Nos mapas oficiais, o Parque Nacional da Serra da Canastra ocupa uma área enorme no sudoeste de Minas Gerais. Na prática, só uma parte dele está sob controle pleno do governo, enquanto o restante continua ocupado por fazendas, comunidades e cachoeiras visitadas por turistas. Delfinópolis está bem no meio dessa história. O município é uma das portas de entrada da Canastra e abriga justamente uma das áreas que estavam previstas para o parque desde a sua criação.
Por que o parque da Canastra tem dois tamanhos?
Por causa da regularização das terras. Segundo o Instituto Socioambiental (ISA), a área originalmente prevista para o Parque Nacional da Serra da Canastra pelo decreto de 3 de abril de 1972 era de mais de 200 mil hectares e incluía toda a região da Serra da Babilônia. Hoje, porém, o parque tem 71.525 hectares demarcados.
A diferença é grande. Um estudo publicado na revista Sociedade & Natureza, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), registra que, dos cerca de 210 mil hectares previstos no decreto, apenas 70 mil estavam com a situação das terras regularizada. A mesma pesquisa estudou uma bacia hidrográfica no distrito de Babilônia, no município de Delfinópolis, justamente em uma das áreas não regularizadas.

Qual é o papel de Delfinópolis na Canastra?
O de uma das portas de entrada. Um artigo publicado na revista Caminhos de Geografia, também da UFU, registra que parte do Parque Nacional da Serra da Canastra abrange o território de Delfinópolis e que o turismo cresceu na cidade principalmente por causa do número de cachoeiras e serras. O estudo cita cerca de 150 cachoeiras no município, sendo em torno de 16 as mais conhecidas.
A cidade convive com dois tipos de paisagem. De um lado, as serras e cachoeiras ligadas ao parque; de outro, fazendas e atividades agrícolas, que continuam sendo a principal base da economia local, segundo o mesmo artigo. Para o visitante, isso significa encontrar quedas d’água em propriedades rurais, muitas vezes com acesso por estradas de terra.
O que conhecer na Canastra a partir de Delfinópolis?
O roteiro pode combinar o lado de Delfinópolis e o chapadão principal do parque. Estes são alguns destaques.
Por que a Serra da Canastra é tão importante?
Pela água. Segundo o ISA, o principal objetivo da criação do parque foi proteger as nascentes do Rio São Francisco, que brotam no grande chapadão. A Serra da Canastra fica no divisor entre duas grandes bacias hidrográficas, a do Rio Paraná e a do Rio São Francisco, o que faz dela uma espécie de berçário de rios.
A fauna completa o cenário. O ISA registra que o relevo e a vegetação favorecem a observação de animais como o tamanduá-bandeira, o lobo-guará e o veado-campeiro. Segundo o portal WikiParques, o parque se estende por seis municípios: São Roque de Minas, Sacramento, Delfinópolis, São João Batista do Glória, Capitólio e Vargem Bonita.

Como é o clima de Delfinópolis ao longo do ano?
O verão é muito chuvoso, e o inverno, seco e ameno. Dezembro concentra 308 mm de chuva em média, enquanto julho registra apenas 12 mm, com mínima de 12°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Uma cidade entre o parque do papel e o parque real
Delfinópolis mostra como a história de uma área protegida pode ser mais complexa do que parece no mapa. O parque criado em 1972 para proteger as nascentes do São Francisco previa cerca de 200 mil hectares, mas só pouco mais de um terço foi regularizado, e parte do restante fica justamente no território da cidade. Entre cachoeiras, fazendas e serras, Delfinópolis é uma porta de entrada para entender e conhecer a Canastra.
Você precisa visitar as cachoeiras de Delfinópolis, subir até o chapadão da Canastra e ver de perto a nascente do Rio São Francisco para entender por que essa serra é tão importante para o Brasil.




