Em setembro de 1983, o Atari 2600 chegou às lojas brasileiras com o selo da Polyvox, empresa comprada pela Gradiente em 1979. O primeiro lote teve cerca de 30 mil unidades, e o preço sugerido ficava entre 180 mil e 200 mil cruzeiros, segundo o histórico da chegada do Atari ao Brasil publicado pelo Hardware.com.br. O aparelho saía da caixa com um cartucho, o Comando de Mísseis, nome usado aqui para o Missile Command.
Quarenta e três anos depois, o preço do Atari 2600 da Polyvox hoje pode ser medido nos classificados. Na seção de consoles Atari da OLX, consultada pelo CB Radar no dia 7 de outubro de 2026, um anúncio com o título “Atari 2600 Polyvox Funcionando” pede R$ 2.000 em Brasília (DF). Em Fortaleza (CE), outro console da marca, anunciado com a grafia “Atari Polivox”, aparece por R$ 500. São valores pedidos por quem anuncia, não preços de venda fechada.
Um console oficial no meio dos clones
O Atari licenciado desembarcou tarde. Nos Estados Unidos, o videogame já era vendido havia anos, e no Brasil a importação de eletrônicos era restrita pela reserva de mercado. Esse protecionismo ganhou forma de lei com a Política Nacional de Informática, a Lei 7.232, de 1984. Segundo o mesmo levantamento do Hardware.com.br, a política foi aplicada com rigor entre 1984 e 1992, e nesse intervalo a importação de videogames ficou proibida.
Antes do aparelho oficial, quem tinha um Atari no país dependia de viagens ao exterior ou de cópias nacionais. O primeiro clone brasileiro, o CX-2600, saiu em abril de 1980 pela Atari Eletrônica Ltda., fundada por um joalheiro brasileiro. Vieram depois o Top Game, da Bit Eletrônica, o Dactar 007, que vinha dentro de uma maleta, o Supergame VG-2800 da CCE e o VJ-9000 da Dismac, marca conhecida pelas calculadoras. Em 1984, mais de 20 empresas disputavam o mercado de cartuchos nacionais, de acordo com o site, e o governo fazia vista grossa para as cópias. Hoje, a pirataria de jogos acaba em tribunal, como no caso do moderador do Reddit condenado nos Estados Unidos por distribuir jogos piratas de Switch.
A chegada do console legítimo exigiu acordo até com o nome. A Atari, então controlada pela Warner, negociou com o dono da empresa brasileira homônima para usar a marca no país, e ele manteve o direito de fabricar cartuchos compatíveis. A campanha de lançamento teve orçamento de aproximadamente US$ 7 milhões, segundo o Hardware.com.br, com o slogan “O Atari da Atari”. Deu certo: o site descreve o Natal de 1983 como um grande sucesso de vendas do console.
A data de setembro também aparece no verbete do Atari 2600 na Wikipédia em português, que cita reportagem da Folha de S.Paulo de 7 de setembro de 1983 intitulada “O Atari da Polyvox já está pronto”. Nenhuma fonte aberta informa quantos consoles da Polyvox foram vendidos ao todo no Brasil: o número disponível é o do primeiro lote.
Atari 2600 da Polyvox: o preço hoje nos anúncios da OLX

A seção de consoles Atari da OLX somava 390 anúncios naquela quarta-feira de outubro de 2026. A lista mistura o console de 1983, clones nacionais, modelos americanos e as reedições modernas da linha Flashback, que aparecem na faixa de R$ 300 a R$ 375 e não têm relação com a fabricação da Polyvox. Alguns pedidos vistos na mesma página, com cidade:
- Atari 2600 Polyvox, com caixa, cabos e controles, estado “usado, bom”: R$ 2.000, Brasília (DF).
- Atari Polivox, com cabo A/V, dois controles genéricos e jogos, estado “usado, bom”: R$ 500, Fortaleza (CE).
- Atari 2600 identificado como completo, sem marca no título: R$ 700, Rio de Janeiro (RJ).
- Clone Dactar descrito como completo na caixa: R$ 1.500, Brasília (DF).
- Supergame da CCE, outro clone nacional: R$ 350, Brasília (DF).
- Modelo americano anunciado como Atari 2600 Heavy Sixer Sears 1977: R$ 3.200, Itupeva (SP).
As informações sobre o que acompanha cada aparelho e o estado de conservação são as que os próprios anunciantes preencheram na OLX. A data exibida nos cards muda quando o anúncio é renovado, por isso este texto usa a data da consulta.
O que afasta R$ 500 de R$ 2.000
Os dois anúncios da Polyvox têm o mesmo estado declarado, “usado, bom”, e a diferença está na lista do que vem junto. O de Brasília informa caixa, cabos e controles. O de Fortaleza não cita caixa e descreve os controles como genéricos, de boa qualidade, acompanhados de jogos. Para quem coleciona, embalagem e acessórios originais costumam pesar no pedido, mas o anúncio sozinho não prova que esse seja o motivo do valor de cada vendedor.
A versão também separa os números. O Heavy Sixer americano, de 1977, pede mais que o console brasileiro na mesma página, e os clones nacionais da lista vão de R$ 350, no Supergame, a R$ 1.500, no Dactar anunciado com caixa. Na primeira página da consulta, os anúncios de Atari 2600 sem fabricante no título aparecem entre R$ 500 e R$ 829, caso de um aparelho sem jogos em Sumaré (SP), por R$ 829, e de outro com saída de áudio e vídeo adaptada no Rio de Janeiro, por R$ 700.
Na vitrine digital, o que distingue um Atari de outro é menos o chip e mais o que sobrou em volta dele.
Preço pedido não é preço pago. Um card de classificado indica o valor que o vendedor gostaria de obter, e esse número pode cair dias depois ou sumir junto com o anúncio. Guardar por décadas o videogame da infância é um hábito que a psicologia associa à memória afetiva ligada aos objetos antigos.
Os valores do lançamento estão em cruzeiros, moeda que já não circula. Nenhuma das fontes consultadas traz uma correção confiável dos 180 mil a 200 mil cruzeiros de 1983 para reais, por isso a comparação direta com os R$ 2.000 do anúncio de Brasília fica de fora.


