A 133 km de Florianópolis, no sul de Santa Catarina, Tubarão reúne cerca de 110 mil habitantes, um dos principais complexos ferroviários históricos do país e um dos melhores Índices de Progresso Social (IPS) do estado. Segundo o levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) de 2026, o município é o 26º entre 295 cidades catarinenses e ocupa a 305ª posição entre os 5.570 municípios brasileiros.
Da parada dos tropeiros à Cidade Azul
O povoamento começou por volta de 1773, quando a abertura do caminho entre Lages e Laguna transformou as margens do Rio Tubarão em ponto de parada para tropeiros. A emancipação política veio em 27 de maio de 1870, com o desmembramento de Laguna, marco que a cidade celebra até hoje.
O nome vem do tupi-guarani Tubá-Nharõ, que significa pai feroz, em referência ao rio que corta o município. Segundo a Prefeitura de Tubarão, o apelido de Cidade Azul foi consolidado pela cor forte do céu, e pela relação com o rio que marcou a formação do centro urbano. Em 1884, a inauguração da Estrada de Ferro Dona Thereza Christina, com 112 km ligando as minas de carvão ao Porto de Imbituba, transformou Tubarão no principal entroncamento ferroviário do sul catarinense.

Segurança, saúde e educação em uma cidade que aprendeu a se reconstruir
Tubarão é apontada como uma das cidades mais seguras do sul catarinense, com o índice de criminalidade abaixo da média estadual. Também aparece entre os melhores endereços do país para envelhecer segundo o Índice de Desenvolvimento Urbano para Longevidade (IDL), com nota 76 no quesito saúde, superior ao da líder do ranking geral, São Caetano do Sul.
A cidade tem economia diversificada, com mais de 20 mil empresas ativas e cerca de 43 mil empregos formais em indústria, comércio e serviços. A Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), fundada em 1989, é o principal polo universitário da região e atrai estudantes de todo o sul do estado. A rede de saúde conta com hospitais de referência regional, e o custo de vida é mais acessível que o das capitais catarinenses.
Bairros e mercado imobiliário
O centro histórico concentra o comércio, os prédios administrativos e algumas das principais escolas centenárias. Bairros como Dehon, São João e Vila Moema abrigam áreas residenciais consolidadas, com casas e prédios de médio padrão, boas escolas e proximidade da Unisul.
Bairros mais tranquilos como Recife, Congonhas e Passagem oferecem preços mais acessíveis e infraestrutura completa a poucos minutos do centro. O mercado imobiliário local se destaca pela oferta variada de imóveis em condomínios horizontais e verticais, com preços competitivos em relação a Criciúma e a Florianópolis. A localização estratégica entre praia, serra e estâncias termais tem atraído famílias e profissionais que buscam qualidade de vida sem abrir mão da proximidade com centros maiores.
A enchente que virou marco de reconstrução
Em 24 de março de 1974, o Rio Tubarão subiu ao nível mais alto já registrado no século XX. Chuvas intensas nas cabeceiras da Serra Geral fizeram o volume do rio disparar, e a Ponte Pênsil, inaugurada em 1965 em frente à Unisul, foi levada pelas águas. Oficialmente, 199 pessoas morreram na tragédia e cerca de 60 mil ficaram desabrigadas.
A reconstrução se tornou marca da identidade tubaronense. Segundo a Prefeitura, a cidade foi erguida novamente em menos de um ano com a solidariedade da população local e das cidades vizinhas. A Torre da Gratidão, próxima à Catedral, homenageia quem participou do esforço coletivo. A Praça Teresa Cristina, inaugurada em 1984, celebra os 100 anos da ferrovia que definiu o crescimento urbano. Museus como o Museu Willy Zumblick e o Museu Ferroviário de Tubarão guardam o acervo dos dois grandes marcos históricos.

