Uma mistura de argamassa para azulejos, cimento branco, água e selador ganhou atenção como alternativa para fechar pequenas fissuras e pontos de infiltração em coberturas. A receita pode funcionar como reparo localizado em algumas situações, mas não deve ser confundida com um sistema completo de impermeabilização.
Como é feita a mistura divulgada para fechar fissuras
A receita foi publicada pela Radio Mitre, a partir de um conteúdo associado ao engenheiro Daniel RG. A proposta utiliza um balde de 19 litros com água até aproximadamente a metade, além de 10 kg de pega-azulejo, 5 kg de cimento branco e 2 litros de selador ou resina.
Os componentes são misturados até formar uma massa homogênea, que deve ser aplicada sobre o ponto danificado, pressionando o material contra a abertura. A ideia é preencher fissuras superficiais e pequenas falhas por onde a água consegue penetrar.
O que entra na receita
As proporções divulgadas são específicas e não devem ser confundidas com as instruções de preparo de uma argamassa industrializada comum. A fórmula apresentada reúne quatro componentes:
- aproximadamente meio balde de 19 litros de água;
- 10 kg de argamassa para assentamento de azulejos;
- 5 kg de cimento branco;
- 2 litros de selador ou resina.
Argamassa para azulejo não é impermeabilizante
Esse é o principal cuidado antes de reproduzir o método. A própria Quartzolit explica que até a argamassa colante ACIII, conhecida pela alta aderência, não substitui impermeabilizantes como mantas líquidas e outros produtos desenvolvidos especificamente para bloquear a passagem de água.
Isso significa que a presença de argamassa na mistura não transforma automaticamente o reparo em uma impermeabilização permanente. Além disso, produtos industrializados são formulados para trabalhar com condições específicas de preparo e aplicação, por isso misturar cimento ou outros materiais pode produzir um comportamento diferente daquele informado pelo fabricante.
Na prática, uma massa desse tipo faz mais sentido como reparo pontual em pequenas aberturas do que como solução para uma laje inteira. Quando existem vários pontos de entrada de água, infiltração espalhada ou falhas antigas, o problema normalmente exige tratamento mais amplo da cobertura.
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A preparação da superfície influencia o resultado
Aplicar qualquer massa sobre poeira, tinta solta ou partes frágeis reduz a chance de boa aderência. A área precisa estar firme e limpa, com remoção dos resíduos que possam impedir o contato do material com a base; essa preparação também aparece nas orientações técnicas de fabricantes de sistemas de construção.
Outro ponto é identificar de onde a água realmente entra. Uma mancha no teto interno pode aparecer distante do ponto de entrada na cobertura, porque a água pode percorrer a estrutura antes de ficar visível; por isso, localizar a origem da infiltração é mais importante do que simplesmente cobrir a mancha.

Quando o reparo caseiro deixa de ser indicado
Problemas recorrentes, várias fissuras, áreas com água acumulada ou movimentação da estrutura pedem uma avaliação diferente. A Vedacit orienta, por exemplo, tratamentos próprios para fissuras em lajes e telhados, incluindo produtos impermeabilizantes e reforços adequados ao tipo de superfície.
Também é preciso observar calhas, ralos, encontros entre paredes e cobertura, telhas danificadas e regiões ao redor de tubulações. Se o defeito estiver nesses pontos, cobrir apenas a fissura pode não impedir que a água encontre outro caminho durante as próximas chuvas.
O que fazer antes de tentar fechar a goteira
Antes de aplicar a mistura, identifique o ponto de entrada da água, limpe a superfície e verifique se o problema está restrito a uma pequena fissura. Se houver trincas maiores, infiltração generalizada ou sinais de movimentação da estrutura, a opção mais segura é buscar diagnóstico profissional e um sistema de impermeabilização compatível com a cobertura, em vez de tratar a receita caseira como solução definitiva.




