Correio Braziliense
  • Notícias
  • Economia
  • Entretenimento
  • Tecnologia
  • Bem-Estar
    • Beleza
  • Automobilismo
  • Turismo
    • Cidades
  • Curiosidades
  • Casa e Decoração
    • Jardinagem
Sem resultado
Veja todos os resultados
Correio Braziliense
  • Notícias
  • Economia
  • Entretenimento
  • Tecnologia
  • Bem-Estar
    • Beleza
  • Automobilismo
  • Turismo
    • Cidades
  • Curiosidades
  • Casa e Decoração
    • Jardinagem
Sem resultado
Veja todos os resultados
Correio Braziliense
Sem resultado
Veja todos os resultados
  • Notícias
  • Economia
  • Entretenimento
  • Tecnologia
  • Bem-Estar
  • Automobilismo
  • Turismo
  • Curiosidades
  • Casa e Decoração
Início Curiosidades

Vizinho faz churrasco a carvão na varanda todo domingo, a fumaça invade o apartamento de cima e o condomínio discute se pode proibir churrasqueira sem mudar a convenção

Por Gabriel Leme
26/09/2026
Em Curiosidades
Fumaça de churrasqueira na varanda pode gerar conflito e intervenção no condomínio.

Fumaça de churrasqueira na varanda pode gerar conflito e intervenção no condomínio.

Às 11h20 de um domingo, Ana, professora de 38 anos em Curitiba, recolhia roupas do varal quando sentiu o cheiro forte entrando pela janela da lavanderia. Em poucos minutos, a sala ficou tomada pela fumaça que subia da varanda do andar inferior. Ela fechou as janelas, ligou o ventilador e guardou as peças recém-lavadas. Era o quarto domingo seguido com a mesma cena.

O almoço de domingo virou um problema entre andares

Bruno, representante comercial de 42 anos, havia comprado uma churrasqueira a carvão portátil para reunir a família. A varanda era aberta, sem duto próprio, e o vento empurrava a fumaça diretamente para o apartamento de Ana. Nas duas primeiras semanas, ela tentou contornar o incômodo fechando a casa entre 11h e 15h, mas o cheiro permanecia nos sofás e nas cortinas.

Quando encontrou Bruno no elevador, Ana explicou que a fuligem chegava ao piso e que as roupas precisavam ser lavadas novamente. Ele respondeu que usava a varanda privativa e que a convenção do condomínio não mencionava churrasqueiras portáteis. Mesmo assim, prometeu diminuir o carvão. No domingo seguinte, o preparo começou ao meio-dia e terminou quase quatro horas depois.

As mensagens não resolveram a fumaça

Ana registrou três ocorrências no livro da portaria, enviou vídeos ao síndico e anotou datas e horários. Marcos, administrador de 51 anos e síndico do prédio, encaminhou uma advertência pedindo que Bruno evitasse espalhar fumaça pelas unidades vizinhas. A resposta foi que não existia proibição expressa na convenção do condomínio. Sem multa prevista para aquele caso específico, Marcos decidiu convocar uma assembleia.

Na reunião, parte dos moradores queria proibir qualquer churrasqueira a carvão nas varandas, enquanto outros defendiam apenas a interrupção quando houvesse incômodo comprovado. O debate mudou quando Ana mostrou vídeos da fumaça atravessando a janela e fotografias da fuligem no peitoril. A discussão já não era sobre preferência culinária, mas sobre uso nocivo da propriedade e os limites da unidade privativa.

Provas e registros ajudam a comprovar uso nocivo da propriedade.
Provas e registros ajudam a comprovar uso nocivo da propriedade.

O que a lei diz sobre a varanda privativa?

O Código Civil (Lei 10.406/2002), nos artigos 1.277 e 1.336, inciso IV, protege o sossego, a saúde e a segurança dos moradores contra interferências prejudiciais vindas de outro imóvel. A varanda pertencer à unidade não autoriza um uso que ultrapasse seus limites e afete os vizinhos. O texto oficial pode ser consultado no Código Civil publicado pela Presidência da República.

Leia Também

Furto em garagem reacende debate sobre dever de vigilância do porteiro.

