Passear com o cachorro em dias de calor exige ajustes no horário, na duração e até no caminho escolhido. Calor intenso pode provocar queimaduras nas patas, desidratação e hipertermia, especialmente quando o animal faz esforço sob sol forte.
Prefira os horários mais frescos do dia
O ideal é concentrar os passeios no início da manhã ou no fim da tarde e à noite, quando a temperatura do ambiente e do piso costuma estar mais baixa. O CRMV-SP orienta evitar caminhadas nos períodos de maior incidência solar, especialmente entre 10h e 16h.
Mesmo fora desse intervalo, é preciso observar as condições daquele dia. Depois de uma tarde muito quente, asfalto e calçadas podem continuar aquecidos por algum tempo, tornando uma caminhada no começo da noite desconfortável ou perigosa.

O chão pode queimar as patas do cachorro
Antes de sair, encoste a mão ou o pé descalço no piso e verifique se consegue manter o contato confortavelmente. Se estiver quente demais para você, a superfície também pode machucar os coxins, as chamadas almofadinhas das patas.
Na prática, dê preferência a gramados e áreas sombreadas quando estiver calor. Asfalto, concreto e areia expostos ao sol podem acumular bastante calor, mesmo quando a temperatura do ar parece suportável.
Depois da caminhada, observe as patas. Vermelhidão, sensibilidade, dificuldade para apoiar uma delas, bolhas ou descamação podem indicar lesão térmica e justificam avaliação veterinária.
Água, ritmo e duração precisam mudar no calor
Em temperaturas elevadas, o passeio não deve manter automaticamente a mesma intensidade dos dias mais amenos. Faça trajetos mais curtos, ofereça pausas e deixe o cachorro andar em um ritmo confortável, sem forçá-lo a correr ou acompanhar atividades físicas intensas.
Levar água fresca é recomendado mesmo em caminhadas relativamente curtas. A American Veterinary Medical Association também recomenda passear nas horas mais frescas, evitar superfícies quentes, fazer pausas frequentes e garantir água suficiente durante atividades externas.
- Escolha rotas com sombra sempre que possível.
- Faça pausas se o cachorro começar a demonstrar cansaço.
- Evite corridas, bicicletas ou exercícios intensos em dias muito quentes.
- Nunca deixe o animal esperando dentro de um carro estacionado, mesmo com as janelas parcialmente abertas.
Alguns cães correm mais risco
Cães braquicefálicos, de focinho curto, como pugs e bulldogs, merecem atenção redobrada porque podem ter mais dificuldade para perder calor pela respiração. Animais idosos, obesos ou com problemas cardíacos e respiratórios também podem apresentar maior vulnerabilidade.
Isso não significa que os outros cães estejam protegidos. Qualquer animal submetido a exercício excessivo, ambiente muito quente ou falta de água e ventilação pode desenvolver hipertermia. Por isso, o comportamento durante a caminhada deve pesar mais do que a vontade de completar determinado percurso.

Ofegância excessiva pode indicar uma emergência
É normal o cachorro ficar um pouco ofegante durante uma caminhada, pois essa é uma das principais formas usadas pelo organismo para dissipar calor. O problema aparece quando há ofegância intensa, salivação excessiva, fraqueza, desorientação, dificuldade para caminhar, alteração na cor das gengivas, vômitos, colapso ou convulsões.
Esses sinais podem estar relacionados à hipertermia e exigem atenção rápida. Segundo a VCA Animal Hospitals, a insolação térmica em cães é uma emergência médica e pode evoluir para comprometimento de órgãos.
O que fazer se o cachorro passar mal durante o passeio
Interrompa imediatamente a atividade e leve o animal para um local fresco e ventilado. Água fresca pode ser oferecida sem obrigá-lo a beber, e o corpo pode ser resfriado gradualmente com água fresca, não gelada, enquanto se busca orientação veterinária.
Evite usar gelo ou água muito fria como tentativa de resfriamento rápido e não cubra completamente o cachorro com toalhas molhadas, pois isso pode dificultar a perda de calor. Diante de fraqueza intensa, desorientação, alteração nas gengivas, dificuldade respiratória, desmaio ou convulsão, procure atendimento veterinário imediato; nesses casos, continuar o passeio ou simplesmente esperar o animal melhorar pode aumentar o risco de complicações.




