Algumas praias se destacam pelo mar, outras pelo que existe no alto do morro ao lado. Na Praia do Forte, no norte de Florianópolis, entre Jurerê Internacional e a Daniela, a areia termina aos pés de uma fortaleza erguida pela Coroa Portuguesa no século XVIII. Ela é uma das três que formavam um sistema de defesa da Baía Norte, e a única do conjunto que pode ser visitada sem pegar um barco, o que transforma um simples dia de praia em uma aula de história a céu aberto.
Por que a praia se chama Praia do Forte?
Por causa da fortaleza que domina o costão. A praia fica junto à Fortaleza de São José da Ponta Grossa, cuja construção começou a partir de 1740, segundo o guia oficial da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que administra o monumento. O projeto foi idealizado pelo brigadeiro José da Silva Paes, engenheiro militar português e primeiro governador da Capitania de Santa Catarina.
O nome popular colou com o tempo, que a fortaleza é a construção mais marcante da paisagem local. Depois de séculos, as muralhas foram recuperadas no âmbito do Projeto Fortalezas da Ilha de Santa Catarina, criado em 1989 pela UFSC em cooperação com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e a fortaleza foi aberta ao público em 1992.

Para que serviam as três fortalezas da Baía Norte?
Para fechar a entrada norte da Ilha de Santa Catarina. De acordo com a UFSC, as fortalezas de Santa Cruz de Anhatomirim, Santo Antônio de Ratones e São José da Ponta Grossa foram construídas pela Coroa Portuguesa a partir de 1739 com a função de guarnecer a barra norte. As três formavam o chamado triângulo defensivo, uma rede em que cada fortaleza cobria um ângulo da entrada da baía.
A ideia era cruzar o fogo dos canhões sobre qualquer embarcação inimiga que tentasse passar. Duas das fortalezas ficavam em ilhas, Anhatomirim e Ratones Grande, enquanto a de São José ocupava a ponta da Ilha de Santa Catarina. Por isso, segundo a UFSC, ela é hoje a única fortificação do triângulo que pode ser acessada por via terrestre, o que facilita a visita para quem se hospeda no norte da cidade.
O que ver dentro da Fortaleza de São José da Ponta Grossa?
Muralhas, canhões, exposições e uma vista privilegiada da baía. As notícias oficiais da UFSC registram que a fortaleza ganhou novos atrativos, como exposições, canhões recuperados e uma luneta que permite observar as outras duas fortificações do triângulo, além de nova estrutura de sanitários.
A visita também revela como funcionava a rotina dos soldados no século XVIII. Segundo a Coordenadoria das Fortalezas da UFSC, uma trilha liga a fortaleza à Praia do Forte e dá acesso à antiga fonte de água, chamada de carioca, que garantia o abastecimento da guarnição. Assim, é possível chegar à fortaleza a pé, vindo pela própria praia.
O que fazer na Praia do Forte e nos arredores?
O passeio combina praia, história e mirante em um mesmo endereço. A página de horários das fortalezas da UFSC e outros canais da universidade ajudam a montar o roteiro.
Como visitar Anhatomirim e Ratones?
De barco, porque as duas fortalezas ficam em ilhas. A UFSC informa que a Fortaleza de Santa Cruz fica na Ilha de Anhatomirim, no município de Governador Celso Ramos, e a de Santo Antônio, na Ilha de Ratones Grande, que pertence a Florianópolis. Ambas também são administradas pela universidade, que realiza periodicamente dias de visitação gratuita nas três fortificações.
As duas ilhas carregam um reconhecimento especial. Segundo a UFSC, Anhatomirim e Ratones integram o Conjunto de Fortificações do Brasil, candidato ao título de Patrimônio Mundial da UNESCO. Para quem visita a Praia do Forte, observar essas ilhas pela luneta da fortaleza é uma forma de entender, de uma só vez, a escala do sistema que protegia a Ilha de Santa Catarina.

Como é o clima da Praia do Forte ao longo do ano?
A chuva aparece em todos os meses, com mais força no verão. Em Florianópolis, janeiro concentra 193 mm em média, enquanto julho registra 86 mm, com mínima de 14°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Uma praia que vigia a baía há quase três séculos
A Praia do Forte guarda um pedaço da história de Santa Catarina ao lado da areia. A fortaleza que dá nome ao lugar foi peça de um sistema planejado para proteger a entrada da Baía Norte, ao lado de duas ilhas-fortaleza que ainda podem ser vistas do alto das muralhas. Restaurada por um projeto da UFSC com o Iphan, ela transformou um antigo posto militar em mirante, museu e porta de entrada para entender o triângulo defensivo da ilha.
Você precisa caminhar pela trilha da fonte carioca, subir às muralhas da fortaleza e olhar pela luneta em direção a Anhatomirim para entender por que a Praia do Forte é muito mais do que uma faixa de areia no norte de Florianópolis.