Porteiro sai da guarita para ajudar moradora com compras, carro é furtado da garagem nesses 10 minutos e o condomínio discute se funcionário de portaria tinha dever de vigilância

26/09/2026

Isso permite ao condomínio exigir que a interferência cesse mesmo quando a convenção não traz a palavra “churrasqueira”. Outra questão é criar uma proibição geral e permanente para todas as varandas, ainda que não exista fumaça ou risco demonstrado. Se a nova regra alterar a convenção, o artigo 1.351 exige dois terços dos votos dos condôminos; se envolver apenas o regimento interno, deve-se conferir o quórum previsto na própria convenção.

O que o morador pode exigir na prática

Ana não precisava esperar a mudança formal da convenção para pedir o fim da interferência concreta. Também não bastava alegar que qualquer cheiro de comida seria ilegal, pois a análise considera frequência, intensidade, duração e tolerância normal entre vizinhos. Para sustentar a reclamação, ela reuniu provas e pediu uma resposta escrita do síndico. Os passos mais úteis naquele momento eram:

  • Registrar datas, horários, duração e locais atingidos pela fumaça, sem filmar o interior da unidade vizinha.
  • Guardar vídeos, fotografias, mensagens, protocolos e eventuais comprovantes de limpeza ou atendimento médico relacionado ao episódio.
  • Solicitar notificação formal para cessar a fumaça e pedir avaliação técnica se houver dúvida sobre ventilação ou risco de incêndio.
  • Conferir convenção, regimento e atas antes de aplicar multas, porque a penalidade precisa seguir as regras internas e o Código Civil.

A quem recorrer se o síndico não agir?

Não existe prazo federal único para o síndico solucionar reclamações de fumaça entre apartamentos. O pedido deve indicar a urgência, a repetição do problema e a providência esperada, deixando um período razoável para resposta conforme o risco. Se a administração permanecer parada, o artigo 1.355 permite que um quarto dos condôminos convoque assembleia extraordinária. Persistindo o dano, orientação jurídica individual pode ser necessária.

  • Pedir ao conselho do condomínio que acompanhe a ocorrência e cobre uma resposta documentada do síndico.
  • Reunir um quarto dos condôminos para convocar assembleia extraordinária, caso a administração não tome a iniciativa.
  • Procurar a Defensoria Pública estadual, se houver atendimento pelos critérios locais, ou um advogado especializado em direito imobiliário.
  • Acionar os serviços de emergência e o Corpo de Bombeiros quando houver fogo fora de controle ou risco imediato às pessoas.

A solução separou o incômodo da proibição geral

A assembleia decidiu não votar às pressas uma vedação absoluta. Em vez disso, registrou em ata que a fumaça comprovadamente invasiva deveria cessar, determinou nova notificação e encomendou uma avaliação das condições das varandas. Bruno passou a usar um equipamento sem carvão, e Ana acompanhou os quatro domingos seguintes sem nova entrada de fuligem. A mudança da convenção ficou para uma reunião com pauta e quórum específicos.

O desfecho mostrou a diferença que evitou uma decisão frágil: o condomínio pode combater uma interferência prejudicial com base na lei já existente, sem precisar inserir cada comportamento possível na convenção. Uma proibição coletiva, abstrata e permanente exige exame mais cuidadoso do documento que será alterado e do quórum correspondente. Para o morador afetado, provas, protocolo e ata são mais úteis do que discussões no corredor.

Ana, Bruno e Marcos são personagens inventados. A situação foi construída a partir de conflitos que se repetem em condomínios, para mostrar como a fumaça costuma virar disputa e quais limites o Código Civil prevê.

Tags: churrasqueira a carvãoconvenção do condomíniofumaça no apartamentouso nocivo da propriedade
EnviarCompartilhar30Tweet19Compartilhar
    • Notícias
    • Economia
    • Entretenimento
    • Tecnologia
    • Bem-Estar
      • Beleza
    • Automobilismo
    • Turismo
      • Cidades
    • Curiosidades
    • Casa e Decoração
      • Jardinagem
    Sem resultado
    Veja todos os resultados