão unilateral praticada pelo alimentante.

Ao saber que a filha completou 19 anos, Roberto decidiu cancelar pensão alimentícia de maior e suspendeu o repasse de R$ 1.800. A jovem havia acabado de ingressar no ensino superior e dependia do valor para custear as mensalidades. A Justiça barrou a interrupção unilateral e determinou a manutenção imediata do benefício. O cenário é fictício, mas reflete uma dúvida comum no país.

Como começou o pagamento do sustento de Camila?

Durante anos, Roberto cumpriu com pontualidade as obrigações familiares e transferiu os alimentos fixados em favor da filha. O suporte financeiro garantia estabilidade enquanto a jovem se dedicava aos estudos preparatórios escolares.

Com a aprovação de Camila no vestibular de Direito, as despesas educacionais aumentaram consideravelmente. O recebimento mensal da pensão alimentícia representava a principal fonte para viabilizar as mensalidades e a compra de livros técnicos.

O verbete sumular veda a cessação automática do encargo e assegura ao alimentando o direito ao contraditório.

Leia também: Filho tenta transferir imóvel com procuração antiga da mãe e Justiça anula escritura de R$ 450 mil

O que aconteceu quando o pai suspendeu os depósitos?

Ao notar que a jovem completara 19 anos, Roberto presumiu que a maioridade civil encerrava suas responsabilidades de forma automática. Sem aviso prévio, ele interrompeu a transferência de R$ 1.800 mensais diretamente em sua conta bancária.

Sem recursos para quitar a mensalidade do curso, Camila acumulou pendências na instituição de ensino e acionou a defensoria. A estudante ingressou com pedido judicial para reverter a suspensão unilateral praticada pelo alimentante.

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O que o Código Civil e o STJ estabelecem sobre a pensão?

A legislação nacional determina que o dever de assistência se transforma com a maioridade, passando do poder familiar para a obrigação de parentesco. O artigo 1.694 do Código Civil prevê a obrigação de auxílio mútuo para assegurar recursos compatíveis com a educação e subsistência.

Além do texto legal, o Superior Tribunal de Justiça pacificou a jurisprudência por meio da Súmula 358. O verbete sumular veda a cessação automática do encargo e assegura ao alimentando o direito ao contraditório.

A legislação nacional determina que o dever de assistência se transforma com a maioridade, passando do poder familiar para a obrigação de parentesco.

As normas de alimentos existem para prolongar a dependência?

A obrigatoriedade de continuar os repasses na fase adulta não tem como objetivo onerar indefinidamente o genitor. A regra existe porque a graduação qualifica o jovem para o mercado de trabalho, prevenindo a vulnerabilidade socioeconômica imediata.

A Constituição Federal consagra o dever conjunto de amparo familiar para preservar o pleno desenvolvimento da pessoa humana. O controle estatal harmoniza a capacidade econômica do provedor com a tutela do direito à educação superior.

Quais são as exigências legais para manter a pensão universitária?

A permanência do sustento alimentar não ocorre de maneira perpétua, exigindo a demonstração fática de necessidade pelo filho. O juízo avalia o binômio necessidade e possibilidade para verificar a inviabilidade de trabalho integral concomitante à graduação.

Os requisitos legais para a prorrogação do encargo são os seguintes:

01
Matrícula regular: comprovação de frequência ativa em curso técnico ou superior reconhecido.
02
Rendimento acadêmico: apresentação periódica de boletim demonstrando aproveitamento satisfatório.
03
Incapacidade financeira: ausência de renda própria suficiente para custear as mensalidades integrais.
04
Limite etário: manutenção habitual até os vinte e quatro anos ou colação de grau.

O que muda quando comparamos a atitude de Roberto com o caminho legal?

A diferença entre a decisão de Roberto e uma desoneração regularizada não está no cansaço financeiro, mas no processo. Solicitar a revisão da pensão é legítimo, desde que sejam respeitados os trâmites judiciais estabelecidos pela lei.

A comparação entre o caminho que Roberto seguiu e o que a lei pede fica clara na tabela:

EtapaO que Roberto fezO que a lei exige
Maioridade civil Conclusão dos 18 anosCortou o depósito bancário imediatamenteMantém o pagamento até decisão judicial
Pedido de extinção Procedimento formalInterrompeu o repasse por conta própriaAjuíza ação de exoneração de alimentos
Defesa da filha Contraditório no processoIgnorou a situação estudantil da jovemPermite comprovação de matrícula ativa
Decisão final Conclusão do litígioAcumulou dívida alimentar passível de prisãoAguarda sentença definitiva do magistrado

O que se aprende com a história de Roberto?

A história de Roberto é fictícia, mas reflete litígios diários nas varas de família do Brasil. A intenção dele em readequar o orçamento doméstico não era o problema. O erro foi interromper o repasse unilateralmente, desconsiderando a formação profissional da própria filha.

Quem realmente quer cancelar a pensão por maioridade precisa seguir esse roteiro: ajuizar uma ação formal de exoneração de alimentos, notificar o beneficiário perante a Justiça e aguardar autorização judicial expressa. É mais burocrático do que cortar depósitos bancários, mas separa a segurança jurídica de um pedido de prisão civil.

Tags: Alimentosfaculdadefamíliapensão
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