No noroeste do Rio Grande do Sul, uma cidade de 7.650 habitantes guarda a maior jazida de ametista do planeta. Ametista do Sul tem galerias subterrâneas que chegam a 800 metros de extensão, uma igreja revestida com dezenas de toneladas de pedras roxas doadas pela população e o único restaurante do mundo instalado dentro de uma mina desativada. Uma vila emancipada em 1992 que virou destino global do turismo mineral.
Do achado por acaso nos anos 1930 à Capital Mundial
A história começa por acaso. Nos anos 1930, caçadores e agricultores pioneiros que ocupavam a região do Médio e Alto Uruguai gaúcho encontraram as primeiras pedras roxas sob raízes de árvores, em córregos e em áreas recém-lavradas. A descoberta despertou o interesse comercial, e o garimpo virou atividade principal do vilarejo até então subordinado a Iraí. O ano de 1972 foi decisivo: com o esgotamento das jazidas de superfície, o garimpo passou de céu aberto para galerias subterrâneas, técnica que se mantém até hoje.
Em 20 de março de 1992, Ametista do Sul se emancipou e virou um dos municípios mais jovens do Rio Grande do Sul. Recebeu o nome em referência direta à pedra que sustenta sua economia e ganhou o apelido de “O Município que Brilha”. Segundo a Rota Águas e Pedras, consórcio de turismo regional, cerca de 2.200 garimpeiros trabalham hoje nas galerias subterrâneas do município, que se estende sobre a maior jazida de ametista já mapeada no planeta.

A única igreja do mundo com paredes de ametista
O maior símbolo da cidade é a Igreja Matriz São Gabriel. Inaugurada em 28 de setembro de 2008, tornou-se única no mundo por ter as paredes revestidas com mais de 40 toneladas de pedras preciosas, entre ametistas, cristais de calcita e citrinos, todos extraídos do próprio solo do município. As pedras foram doadas pela população local ao longo de anos de construção, num gesto coletivo raro na história das igrejas brasileiras.
O brilho roxo toma conta do interior do templo, especialmente ao meio-dia, quando a luz do sol entra pelos vitrais e refrata contra os cristais das paredes. Até a pia batismal é esculpida em ametista. A entrada é gratuita, e a igreja recebe visitantes de todo o Brasil em busca da combinação de fé e beleza mineral. Ao lado, uma torre panorâmica de cerca de 70 metros com elevador leva ao mirante a 54 metros de altura, com vista privilegiada dos garimpos e da região.
Garimpo, museu e restaurante em mina desativada
O Ametista Parque Museu é o principal complexo turístico da cidade. Reúne um acervo com mais de 2.000 exemplares de pedras preciosas raras, entre elas a ametista mais valiosa já encontrada no mundo, com 2,5 toneladas de peso, e um meteorito de 140 quilos. O parque inclui a visita a uma mina desativada, um mirante com vista das montanhas e o Belvedere Mina, considerado o primeiro restaurante subterrâneo do mundo, instalado a dezenas de metros abaixo da superfície em galerias adaptadas ao serviço de mesa.
A experiência mais marcante para o visitante é o passeio a uma mina em atividade, onde garimpeiros experientes conduzem os grupos por galerias que chegam a 800 metros de comprimento. O tour inclui uma simulação de explosão controlada e a explicação sobre como as pedras se formam nas rochas basálticas da região. É um dos raros lugares do país em que o turista pode acompanhar o trabalho do garimpeiro em segurança e sair com pedras compradas direto do produtor.

O que fazer em Ametista do Sul?
O roteiro cabe em dois ou três dias e gira quase todo em torno da mineração. O centro da cidade concentra as principais atrações a poucas quadras umas das outras.
- Igreja Matriz São Gabriel: templo revestido com 40 toneladas de ametistas, calcita e citrinos, único no mundo. Entrada gratuita, na Praça Central da cidade.
- Torre Panorâmica: cerca de 70 metros de altura, mirante a 54 metros com elevador panorâmico e vista de 360 graus sobre a cidade e os garimpos.
- Ametista Parque Museu: complexo com mais de 2.000 pedras raras, mina desativada aberta à visitação e mirante para as montanhas.
- Belvedere Mina: primeiro restaurante subterrâneo do mundo, instalado em galerias de uma mina desativada, com cardápio de alta gastronomia.
- Pirâmide Esotérica: construção com paredes internas revestidas de ametista, destinada à meditação, referência do turismo esotérico local.
- Visita a garimpo em atividade: passeio conduzido por garimpeiros experientes por galerias subterrâneas de até 800 metros, com simulação de explosão.
- Passeio de buggy: roteiro pelas minas ativas e desativadas do entorno, com paradas para explicações sobre a geologia local.
Onde comer bem entre um garimpo e outro?
A gastronomia local combina tradição gaúcha, italiana e o toque inusitado do café colonial servido dentro das minas. Vinícolas locais aproveitam adegas construídas em galerias antigas para amadurecer vinhos artesanais.
- Churrasco gaúcho: costela, picanha e linguiças na fogueira, tradição campeira preservada nos restaurantes da cidade.
- Café colonial: mesa farta com pães, queijos, geleias, cucas, embutidos e sopas típicas da colônia italiana da região.
- Massas artesanais: nhoque, capeletti e ravióli servidos em cantinas familiares, herança dos imigrantes italianos.
- Vinhos artesanais: produzidos em pequenas vinícolas com adegas em minas antigas convertidas, projeto de vitivinicultura recente da cidade.
Como é o clima ao longo do ano
Ametista do Sul fica a 505 metros de altitude, com clima subtropical. Verões quentes e invernos amenos marcam as estações, e a paisagem em torno dos garimpos muda de tom conforme o ano avança.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Ametista do Sul
A cidade fica a 440 km de Porto Alegre pela BR-386, cerca de seis horas de carro. O aeroporto mais próximo é o Serafim Enoss Bertaso, em Chapecó, no estado de Santa Catarina, a 90 km do município (uma hora e 30 minutos por estrada). Do aeroporto, o acesso se faz pela BR-480, SC-480, RS-406 e finalmente RS-324. Quem parte de Curitiba percorre cerca de 570 km pela BR-153.
Desça 800 metros abaixo do chão gaúcho
Ametista do Sul é uma cidade que só existe por causa da geologia. Um pedaço do Rio Grande do Sul onde o comércio, a fé, a gastronomia e o turismo giram todos em torno da mesma pedra roxa. Poucos destinos brasileiros oferecem essa possibilidade de descer até o subsolo, comer dentro de uma mina e sair com uma pedra preciosa comprada direto do garimpeiro.
Você precisa conhecer Ametista do Sul, entrar numa mina em atividade e depois visitar a Igreja Matriz São Gabriel ao meio-dia para entender por que a maior jazida de ametista do planeta rendeu um dos destinos mais singulares do Sul do Brasil.




