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Início Cidades

Há 400 milhões de anos, o cenário era outro: esse lugar do Brasil já foi mar e deserto e hoje reúne pinturas rupestres, fósseis e vestígios de uma história geológica impressionante

Por Maura Pereira
11/09/2026
Em Cidades, Turismo
Onde já houve mar e deserto: o lugar com 400 milhões de anos no Brasil onde pinturas rupestres e fósseis históricos se juntam no coração da América do Sul

As rochas da Chapada dos Guimarães registram mais de 500 milhões de anos de história geológica. / IMAGEM ILUSTRATIVA

A cerca de 65 km de Cuiabá, a Chapada dos Guimarães reúne paredões de arenito vermelho que atravessam mais de 400 milhões de anos de transformações geológicas. No alto do planalto mato-grossense, cachoeiras de até 86 metros dividem espaço com mirantes voltados para o Pantanal e um ponto simbólico considerado o centro do continente. Entre cerrado, cavernas e sítios arqueológicos, a paisagem revela fósseis marinhos e pinturas rupestres, enquanto a altitude proporciona uma mudança perceptível em relação ao calor da capital, com araras vermelhas cortando o céu no coração da América do Sul.

Como um antigo fundo de oceano virou paisagem de cerrado?

Muito antes de existirem dinossauros, as formações que hoje caracterizam a Chapada dos Guimarães estavam associadas a ambientes marinhos e, posteriormente, a áreas desérticas. A passagem do tempo deixou marcas nas rochas avermelhadas e também registros de antigos organismos: na trilha do Véu de Noiva, por exemplo, podem ser observados moldes de braquiópodes e outros animais marinhos do período devoniano.

A ocupação humana da região também deixou suas próprias marcas. A cidade surgiu como uma missão jesuíta no século XVIII e recebeu seu nome em referência a Guimarães, em Portugal. Atualmente, elementos da arquitetura colonial permanecem no centro histórico, enquanto pinturas rupestres encontradas em diferentes sítios arqueológicos espalhados pelo planalto ajudam a contar a história de seus antigos habitantes. O Ministério do Turismo destaca o destino entre os principais polos de ecoturismo do país.

Onde já houve mar e deserto: o lugar com 400 milhões de anos no Brasil onde pinturas rupestres e fósseis históricos se juntam no coração da América do Sul
Na Chapada dos Guimarães, trilhe até cachoeiras, visite grutas azuis e curta o clima fresco com vistas incríveis do MT. // Créditos: Wikipédia

Como funciona a visita ao parque que protege milhares de hectares de cerrado?

Desde 12 de abril de 1989, o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães protege uma área de 32,6 mil hectares e se consolidou como um dos destinos naturais mais procurados do Brasil. Somente em 2023, mais de 147 mil pessoas passaram pela unidade, conforme dados oficiais do Instituto Chico Mendes (ICMBio).

O acesso ao parque é gratuito e ocorre diariamente, mas as regras variam conforme o atrativo. Cidade de Pedra, Vale do Rio Claro e Morro de São Jerônimo dependem de agendamento antecipado e acompanhamento de condutor autorizado. Já locais como o Mirante do Véu de Noiva e a Cachoeira dos Namorados podem ser visitados por meio de trilhas autoguiadas, seguindo as orientações do ICMBio.

Quais paisagens merecem entrar no roteiro da Chapada?

Em uma área relativamente concentrada, a Chapada dos Guimarães reúne paredões, quedas-d’água, cavernas e pontos panorâmicos. Parte dos atrativos está dentro do parque nacional, enquanto outras experiências ficam distribuídas pelo município e arredores.

