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Dragões da Independência: a guarda do Planalto que nasceu em 1808 e ainda veste o uniforme imperial de Dom Pedro I

Por Daniely Cardoso
22/07/2026
Em Notícias
Os Dragões da Independência são o 1º Regimento de Cavalaria de Guardas, a mais antiga e tradicional unidade de cavalaria do Exército, encarregada do cerimonial da Presidência da República e da guarda dos palácios presidenciais em Brasília

Os Dragões da Independência são o 1º Regimento de Cavalaria de Guardas, a mais antiga e tradicional unidade de cavalaria do Exército, encarregada do cerimonial da Presidência da República e da guarda dos palácios presidenciais em Brasília

CORREIO BRAZILIENSE O que você vai ver
Destaques da matéria:
  • ▸
    A origem do regimento em 1808 e a confusão comum sobre a verdadeira data do seu uniforme
  • ▸
    A ligação direta da tropa com o Grito do Ipiranga e os detalhes do seu famoso capacete dourado
  • ▸
    A capacidade real de combate e o treinamento tático por trás das fardas históricas de gala
  • ▸
    Os momentos oficiais da vida pública em Brasília onde é possível ver o desfile dos cavaleiros

No meio da Brasília de concreto e linhas retas de Niemeyer, surge uma cena que parece ter escapado de um quadro do século 19. Homens de farda branca e vermelha, capacetes dourados coroados por um dragão e crina preta, montados em cavalos imponentes, tomam posição diante do Palácio do Planalto. São os Dragões da Independência, a guarda do presidente da República, e a farda que eles vestem não é fantasia nem invenção moderna. É a réplica de um uniforme imperial de verdade, ligado diretamente a Dom Pedro I. Mas há uma confusão comum sobre a data desse uniforme, e uma surpresa sobre o quanto essa tropa é realmente militar. Veja abaixo o que são os Dragões, de que época vem o fardamento, por que eles carregam o nome da Independência e o que poucos imaginam por trás de tanta pompa.

O que são os Dragões da Independência?

É a tropa cerimonial mais tradicional do Exército Brasileiro.

Seu nome oficial é 1º Regimento de Cavalaria de Guardas, e sua missão é conduzir o cerimonial militar da Presidência da República, prestar honras a chefes de Estado e autoridades estrangeiras e guarnecer os palácios presidenciais, tarefa que divide com o Batalhão da Guarda Presidencial. Sediado em Brasília e subordinado ao Comando Militar do Planalto, o regimento é descrito pelo próprio Exército como a maior e mais antiga unidade de cavalaria do país, com um quartel de mais de 10 quilômetros quadrados. Nas grandes cerimônias, desfila com cerca de 500 militares e 200 cavalos, distribuídos entre esquadrões de cerimonial, um esquadrão de comando e um esquadrão de choque.

É justamente aí que nasce o nome da tropa.

Por que a guarda usa um uniforme do século 19?

Aqui é preciso desfazer uma confusão de datas que aparece com frequência.

O regimento foi criado em 13 de maio de 1808, data escolhida por ser aniversário do então príncipe regente Dom João VI, com a função de guardar a família real portuguesa que havia fugido das tropas de Napoleão. Esse é o ano de nascimento da tropa. O uniforme, porém, não é de 1808: ele reproduz o fardamento da Imperial Guarda de Honra de Dom Pedro I, da época da Independência, em 1822. O detalhe está no próprio capacete dourado, cujo modelo remete a 1822 e traz as iniciais “P I”, de Pedro I, ao lado da inscrição “Imperial Guarda de Honra”. Essa farda branca e vermelha, com as cores da antiga cavalaria portuguesa, voltou a ser usada na década de 1920, nas comemorações do centenário da Independência, depois de um estudo histórico para que fosse uma réplica fiel. Em vez de lança, os cavaleiros portam a espada, e o conjunto é considerado uma das indumentárias militares mais imponentes do país.

O que liga o regimento ao Grito do Ipiranga?

É justamente aí que nasce o nome da tropa.

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Antes de se chamarem Dragões da Independência, esses cavaleiros formavam a guarda de honra que acompanhava Dom Pedro I. Foram eles que escoltaram o príncipe regente às margens do riacho do Ipiranga, em São Paulo, no 7 de setembro de 1822, no momento em que o Brasil rompeu com Portugal. A cena ficou eternizada no célebre quadro de Pedro Américo sobre o Grito do Ipiranga, onde a cavalaria aparece ao lado do futuro imperador, como registram os próprios acervos históricos da unidade. Não à toa, a tropa carrega até hoje a memória do Império, a mesma que sobrevive em lugares como a cidade de Petrópolis, que guarda a coroa imperial com centenas de diamantes. Há ainda uma herança curiosa de 1889: como o cavalo montado por Marechal Deodoro na Proclamação da República tinha pelagem clara, o comandante do regimento até hoje monta um cavalo de cor clara em cerimônias.

