Pessoas com TDAH podem apresentar um risco maior de desenvolver demência ao longo da vida, segundo pesquisas recentes que investigam a relação entre as duas condições. A associação chama atenção porque o transtorno pode permanecer na idade adulta e dividir características com alterações cognitivas. Ainda assim, os dados não significam que toda pessoa com TDAH desenvolverá demência ou perda cognitiva.
Por que o TDAH pode ser associado a alterações cognitivas futuras?
O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que pode persistir durante a vida adulta. Seus sintomas envolvem desatenção, impulsividade e hiperatividade em diferentes combinações, podendo interferir na organização, no trabalho e nas relações. A presença desses sinais, porém, não significa automaticamente perda cognitiva progressiva nem indica que uma demência esteja instalada.
A demência envolve alterações persistentes que comprometem memória, raciocínio, linguagem ou outras funções cognitivas, afetando a autonomia. Já o TDAH costuma produzir dificuldades de atenção e organização que podem parecer semelhantes em alguns momentos. A diferença é importante porque sintomas de desatenção isolados não permitem concluir que exista uma doença neurodegenerativa.

Que relação os estudos encontraram entre TDAH e demência?
A relação entre TDAH e demência ainda está sendo investigada. Parte das pesquisas observa associações entre o diagnóstico e maior ocorrência posterior de alterações cognitivas, mas fatores psiquiátricos, metabólicos, educacionais e relacionados ao estilo de vida também podem participar desse cenário. Por isso, o risco observado em estudos populacionais não deve ser interpretado como causalidade direta.
Pesquisas recentes reforçam essa associação. Uma meta-análise publicada em 2026 reuniu cinco estudos, com mais de 3,7 milhões de participantes em coortes, e encontrou maior risco de demência entre pessoas com TDAH. O trabalho publicado no PubMed também ressalta que faltam dados suficientes para estabelecer uma relação causal direta entre as condições avaliadas até o momento.
Quais sinais merecem atenção em pessoas com TDAH?
Quando o TDAH aparece junto a dificuldades cognitivas persistentes, a avaliação clínica pode ajudar a separar sintomas antigos de mudanças recentes. Esse cuidado é especialmente relevante em adultos e idosos, nos quais queixas de memória, atenção ou organização podem ter múltiplas causas e merecem investigação individualizada.
Alguns sinais merecem atenção clínica:
O TDAH sozinho pode provocar demência?
Os estudos disponíveis não permitem afirmar que o TDAH, isoladamente, provoque demência. Em uma pesquisa populacional sueca, a associação inicial diminuiu depois que os pesquisadores ajustaram os resultados para transtornos psiquiátricos, sugerindo que parte da relação pode envolver condições que frequentemente coexistem com o TDAH, além de outros fatores de saúde e características da população estudada.
Uma revisão sistemática publicada por pesquisadores da University of Toronto e do Centre for Addiction and Mental Health avaliou estudos sobre TDAH e transtornos neurocognitivos. Os autores encontraram resultados mistos: parte dos trabalhos apontou associação, enquanto outros não encontraram relação. A revisão também destacou que o risco absoluto permanece pequeno e os mecanismos ainda são incertos.

Que cuidados podem ajudar no acompanhamento cognitivo?
Para quem tem TDAH, a principal utilidade dessas informações está no acompanhamento atento das mudanças cognitivas ao longo do tempo. Dificuldades de atenção que acompanham a pessoa desde a infância não devem ser confundidas automaticamente com declínio cognitivo. Alterações novas, progressivas ou acompanhadas de perda de autonomia merecem avaliação profissional cuidadosa e individualizada ao longo da vida.
A investigação pode envolver histórico clínico, medicamentos, sono, saúde mental, condições cardiovasculares e desempenho cognitivo, conforme cada caso. Essa abordagem ajuda a identificar fatores modificáveis e a diferenciar sintomas já conhecidos de mudanças recentes. O valor prático está em não ignorar sinais persistentes e buscar avaliação quando houver alteração significativa do funcionamento cotidiano e da autonomia.




