O ouro que levou os primeiros garimpeiros aos pés da Serra dos Pireneus não demorou a se esgotar. Sob o solo, porém, havia outra riqueza: uma rocha clara e resistente que passou a revestir fachadas e piscinas em diferentes partes do Brasil. Pirenópolis construiu sua economia em torno dessa pedra, do centro histórico tombado e das cachoeiras que descem da serra, a menos de 150 km de Brasília.
Como a extração de pedras se tornou a principal atividade econômica de Pirenópolis?
A abundância de jazidas e a demanda do mercado nacional da construção civil impulsionaram a atividade. De acordo com o Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), a extração de quartzito, uma rocha metamórfica composta quase inteiramente de quartzo, representa entre 30% e 50% de todo o ICMS arrecadado pelo município e constitui sua principal atividade produtiva.
A maior estrutura do setor é a Pedreira da Prefeitura, também a mais antiga de Pirenópolis. Com 54 hectares, ela reúne dezenas de frentes de lavra, conhecidas pelos mineradores como pias. A exploração começou ainda no período colonial, quando a pedra era usada na construção de alicerces e muros locais. A produção ganhou impulso com as obras de Goiânia, em 1933, e de Brasília, em 1960, período em que a chamada pedra Goiás conquistou compradores em todo o país. Desde 2005, um arranjo produtivo que reúne mineradores, órgãos ambientais e poder público busca organizar a atividade e dar novo uso aos rejeitos da extração.

O que o IPHAN preserva no centro histórico de Pirenópolis?
A proteção abrange um conjunto urbano completo, e não somente edifícios separados. Em 10 de janeiro de 1990, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) tombou o Conjunto Arquitetônico, Urbanístico, Paisagístico e Histórico de Pirenópolis. A medida protege não apenas as construções, mas também o traçado urbano, as ruas e a paisagem da cidade.
Entre os principais marcos está a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, construída entre 1761 e 1763 e considerada pelo instituto o maior edifício religioso do Centro-Oeste. Primeiro bem tombado do município, em 3 de julho de 1941, ela passou por um incêndio em setembro de 2002, que danificou grande parte da estrutura. A revitalização ocorreu entre 2003 e 2006. O patrimônio protegido inclui também a Fazenda Babilônia, tombada em 1965, o Theatro Sebastião Pompeu de Pina, de 1889, o Cine Teatro Pireneus e a ponte sobre o Rio das Almas. Uma comparação semelhante pode ser feita com a antiga capital goiana, fundada no mesmo ano.
Onde está localizado o segundo maciço mais alto de Goiás?
O ponto fica no Parque Estadual dos Pireneus, a aproximadamente 20 km do centro de Pirenópolis. Segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás, o Pico dos Pireneus alcança 1.380 metros de altitude e ocupa o segundo lugar entre os maciços mais altos do estado. Ele está dentro de uma unidade de conservação criada em novembro de 1987, que atualmente abrange 2.833 hectares.
A região também marca a divisão entre duas grandes bacias hidrográficas. Dali nascem o Rio das Almas, que segue em direção ao Tocantins, e o Rio Corumbá, cujas águas integram a bacia do Paraná. Entre os pontos que costumam fazer parte do passeio pela serra estão:
- Pico dos Pireneus: uma trilha de aproximadamente 500 metros permite chegar ao topo em cerca de 15 minutos. Lá está a Capela da Santíssima Trindade.
- Morro Cabeludo: formação rochosa próxima ao pico, procurada para escalada e visível de diferentes pontos do parque.
- Cachoeira do Abade: uma das quedas-d’água mais visitadas do município, localizada no caminho para a serra.
- Centro histórico: reúne ruas calçadas com quartzito, a mesma rocha extraída nas pedreiras locais.
- Museu de Arte Sacra do Carmo: guarda um acervo religioso na antiga Igreja de Nossa Senhora do Carmo.

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Como é o clima de Pirenópolis ao longo do ano?
A cidade tem um dos contrastes de chuva mais escancarados do Cerrado. Em dezembro caem em média 291 mm, enquanto em julho o acumulado médio é de 1 mm, e a temperatura acompanha essa virada com noites bem mais frias no meio do ano, veja abaixo como o calendário se divide:
Médias climatológicas de 30 anos publicadas pelo Climatempo. As condições variam de um ano para o outro por influência de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale checar a previsão atualizada antes de viajar.
A cidade que virou pedra depois do ouro
Poucos lugares no Brasil Central conseguem juntar em um raio tão curto uma pedreira que abastece o país, um casario colonial protegido por lei e uma serra que dá origem a rios de duas bacias diferentes. A pedra que os garimpeiros pisavam sem enxergar valor virou o produto que sustenta o município três séculos depois.
Você precisa reservar um fim de semana em Pirenópolis e caminhar devagar pelas ruas onde o chão conta a mesma história das montanhas em volta.




