A compra de uma casa recém-reformada por R$ 850 mil parecia ter encerrado meses de procura para o casal Gustavo Ribeiro e Fernanda Martins. Mas, logo na primeira temporada de chuvas após a mudança, infiltrações apareceram em quatro cômodos, levando a família a descobrir que o telhado havia recebido apenas reparos parciais antes da venda.
Casa reformada chamou atenção durante as visitas
Gustavo e Fernanda procuravam um imóvel pronto para morar com os dois filhos e escolheram a casa depois de visitá-la três vezes. Pintura nova, cozinha renovada e paredes sem marcas aparentes reforçavam a impressão de que a reforma recente havia resolvido problemas antigos da construção.
Durante a negociação, o antigo proprietário, Ricardo Menezes, explicou que havia realizado melhorias antes de colocar o imóvel à venda. Como não havia sinais visíveis de umidade nas visitas, feitas durante um período sem chuvas fortes, o casal não imaginou que o telhado ainda poderia exigir uma intervenção maior.
Primeiras chuvas revelaram infiltrações em quatro pontos da casa
O problema começou algumas semanas depois da mudança. Após dois dias de chuva, Fernanda percebeu uma mancha no teto de um dos quartos e outra próxima à janela da sala. Na chuva seguinte, surgiram sinais semelhantes no segundo quarto e em uma área próxima à cozinha.
A família inicialmente imaginou que fossem falhas isoladas em calhas ou telhas deslocadas. Com a continuidade das chuvas, porém, a água começou a atingir novamente os mesmos pontos, e parte da pintura recém-feita passou a apresentar bolhas e descascamento.
Gustavo então chamou o profissional fictício Paulo Siqueira, responsável por avaliar a cobertura. Ao subir no telhado, ele constatou que havia telhas substituídas recentemente em algumas áreas, enquanto outros trechos continuavam com componentes desgastados e sinais de reparos localizados.

Avaliação indicou que o conserto anterior não abrangia todo o telhado
Segundo a avaliação recebida pela família no relato, a intervenção anterior parecia ter sido concentrada nos pontos que apresentavam problemas mais evidentes. Isso significava que a casa havia passado por manutenção parcial, e não por uma recuperação completa da cobertura.
O detalhe mudou a percepção dos compradores. Gustavo afirma que entendeu, durante a negociação, que a reforma deixava o imóvel em condições de uso sem necessidade de obras relevantes no curto prazo. Para ele, saber que parte do telhado continuava antiga poderia ter influenciado tanto a decisão de compra quanto o valor oferecido.
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Antigo proprietário diz que realizou os reparos que considerou necessários
Procurado por Gustavo, Ricardo respondeu que realmente havia contratado um profissional antes da venda, mas afirmou que nunca disse ter substituído todo o telhado. Segundo sua versão, foram realizados os consertos recomendados naquele momento, e ele não teria enfrentado infiltrações da mesma proporção enquanto morava no imóvel.
Essa diferença entre o que os compradores acreditavam estar adquirindo e o que efetivamente foi reformado passou a ser o centro da discussão. A família começou a reunir fotografias do anúncio, mensagens trocadas durante a negociação, contrato, comprovantes e registros das infiltrações para entender se havia alguma referência explícita ao estado da cobertura.
Também passou a documentar os danos antes de iniciar um reparo definitivo. Fotografias, vídeos, avaliações técnicas e orçamentos podem ajudar a demonstrar quando e onde os problemas apareceram, evitando que uma intervenção posterior elimine elementos importantes para esclarecer a origem do defeito.
Defeito que não era aparente pode exigir análise do contrato e das provas
Problemas encontrados depois da compra de um imóvel não significam automaticamente que o antigo proprietário terá de pagar qualquer reparo. É necessário avaliar se o defeito já existia na época da negociação, se poderia ser identificado normalmente pelo comprador e quais informações foram efetivamente prestadas sobre a condição da casa.
O Código Civil trata dos chamados vícios ou defeitos ocultos nos artigos 441 a 446. O artigo 441 prevê situações em que um defeito oculto pode tornar o bem impróprio ao uso a que se destina ou reduzir seu valor, enquanto os dispositivos seguintes tratam de possíveis consequências e prazos.
Família precisa identificar a origem da infiltração antes de definir os próximos passos
Para Gustavo e Fernanda, a prioridade agora é descobrir tecnicamente a extensão do problema. Antes de simplesmente substituir peças do telhado, eles precisam saber quais pontos permitem entrada de água, se existem danos na estrutura e quanto da cobertura realmente necessita de reparo ou substituição.
Com um diagnóstico documentado, a família também poderá comparar o estado encontrado com as informações recebidas durante a compra e procurar orientação jurídica caso entenda que houve um problema preexistente não informado. Como os prazos e responsabilidades dependem das circunstâncias de cada negociação, o mais seguro é preservar documentos e buscar avaliação específica antes de assumir que todo o custo do conserto pertence necessariamente ao comprador ou ao vendedor.




