O motorista Rafael Almeida deixou seu carro em uma oficina para realizar uma manutenção e recebeu uma notificação inesperada: uma passagem por pedágio havia sido registrada a 90 quilômetros do estabelecimento. O problema é que, naquele momento, o veículo deveria estar parado, aguardando a conclusão dos reparos.
Carro estava na oficina quando surgiu a cobrança de pedágio
Rafael havia entregue o automóvel para solucionar um problema mecânico e recebeu a informação de que o serviço levaria alguns dias. Durante esse período, continuou utilizando outros meios de transporte, acreditando que o carro permanecia sob os cuidados da oficina. A surpresa apareceu quando identificou uma cobrança de pedágio referente a uma rodovia distante.
Ao conferir o horário, percebeu que a passagem havia ocorrido enquanto o veículo estava sob responsabilidade do estabelecimento. A situação levantou dúvidas sobre um possível uso não autorizado, mas também sobre a possibilidade de erro na identificação da placa. Antes de apontar responsáveis, seria necessário confirmar se o registro realmente correspondia ao automóvel.

Uma passagem registrada significa que alguém usou o veículo?
O registro de um pedágio eletrônico pode indicar que determinado veículo passou por um ponto de cobrança. Entretanto, a identificação costuma ocorrer por sistemas automatizados, que podem apresentar inconsistências. Uma leitura incorreta da placa ou até a utilização de uma placa clonada são hipóteses que precisam ser consideradas antes de concluir que alguém retirou o carro da oficina.
Por outro lado, a coincidência entre o período de manutenção e o horário da passagem merece esclarecimentos. Se a oficina tinha a guarda do automóvel, pode ser necessário verificar quem possuía acesso às chaves, quais funcionários estavam trabalhando e se houve algum deslocamento autorizado. A comprovação do trajeto é decisiva para identificar o que realmente aconteceu.
Quais documentos podem ajudar o motorista a comprovar a situação?
O primeiro passo de Rafael seria reunir os registros da entrega do automóvel e da notificação recebida. Esses documentos permitiriam comparar os horários e demonstrar que o carro havia sido deixado para manutenção. A ordem de serviço ganha relevância porque pode informar a data de entrada, o problema relatado e as condições combinadas com a oficina.
Outros elementos também podem contribuir para esclarecer a ocorrência. Quanto mais informações forem preservadas, maiores serão as possibilidades de reconstruir o período em que o automóvel permaneceu no estabelecimento e verificar uma eventual utilização indevida.
O que diz o Código de Defesa do Consumidor sobre a responsabilidade da oficina?
O artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor estabelece que o fornecedor de serviços responde, independentemente de culpa, por danos decorrentes de defeitos na prestação do serviço, observadas as hipóteses legais de exclusão de responsabilidade. Isso significa que a oficina pode ter de reparar prejuízos caso fique demonstrado que eles decorreram de uma falha sob sua responsabilidade.
O artigo 629 do Código Civil também estabelece deveres de guarda e conservação para quem recebe um bem em depósito. Embora o enquadramento jurídico de um serviço de oficina dependa das circunstâncias contratuais, a obrigação de proteger o veículo recebido é relevante na análise. O simples registro do pedágio, contudo, não comprova automaticamente uma falha do estabelecimento.
A cobrança de pedágio pode se transformar em multa?
É necessário distinguir a tarifa de pedágio de uma infração de trânsito. Uma notificação de passagem pode representar apenas uma cobrança pelo uso da rodovia, sem indicar que houve penalidade. O artigo 209-A do Código de Trânsito Brasileiro prevê infração grave para a evasão de pedágio ou o não pagamento na forma estabelecida, observadas as regras aplicáveis.
No sistema eletrônico conhecido como free flow, as passagens podem ser registradas automaticamente, sem necessidade de parada em cancelas. Em outubro de 2026, está em vigor um período excepcional de regularização até 16 de novembro, com suspensão temporária de penalidades por inadimplência abrangidas pela regra. A obrigação de pagar a tarifa, entretanto, continua existindo.

Quem responde se o carro receber uma multa durante a manutenção?
O artigo 257, parágrafos 3º e 7º, do Código de Trânsito Brasileiro trata da responsabilidade do condutor por infrações decorrentes de atos praticados na direção e da identificação do infrator quando ela não ocorre imediatamente. Nesse último caso, a legislação prevê um prazo de 30 dias, contado da notificação da autuação, para a indicação do responsável, conforme as regras aplicáveis.
Se surgir uma multa enquanto o carro estiver na oficina, o proprietário deverá verificar a natureza da infração e reunir provas para buscar sua correta atribuição ou apresentar defesa. A responsabilidade não é automaticamente transferida ao estabelecimento apenas porque o automóvel estava em manutenção. É preciso identificar o condutor responsável e demonstrar as circunstâncias da ocorrência.
Como o motorista pode cobrar explicações e evitar novos prejuízos?
Em uma situação semelhante à vivida por Rafael, a providência inicial seria solicitar explicações formais à oficina e pedir à concessionária a verificação do registro de passagem. Se houver indícios de uso não autorizado, o motorista poderá documentar a ocorrência e procurar o Procon ou orientação jurídica para avaliar possíveis medidas. Também deverá acompanhar os prazos de contestação para evitar prejuízos administrativos.
A história de Rafael Almeida é fictícia e foi criada exclusivamente para ilustrar uma situação possível envolvendo veículos entregues para manutenção. Os personagens, os acontecimentos e o deslocamento de 90 quilômetros não correspondem a um caso real identificado. As informações legais apresentadas servem como orientação geral, e qualquer responsabilidade deverá ser avaliada conforme as provas e circunstâncias de cada ocorrência.