O que fazer em Tubarão em dois dias?
O centro histórico cabe em um dia, com a segunda diária reservada às Termas de Gravatal ou aos passeios pela ferrovia. A Maria Fumaça é o passeio mais tradicional para quem visita a região.
- Museu Ferroviário de Tubarão: acervo com locomotivas a vapor, equipamentos e documentos da Estrada de Ferro Dona Thereza Christina, marco do desenvolvimento do sul catarinense.
- Passeio de Maria Fumaça: trecho turístico operado sobre trilhos da antiga ferrovia, com locomotivas históricas restauradas partindo do centro de Tubarão.
- Museu Willy Zumblick: instalado na Praça 7 de Setembro, exibe obras do pintor tubaronense Willy Zumblick e registros da enchente de 1974.
- Ponte Pênsil: reconstruída em frente à Unisul, é um dos cartões-postais da cidade, com vista privilegiada do Rio Tubarão.
- Catedral de Tubarão: templo católico ao lado da Torre da Gratidão, monumento em homenagem aos que ajudaram na reconstrução após 1974.
- Termas de Gravatal: águas hidrominerais a 37°C na cidade vizinha, com resorts e piscinas termais de propriedades terapêuticas.
- Praça Teresa Cristina: inaugurada em 1984, celebra o centenário da ferrovia que definiu a economia local.
- Farol Shopping: instalado no antigo galpão da Souza Cruz, mantém uma placa histórica que registra o nível atingido pelas águas em 1974.
Sabores da mesa tubaronense
A cozinha local mistura influências açoriana, italiana e alemã, herança dos imigrantes que ajudaram a formar a cidade. Restaurantes tradicionais concentram-se no centro e ao longo da BR-101.
- Peixes e frutos do mar: influência açoriana da vizinha Laguna, com pratos como tainha assada, siri desfiado e pirão de peixe.
- Massas artesanais italianas: legado da imigração italiana da região carbonífera, com destaque para restaurantes familiares em bairros históricos.
- Cuca com uva: doce típico da colonização alemã presente nas padarias locais e nos cafés coloniais.
- Cervejas artesanais: cena crescente na cidade, com microcervejarias que aproveitam o clima ameno e a tradição das oficinas ferroviárias.
Qual a melhor época para visitar Tubarão?
O clima é subtropical úmido, com estações bem definidas. O verão é quente, com máximas próximas de 30°C, e o inverno chega a 8°C nas madrugadas mais frias.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
O inverno é a estação mais indicada para visitar as Termas de Gravatal e para os passeios de Maria Fumaça. Entre setembro e novembro, o clima ameno favorece caminhadas pelo centro histórico.

Como chegar em Tubarão?
A cidade fica a 133 km de Florianópolis pela BR-101, com viagem de cerca de 1 hora e 40 minutos de carro. De Criciúma, são 60 km, e de Porto Alegre, cerca de 400 km pela mesma rodovia.
O Aeroporto Regional Sul, em Jaguaruna, fica a 30 km e recebe voos regionais em expansão. O Aeroporto Internacional Hercílio Luz, em Florianópolis, é o principal ponto de chegada para quem vem de mais longe, a cerca de 1 hora e 40 minutos de carro. Ônibus rodoviários partem do Terminal Rita Maria, na capital, com viagens de aproximadamente 2 horas e 30 minutos.
Leia também: A “Machu Picchu Brasileira” que perdeu 95% da população após o fim do garimpo e virou vila quase fantasma na Bahia.
Vá conhecer Tubarão
Poucas cidades do sul do país conseguem entregar segurança acima da média, ensino superior consolidado e uma herança ferroviária tão viva no mesmo endereço. Tubarão segue no ritmo das locomotivas restauradas, das águas do rio que dá nome ao município e da tranquilidade dos bairros arborizados.
Você precisa passar uma manhã no Museu Ferroviário e uma tarde nas Termas de Gravatal para entender por que a Cidade Azul virou um dos endereços mais procurados por quem quer viver bem no sul catarinense.




