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Início Curiosidades

Ao examinar imagens de satélite, um arqueólogo descobre uma fortaleza de 120.000 m² que pode ser uma capital esquecida.

Por Bruno Vaz
25/10/2026
Em Curiosidades
fortaleza descoberta por satélite

Além das muralhas, o pesquisador identificou sinais de outras construções na parte norte do complexo

Uma fortaleza de aproximadamente 3 mil anos foi identificada no leste da Turquia depois que um arqueólogo percebeu estruturas incomuns em imagens de satélite. A construção ocupa cerca de 120 mil metros quadrados e pode estar ligada a Arzashkun, uma antiga capital do reino de Urartu cuja localização permanece desconhecida. A descoberta pode ajudar a esclarecer um capítulo da história do Oriente Próximo, mas ainda depende de escavações.

Arqueólogo encontrou a fortaleza ao analisar imagens de satélite

A descoberta foi feita em 2026 pelo arqueólogo turco Melik Mirbey Ömeroğlu, nas proximidades do vilarejo de Mescidli, na província de Muş. Segundo reportagem publicada em 23 de outubro pela revista francesa Science & Vie, o pesquisador identificou linhas e formas regulares que não pareciam fazer parte da paisagem natural.

Ao visitar o local, ele constatou que as marcas correspondiam a vestígios de grandes muralhas de pedra. Vistas do chão, as estruturas estavam tão deterioradas que podiam ser confundidas com formações rochosas comuns. As imagens de satélite permitiram relacionar os fragmentos e perceber que pertenciam a um complexo defensivo muito maior.

Construção gigantesca ocupa área equivalente a 17 campos de futebol

A fortaleza possui aproximadamente 120 mil metros quadrados, o equivalente a 12 hectares ou cerca de 17 campos de futebol. Suas muralhas se estendem por aproximadamente 1,4 quilômetro, acompanhando o contorno de uma elevação rochosa. A localização oferece vantagens naturais de defesa, com o terreno elevado e cercado parcialmente por água.

Segundo o portal especializado HeritageDaily, alguns trechos preservados alcançam dois metros de altura pelo lado interno e até quatro metros na face externa. Essas dimensões colocam o sítio entre as maiores estruturas fortificadas identificadas na região de Muş e sugerem um empreendimento que exigiu planejamento e mão de obra consideráveis.

Pedras enormes oferecem pistas sobre a idade da fortaleza

Um dos elementos que mais chamaram a atenção dos pesquisadores foi a técnica utilizada na construção. As muralhas apresentam blocos maciços e irregulares, organizados em estruturas conhecidas como alvenaria ciclópica e poligonal. Esse tipo de construção também aparece em outras fortificações antigas do leste da Turquia.

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Ömeroğlu identificou semelhanças com as fortalezas de Aşağı Anzaf e Zivistan, próximas à região do lago Van. Ambas estão associadas à Idade do Ferro, o que sustenta a hipótese de uma origem relacionada aos primeiros séculos do reino de Urartu. Entretanto, a semelhança arquitetônica não substitui uma datação arqueológica feita com materiais encontrados no próprio sítio.

Fortaleza pode esconder vestígios de uma antiga cidade

Além das muralhas, o pesquisador identificou sinais de outras construções na parte norte do complexo. No setor sul, existe uma grande estrutura circular, construída com pedras menores, cuja função ainda não foi esclarecida. Uma das possibilidades é que tenha servido para armazenar ou administrar água utilizada pelos antigos ocupantes.

Essa hipótese faz sentido porque uma fortaleza de grandes dimensões precisava garantir condições de permanência para seus habitantes. A disponibilidade de água seria particularmente relevante durante períodos de conflito ou isolamento. Ainda assim, somente escavações poderão revelar se a estrutura funcionava como reservatório, instalação defensiva ou possuía outra finalidade.

Leia também: Conheça a cidade onde os postes de luz acendem com aplausos

Quem eram os urartianos e por que essa descoberta importa?

O reino de Urartu foi uma potência da Idade do Ferro que se desenvolveu principalmente entre os séculos IX e VII antes de Cristo. Seu território incluía regiões da atual Turquia, da Armênia e do noroeste do Irã. Os urartianos construíram fortalezas, sistemas de irrigação, estradas e centros administrativos, disputando influência com o poderoso Império Assírio.

Um dos primeiros governantes conhecidos foi Arame, citado em registros assírios do século IX a.C. A cidade real associada a esse soberano recebeu o nome de Arzashkun, mas sua localização exata nunca foi estabelecida. Posteriormente, Tushpa, na região da atual Van, tornou-se um importante centro político do reino.

fortaleza descoberta por satélite
Uma fortaleza de aproximadamente 3 mil anos foi identificada no leste da Turquia depois que um arqueólogo percebeu estruturas incomuns em imagens de satélite

A fortaleza encontrada pode ser a capital perdida de Arzashkun?

A possibilidade mais intrigante é que a construção esteja relacionada à cidade real de Arzashkun. Documentos do rei assírio Salmanazar III relatam uma campanha militar em 856 a.C., durante a qual suas tropas teriam atacado e destruído a cidade. Entretanto, esses registros não apresentam informações geográficas suficientes para identificar com segurança sua localização atual.

O portal especializado Arkeonews explica que outras regiões já foram consideradas possíveis locais de Arzashkun, incluindo áreas próximas ao lago Van e ao lago Urmia. A posição estratégica da nova fortaleza e suas características arquitetônicas fortalecem o interesse pela hipótese, mas não comprovam que ela tenha sido a capital procurada.

Por que ainda não é possível confirmar os 3 mil anos?

Apesar da dimensão impressionante, a fortaleza ainda não passou por escavações arqueológicas sistemáticas. A estimativa de aproximadamente 3 mil anos foi feita principalmente pela comparação das muralhas com construções da Idade do Ferro. Até o momento das reportagens, não haviam sido apresentados resultados de datação por radiocarbono ou análises de cerâmicas capazes de estabelecer uma cronologia definitiva.

O inventário cultural turco Kültür Envanteri registra o sítio como Castelo de Mescitli e reforça que sua ligação com Urartu ainda precisa ser confirmada. A identificação de inscrições antigas, objetos datáveis ou vestígios de ocupação poderá esclarecer quem construiu o complexo e durante quanto tempo ele permaneceu em funcionamento.

O que acontece agora com a fortaleza descoberta na Turquia?

O arqueólogo responsável apresentou um pedido de registro e proteção oficial ao conselho regional de preservação do patrimônio cultural de Van. Essa medida busca proteger a área contra danos provocados por atividades agrícolas, intervenções não autorizadas e possíveis escavações clandestinas. A preservação é necessária para permitir investigações futuras sem comprometer os vestígios existentes.

As próximas pesquisas deverão concentrar esforços na identificação de materiais arqueológicos, na datação das estruturas e na investigação das antigas áreas internas. Enquanto esses estudos não forem realizados, a identificação com Arzashkun continuará sendo uma hipótese histórica. Mesmo que a ligação com a capital perdida não seja confirmada, a descoberta já acrescenta uma importante fortificação ao conhecimento sobre as antigas civilizações da Anatólia.

Tags: arqueologiaciênciahistóriapatrimônio
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