Guia Histórico: Dragões da Independência
Origens, símbolos imperiais e a dupla atuação cerimonial e militar
1808
Criação do Regimento
Fundado em 13 de maio por Dom João VI para fazer a guarda da família real portuguesa recém-chegada ao Brasil.
1822
Grito do Ipiranga
Atuando como Imperial Guarda de Honra, a tropa escolta Dom Pedro I na proclamação da Independência do Brasil.
1920
Retorno do Uniforme Histórico
Nas comemorações do centenário da Independência, o fardamento imperial de gala volta a ser adotado oficialmente.
Capacete Dourado Modelo de 1822 Traz a figura de um dragão, crina preta de cavalo e as iniciais “P I” de Pedro I.
Farda de Gala Branco e Vermelho Cores tradicionais da antiga cavalaria portuguesa mantidas na réplica histórica.
Tradição de 1889 Cavalo Claro O comandante sempre monta cavalo de pelagem clara, em memória ao animal de Marechal Deodoro na Proclamação.
🏛️ Onde ver em Brasília: Nas cerimônias de posse presidencial, desfile de 7 de Setembro (aberto pela caleça de 180 anos), trocas periódicas da guarda do Planalto e recepções de chefes de Estado.
1º Regimento de Cavalaria de Guardas A mais antiga e maior unidade de cavalaria do país, com quartel de mais de 10 km² em Brasília.
Efetivo de Cerimonial Em grandes solenidades, mobiliza cerca de 500 militares e 200 cavalos em esquadrões de cerimonial, comando e choque.
Prontidão e Armamento Moderno Além das espadas históricas, a tropa possui fuzis automáticos e treinamento em esquadrão de choque e antiterrorismo para agir em situações reais de crise.
Fonte: Exército Brasileiro / 1º Regimento de Cavalaria de Guardas / Correio Braziliense. Informações baseadas no acervo histórico oficial.

Então é só enfeite? O que poucos imaginam

Este é o ponto que contraria a imagem de tropa puramente decorativa.

Por trás das fardas de museu e dos cavalos ornamentados existe uma unidade de combate real, considerada parte da elite do Exército. Além das espadas de cerimônia, os Dragões contam com fuzis automáticos leves e recebem treinamento específico de proteção de autoridades, incluindo resposta a ações de terrorismo, ao lado do esquadrão de choque. Ou seja, o mesmo militar que desfila fantasiado de época está preparado para atuar em uma situação de crise real. Vale notar, porém, que a função de segurança do presidente é hoje mais simbólica, já que a Presidência conta com uma equipe própria de proteção. Essa mistura de pompa histórica com capacidade militar lembra, de certo modo, a fascinação popular com a ideia de tropa de elite retratada no cinema brasileiro, só que aqui a tradição vem do Império.

Onde dá para ver os Dragões?

Eles aparecem nos momentos mais solenes da vida pública brasileira.

O mais famoso é a posse presidencial, quando os Dragões escoltam o presidente e emprestam solenidade à subida da rampa do Planalto. No desfile de 7 de Setembro, na Esplanada dos Ministérios, a tropa costuma abrir a parada com uma caleça de mais de 180 anos, carruagem usada para transportar autoridades. Há também a troca da guarda do Palácio do Planalto, realizada periodicamente, e a recepção de chefes de Estado estrangeiros que visitam o país. Para quem vive ou visita Brasília, ver os Dragões em formação, com o Planalto ao fundo, é observar um pedaço vivo do Brasil Império no coração da capital da República.

O mais famoso é a posse presidencial, quando os Dragões escoltam o presidente e emprestam solenidade à subida da rampa do Planalto

O que convém lembrar sobre os Dragões da Independência

Os Dragões da Independência são o 1º Regimento de Cavalaria de Guardas, a mais antiga e tradicional unidade de cavalaria do Exército, encarregada do cerimonial da Presidência da República e da guarda dos palácios presidenciais em Brasília. O regimento nasceu em 1808, criado por Dom João VI para proteger a família real, mas o uniforme de gala que veste não é dessa data: reproduz o fardamento da Imperial Guarda de Honra de Dom Pedro I, da época da Independência, em 1822, com o capacete dourado que traz as iniciais do imperador. O nome vem justamente do papel histórico da tropa, que escoltou Dom Pedro I no Grito do Ipiranga e aparece no quadro de Pedro Américo. Apesar da aparência de museu, e das espadas em vez de qualquer arma exótica, trata-se de uma unidade de combate de verdade, com armamento moderno e treinamento de proteção de autoridades, ainda que a segurança presidencial seja hoje atribuição de uma equipe própria. Visível em posses, no desfile de 7 de Setembro e na troca da guarda do Planalto, o regimento mantém vivo, no meio da Brasília moderna, um elo direto com o Brasil Império.

Este conteúdo tem caráter informativo e histórico, com base em fontes oficiais do Exército Brasileiro e registros públicos. Detalhes de efetivo, organização e cerimonial podem variar conforme a normatização militar vigente. Para informações atualizadas, consulte os canais oficiais do 1º Regimento de Cavalaria de Guardas.

Tags: Dom Pedro IDragões da IndependênciaExército Brasileiroguarda presidencial
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