Ao saber que a filha completou 19 anos, Roberto decidiu cancelar pensão alimentícia de maior e suspendeu o repasse de R$ 1.800. A jovem havia acabado de ingressar no ensino superior e dependia do valor para custear as mensalidades. A Justiça barrou a interrupção unilateral e determinou a manutenção imediata do benefício. O cenário é fictício, mas reflete uma dúvida comum no país.
Como começou o pagamento do sustento de Camila?
Durante anos, Roberto cumpriu com pontualidade as obrigações familiares e transferiu os alimentos fixados em favor da filha. O suporte financeiro garantia estabilidade enquanto a jovem se dedicava aos estudos preparatórios escolares.
Com a aprovação de Camila no vestibular de Direito, as despesas educacionais aumentaram consideravelmente. O recebimento mensal da pensão alimentícia representava a principal fonte para viabilizar as mensalidades e a compra de livros técnicos.

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O que aconteceu quando o pai suspendeu os depósitos?
Ao notar que a jovem completara 19 anos, Roberto presumiu que a maioridade civil encerrava suas responsabilidades de forma automática. Sem aviso prévio, ele interrompeu a transferência de R$ 1.800 mensais diretamente em sua conta bancária.
Sem recursos para quitar a mensalidade do curso, Camila acumulou pendências na instituição de ensino e acionou a defensoria. A estudante ingressou com pedido judicial para reverter a suspensão unilateral praticada pelo alimentante.
O que o Código Civil e o STJ estabelecem sobre a pensão?
A legislação nacional determina que o dever de assistência se transforma com a maioridade, passando do poder familiar para a obrigação de parentesco. O artigo 1.694 do Código Civil prevê a obrigação de auxílio mútuo para assegurar recursos compatíveis com a educação e subsistência.
Além do texto legal, o Superior Tribunal de Justiça pacificou a jurisprudência por meio da Súmula 358. O verbete sumular veda a cessação automática do encargo e assegura ao alimentando o direito ao contraditório.

As normas de alimentos existem para prolongar a dependência?
A obrigatoriedade de continuar os repasses na fase adulta não tem como objetivo onerar indefinidamente o genitor. A regra existe porque a graduação qualifica o jovem para o mercado de trabalho, prevenindo a vulnerabilidade socioeconômica imediata.
A Constituição Federal consagra o dever conjunto de amparo familiar para preservar o pleno desenvolvimento da pessoa humana. O controle estatal harmoniza a capacidade econômica do provedor com a tutela do direito à educação superior.
Quais são as exigências legais para manter a pensão universitária?
A permanência do sustento alimentar não ocorre de maneira perpétua, exigindo a demonstração fática de necessidade pelo filho. O juízo avalia o binômio necessidade e possibilidade para verificar a inviabilidade de trabalho integral concomitante à graduação.
Os requisitos legais para a prorrogação do encargo são os seguintes:
O que muda quando comparamos a atitude de Roberto com o caminho legal?
A diferença entre a decisão de Roberto e uma desoneração regularizada não está no cansaço financeiro, mas no processo. Solicitar a revisão da pensão é legítimo, desde que sejam respeitados os trâmites judiciais estabelecidos pela lei.
A comparação entre o caminho que Roberto seguiu e o que a lei pede fica clara na tabela:
| Etapa | O que Roberto fez | O que a lei exige |
|---|---|---|
| Maioridade civil Conclusão dos 18 anos | Cortou o depósito bancário imediatamente | Mantém o pagamento até decisão judicial |
| Pedido de extinção Procedimento formal | Interrompeu o repasse por conta própria | Ajuíza ação de exoneração de alimentos |
| Defesa da filha Contraditório no processo | Ignorou a situação estudantil da jovem | Permite comprovação de matrícula ativa |
| Decisão final Conclusão do litígio | Acumulou dívida alimentar passível de prisão | Aguarda sentença definitiva do magistrado |
O que se aprende com a história de Roberto?
A história de Roberto é fictícia, mas reflete litígios diários nas varas de família do Brasil. A intenção dele em readequar o orçamento doméstico não era o problema. O erro foi interromper o repasse unilateralmente, desconsiderando a formação profissional da própria filha.
Quem realmente quer cancelar a pensão por maioridade precisa seguir esse roteiro: ajuizar uma ação formal de exoneração de alimentos, notificar o beneficiário perante a Justiça e aguardar autorização judicial expressa. É mais burocrático do que cortar depósitos bancários, mas separa a segurança jurídica de um pedido de prisão civil.




