Lucas abriu o aplicativo do banco e viu um saldo extra de R$ 4 mil vindo de uma chave desconhecida, achou que era um golpe de sorte e gastou tudo no final de semana pagando dívidas pessoais. Esse engano atinge diariamente centenas de correntistas em todo o Brasil. A Polícia Civil esclarece que reter dinheiro transferido por erro não é presente da sorte, mas crime de apropriação de coisa havida por erro punível com processo criminal.
Qual é o crime cometido por quem gasta dinheiro transferido por erro?
O artigo 169 do Código Penal Brasileiro (Decreto-Lei nº 2.848/1940) tipifica expressamente como crime a conduta de apropriar-se de coisa alheia vinda ao seu poder por erro, caso fortuito ou força da natureza. A pena varia de 1 mês a 1 ano de detenção ou aplicação de multa.
Gastar os recursos ciente de que não é o titular do crédito configura quebra do dever de boa-fé e enriquecimento sem causa previsto no artigo 876 do Código Civil. A ilusão popular de que “achado não é roubado” não tem validade jurídica perante as leis criminais vigentes.

Qual é o procedimento técnico obrigatório ao receber um Pix inesperado?
O correntista que notar a entrada atípica de valores deve utilizar o mecanismo de devolução nativo do aplicativo do próprio banco. O Banco Central padronizou a ferramenta “Devolver este pagamento”, que remete a quantia exata de volta à conta bancária de origem sem intermediários.
Para evitar riscos de golpes reversos e cumprir rigorosamente as normas bancárias, confira a comparação técnica a seguir:
| Ação do Recebedor | Procedimento Correto e Seguro | Risco Jurídico Grave |
| Uso da Ferramenta Oficial | Devolver pelo botão oficial do app bancário | Devolução rastreável perante o Banco Central |
| Transferência Direta Avulsa | Jamais fazer nova transferência avulsa | Risco de golpe do MED e duplicidade de saída |
| Gasto dos Recursos | Reter o saldo para pagamento pessoal | Indiciamento policial por apropriação indébita |
O que é o Mecanismo Especial de Devolução (MED) criado pelo Banco Central?
O Mecanismo Especial de Devolução (MED) é o sistema oficial que permite a quem digitou a chave errada ou foi vítima de fraude acionar a instituição financeira para bloquear e estornar o valor administrativamente. Se o saldo já tiver sido sacado, a conta recebedora pode entrar no limite de cheque especial.
Para entender como agir ao se deparar com transferências acidentais de terceiros, analise o card estruturado a seguir:
Como proceder caso alguém entre em contato exigindo a devolução urgente?
Criminosos utilizam transferências de contas laranjas seguidas de pedidos desesperados pelo WhatsApp para aplicar fraudes de triangulação.
Para não ser vítima de armadilhas nem cometer ilícitos civis, execute rigorosamente este protocolo:
- 🛑 Recuse transferências manuais: Jamais faça um novo Pix para outra chave indicada por telefone ou mensagem.
- ↩️ Use apenas a devolução interna: Clique exclusivamente na transação original recebida e escolha a opção “devolver”.
- 🏦 Registre chamado no SAC: Comunique o gerente do seu banco sobre a entrada indevida para registrar sua boa-fé preventiva.
Quais as principais dúvidas sobre dinheiro recebido por engano no Pix?
A responsabilização de quem utiliza recursos depositados acidentalmente gera indagações frequentes. Acompanhe as respostas técnicas a seguir.
Dúvidas Frequentes
Valores creditados por engano permanecem sendo propriedade de quem os enviou. Utilizar o mecanismo oficial de devolução no aplicativo bancário evita problemas com a polícia e preserva a integridade jurídica do titular da conta.




