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Início Curiosidades

Estudos mostram que as pessoas que vivem mais de 100 anos costumam nascer nestes meses

Por Paulo Custodio
23/05/2026
Em Curiosidades
Correlação entre mês de nascimento e longevidade extrema

Correlação entre mês de nascimento e longevidade extrema

Você já parou para pensar que o calendário pode ter influenciado suas chances de chegar aos 100 anos? Um estudo conduzido por pesquisadores do NORC at the University of Chicago analisou dados de 1.574 centenários americanos e chegou a uma conclusão curiosa: o mês de nascimento e longevidade têm uma relação estatística real, e quem nasceu entre setembro e novembro sai na frente.

Como os cientistas chegaram a essa conclusão?

A ideia central foi comparar centenários com seus próprios irmãos, que viveram menos. Mesma família, mesmos genes, mesma condição financeira, mesma comida na mesa. A única diferença relevante era o mês em que cada um tinha nascido.

Com mais de 10.000 irmãos no grupo de comparação, ficou claro que nascer no outono norte-americano dava uma vantagem estatística consistente. E o padrão se repetiu até entre os cônjuges dos centenários, que não tinham nenhum parentesco com eles.

Correlação entre mês de nascimento e longevidade extrema (centenários)
Correlação entre mês de nascimento e longevidade extrema (centenários)

Setembro, outubro e novembro: o que esses meses têm de especial?

Quem nasce nesses meses chega ao mundo num momento muito favorável. A mãe passou o verão inteiro com acesso a frutas, vegetais frescos e sol, o que melhora a nutrição no terceiro trimestre da gravidez. E o bebê, nos primeiros meses de vida, escapa dos dois piores cenários sazonais.

Ele não enfrenta o calor intenso do verão, que no passado causava surtos de diarreia e desidratação graves em bebês. E também não cai direto no inverno fechado, época de pico de doenças respiratórias. É uma janela de temperatura amena e menor circulação de vírus perigosos para recém-nascidos.

E quem nasceu em março está condenado?

Absolutamente não. Março aparece como o mês com menores chances no estudo, mas a diferença explica apenas cerca de 2% da variação entre quem vira centenário e quem não vira. Ou seja, o mês de nascimento é um dado curioso, não um destino.

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Vale lembrar que os centenários do estudo nasceram entre 1880 e 1895, sem vacinas, sem saneamento básico adequado e com acesso muito limitado a alimentos no inverno. Nesse contexto, o calendário pesava muito mais do que pesa hoje.

Leia também: Estudos mostram que as pessoas mais educadas costumam nascer nestes meses

Por que julho também saiu mal nas estatísticas?

Além de março, julho apresentou odds baixas de longevidade extrema. A hipótese é que bebês nascidos em pleno verão ficavam expostos a temperaturas altas logo nos primeiros dias de vida, o que no passado estava associado a desidratação severa e infecções intestinais.

Pesquisas com populações britânicas citadas no estudo mostram que bebês que enfrentaram calor intenso no primeiro ano de vida apresentaram pressão arterial mais elevada décadas depois. O corpo guarda essas memórias de um jeito que a ciência ainda está mapeando.

O que esse estudo diz sobre o início da vida em geral?

O achado mais importante não está nos meses em si, mas no que eles representam: as condições dos primeiros meses de vida deixam marcas que duram décadas. Nutrição da mãe, exposição a infecções, temperatura ambiente, qualidade do ar. Tudo isso contribui para o que os pesquisadores chamam de programação precoce do organismo.

É como se o corpo calibrasse seus sistemas de defesa e reparo nas primeiras semanas de vida, e essa calibração influenciasse o envelhecimento muito tempo depois. Isso vale para todo mundo, independente do mês em que nasceu.

Então o que realmente decide quem chega aos 100 anos?

O mês de nascimento é só um dado num quebra-cabeça bem maior. Os fatores que pesam mais são outros, e a boa notícia é que boa parte deles está ao alcance de qualquer pessoa. Veja o que a literatura sobre centenários aponta como determinantes reais:

Os principais fatores associados à longevidade extrema são:

  • Genética favorável: ter parentes longevos aumenta as chances, mas não garante nada sozinho.
  • Alimentação ao longo da vida: dietas variadas, com menos ultraprocessados e mais alimentos naturais, aparecem em praticamente todos os estudos sobre populações centenárias.
  • Movimento constante: não precisa ser academia. Caminhar, subir escada, trabalhar no jardim. O que importa é não parar.
  • Vínculos sociais fortes: solidão crônica envelhece tanto quanto fumar, segundo diversas pesquisas.
  • Não fumar: o único fator isolado com maior impacto negativo comprovado na expectativa de vida.
Correlação entre mês de nascimento e longevidade extrema (centenários)
Correlação entre mês de nascimento e longevidade extrema (centenários)

Vale a pena saber em que mês você nasceu para pensar em longevidade?

Vale como curiosidade, e também como porta de entrada para uma reflexão mais séria. O estudo mostra que o ambiente dos primeiros meses de vida importa muito, e isso tem implicações diretas para como cuidamos de gestantes e recém-nascidos hoje.

Mas se você nasceu em março, julho ou qualquer mês fora da janela favorável do século XIX, respira fundo. A ciência é bem clara: os seus hábitos diários, a qualidade dos seus vínculos e o acesso a cuidados de saúde pesam muito mais do que o mês em que você deu os primeiros berros.

Tags: centenárioslongevidademês de nascimentoprogramação precoce
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