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  • Cachoeira Véu de Noiva: queda de 86 metros formada pelo rio Coxipó, avistada a partir de um mirante depois de uma trilha de 550 metros. É um dos principais cartões-postais do parque.
  • Cidade de Pedra: formações de arenito moldadas pela erosão criam um cenário rochoso com mirante voltado para o vale.
  • Morro de São Jerônimo: ponto culminante do parque, acessado por uma travessia que inclui possibilidade de pernoite no abrigo Casa do Morro.
  • Mirante do Centro Geodésico: localizado a 845 metros de altitude, marca simbolicamente um ponto equidistante 1.600 km dos oceanos Atlântico e Pacífico.
  • Caverna Aroe Jari: uma das maiores cavernas de arenito do Brasil, com aproximadamente 1.400 metros de extensão e inscrições rupestres.
  • Circuito das Cachoeiras: roteiro que passa por diferentes quedas e poços naturais onde é possível tomar banho, com agendamento realizado pelo ICMBio.

Quais sabores representam a cozinha da Chapada dos Guimarães?

A mesa da região aproveita ingredientes e preparos associados ao cerrado e à tradição pantaneira, especialmente os peixes de rio. Em Chapada dos Guimarães, restaurantes, lanchonetes e barracas concentram boa parte das opções gastronômicas no centro e nas proximidades da praça principal.

  • Pintado na telha: peixe de rio preparado e servido sobre a própria telha, acompanhado de farofa, banana frita e arroz, em uma receita ligada à culinária pantaneira.
  • Mojica de pintado: ensopado preparado com peixe e mandioca, tradicional do Mato Grosso e servido em panela de barro.
  • Tapioca recheada: encontrada nas barracas da praça central, com versões doces e salgadas, incluindo recheios como carne seca e doce de leite.
  • Furrundu: sobremesa feita com mamão verde, rapadura e gengibre, tradicional na culinária regional.

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?

A estação seca é a melhor para trilhas e cachoeiras, com céu aberto e temperaturas amenas. No verão, as chuvas intensas aumentam o volume das quedas, mas algumas trilhas podem ficar interditadas.

☀️ Verão
Dezembro a Fevereiro
22°C a 31°C
Chuva Alta
Época das águas na região. O cenário ideal para contemplar as cachoeiras cheias e aproveitar revigorantes banhos de rio na Chapada.
🌊 Cachoeiras & Águas
🍂 Outono
Março a Maio
20°C a 30°C
Chuva Média
Com a diminuição das chuvas, o período se torna excelente para desbravar diversas trilhas e visitar as incríveis formações da Cidade de Pedra.
🥾 Trilhas & Rochas
❄️ Inverno
Junho a Agosto
15°C a 29°C
Chuva Baixa
Temporada seca com céu limpo e noites amenas. Perfeito para apreciar as paisagens nos mirantes e curtir o tradicional Festival de Inverno.
⭐ Festival & Mirantes
🌺 Primavera
Setembro a Novembro
20°C a 33°C
Chuva Média
O calor se eleva antes das chuvas regulares. Uma ótima oportunidade para a observação de aves nativas e para encarar grandes travessias guiadas.
🦜 Aves & Aventuras

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Onde já houve mar e deserto: o lugar com 400 milhões de anos no Brasil onde pinturas rupestres e fósseis históricos se juntam no coração da América do Sul
Chapada dos Guimarães fascina com paredões imensos, trilhas mágicas e energia mística que renovam a alma no Centro Geodésico do Brasil! // Créditos: Wikipédia

Leia também: A “Cidade Azul” impressiona ao combinar turismo termal, herança indígena e a primeira ferrovia do estado.

Como chegar ao planalto mato-grossense?

A Chapada dos Guimarães fica a cerca de 65 km de Cuiabá pela MT-251, em trajeto de aproximadamente 1 hora de carro. O aeroporto mais próximo é o Marechal Rondon, em Várzea Grande, com ônibus que partem da rodoviária da capital várias vezes ao dia.

Suba a serra e descubra a Chapada dos Guimarães

O planalto mato-grossense guarda uma soma rara de cerrado, fósseis marinhos e cachoeiras de tirar o fôlego a uma hora da capital. Poucos destinos brasileiros combinam tantas camadas de história em paisagens tão amplas.

Você precisa subir a serra e conhecer a Chapada dos Guimarães, o lugar onde se pisa sobre fundo de oceano e se avista o Pantanal do alto.

Tags: chapada guimarãescuiabá
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