A 55 km de Porto Alegre, na encosta da Serra Gaúcha, Ivoti reúne em 63 km² duas das maiores heranças culturais do Rio Grande do Sul. A colonização alemã começou em 1826, com famílias vindas do Hunsrück, e 140 anos depois a cidade recebeu a maior colônia japonesa do estado. Hoje, guarda o maior conjunto de casas enxaimel do Brasil, uma ponte construída com recursos de Dom Pedro II e o apelido de Cidade das Flores.
Da Linha dos Berghahn à Cidade das Flores
Os primeiros colonos alemães chegaram em 1826, quando famílias vindas do Hunsrück, no sudoeste da Alemanha, abriram picada às margens do Arroio Feitoria. O povoado foi chamado inicialmente de Berghahnerschneiss, ou Linha dos Berghahn, sobrenome da primeira família colonizadora. Em 1867, foi oficializado como Bom Jardim, distrito de São Leopoldo, pela abundância de flores nativas na região.
Em 1938, o povoado recebeu o nome atual, do tupi-guarani yvoty, que significa flor. A emancipação política de São Leopoldo veio em 19 de outubro de 1964, após plebiscito com 1.901 votos favoráveis contra 828. Segundo a Prefeitura de Ivoti, o município ganhou a alcunha de Cidade das Flores pelo hábito colonial de manter canteiros floridos nas calçadas, e integra a Rota Romântica, roteiro criado em 1994 que reúne 14 cidades gaúchas de colonização predominantemente alemã.

O que fazer em Ivoti em dois dias?
A cidade cabe bem em um final de semana, com o centro histórico e o Núcleo de Casas Enxaimel em um dia e os núcleos rurais no outro. O acesso ao Núcleo é pela Rua Tuiuti, com música tradicional alemã tocando ao longo do trajeto.
- Núcleo de Casas Enxaimel: no bairro Feitoria Nova, reúne o maior conjunto do estilo no Brasil, com sete casas erguidas entre 1826 e 1950, tombado em nível federal pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
- Ponte do Imperador: obra em cantaria de pedra grés sobre o Arroio Feitoria, com 148 metros de comprimento e três arcos, construída entre 1857 e 1864 com recursos de Dom Pedro II e tombada pelo Iphan em 1986.
- Museu Cláudio Oscar Becker: instalado em uma das casas enxaimel do Núcleo desde 1995, exibe cerca de 1.600 objetos que reconstituem a vida doméstica dos colonos alemães.
- Memorial da Colônia Japonesa: inaugurado em 2011, ocupa prédio de 914 m² com arquitetura nipônica, na Estrada da Colônia Japonesa, e conta a chegada dos imigrantes.
- Pórtico de Ivoti: cartão de boas-vindas à beira da BR-116, com dois pilares de 10 metros e torre de 16 metros em pedra de arenito, telhas importadas da Alemanha e relógio de mármore.
- Praça Burle Marx: praça central desenhada pelo paisagista carioca Roberto Burle Marx, com jardins floridos que dão vida ao apelido da cidade.
- Vinhos Berwian: cantina do distrito de Picada Feijão que produz vinhos em porão de casa enxaimel, curiosidade regional em meio à tradição vinícola italiana da Serra Gaúcha.
- Cervejaria Adoma: cervejaria artesanal instalada no Núcleo de Casas Enxaimel, com produção local e rótulos que homenageiam a colonização alemã.
A colônia japonesa que virou a maior do Rio Grande do Sul
O segundo capítulo da história de Ivoti começou 140 anos depois da chegada dos alemães. Entre 1966 e 1967, 26 famílias de imigrantes japoneses se instalaram no atual bairro Palmares, no chamado Vale das Palmeiras, formando a maior colônia nipônica do estado, hoje com cerca de 50 famílias.
Os colonos trouxeram técnicas avançadas de floricultura e horticultura, e passaram a produzir uvas finas de mesa, caquis, bergamotas e kiwi, itens que consolidaram a economia agrícola do município. Segundo a Rota Romântica, a colônia mantém a Associação Cultural e Esportiva Nipo-Brasileira e é responsável por eventos que celebram o Ano-Novo japonês e a Festa das Cerejeiras. As técnicas de cultivo trazidas pelos japoneses reforçaram o próprio título de Cidade das Flores, herdado dos alemães.
Sabores da mesa ivotiense
A cozinha de Ivoti mistura tradição colonial alemã, herança da imigração japonesa e produtos coloniais das pequenas propriedades rurais. Padarias artesanais e confeitarias são presença fixa no centro.
- Cuca alemã: pão doce coberto com farofa de trigo, açúcar e manteiga, presença obrigatória no café colonial em confeitarias tradicionais.
- Café colonial: mesa farta com pães, geleias, embutidos, queijos e doces, servido em casas históricas do Núcleo Enxaimel.
- Marmelada e schmier: doces coloniais em compota, feitos com frutas das pequenas propriedades e vendidos na Feira Colonial mensal.
- Cachaça artesanal: destilada em engenhos tradicionais como o da família Weber, com produção premiada no Brasil e no exterior.
Qual a melhor época para visitar Ivoti?
O clima é subtropical úmido, com quatro estações bem marcadas. O inverno é frio e seco, com temperaturas que chegam a 6°C nas madrugadas mais rigorosas. O verão é quente e chuvoso, com máximas próximas de 32°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
A primavera é a época mais indicada para conhecer a Cidade das Flores, quando os canteiros públicos e as propriedades dos colonos japoneses ficam floridos. O inverno atrai visitantes ao café colonial e à gastronomia farta.

Como chegar em Ivoti?
A cidade fica a 55 km de Porto Alegre pela BR-116, com viagem de cerca de 1 hora de carro. É acesso natural para quem segue à Serra Gaúcha, e o trajeto interno pela cidade economiza cerca de 10 km até Picada Café, evitando trechos mais movimentados da rodovia.
O Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, é o principal ponto de chegada, com voos diretos para as capitais brasileiras. De Novo Hamburgo, cidade vizinha, são apenas 15 km. Ônibus regulares partem da Rodoviária de Porto Alegre pela empresa Citral e outras operadoras da região.
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Vá conhecer Ivoti
Poucas cidades brasileiras conseguem entregar duas heranças culturais tão diferentes convivendo em harmonia no mesmo endereço. Ivoti segue no ritmo das ruas floridas, dos pães saindo do forno das confeitarias e das casas enxaimel que resistem há dois séculos.
Você precisa atravessar a Ponte do Imperador e caminhar pelo Núcleo de Casas Enxaimel para entender por que a Cidade das Flores virou uma das paradas mais charmosas da Rota Romântica.




