No leste do Tocantins, a paisagem parece montada para confundir. Há dunas alaranjadas no meio do cerrado, rios que brotam da areia e poços de água transparente onde ninguém consegue afundar. No Jalapão, esses poços, chamados de fervedouros, convivem com um capim de hastes douradas que vira artesanato com selo oficial de origem. Entre a física da água e as regras do capim, a região guarda duas das experiências mais singulares do turismo brasileiro.
Por que ninguém afunda nos fervedouros?
Por causa da água que sobe do subsolo. Segundo o jornal Estado de Minas, o Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) descreve os fervedouros como pontos de ressurgência hídrica, ou seja, lugares onde a água subterrânea brota com força na superfície. O nome popular vem da areia do fundo, que parece ferver enquanto a água sobe.
A física explica a sensação. Segundo o portal Planetaexo, a água sobe por uma fissura no arenito e atravessa uma camada de areia, mantendo os grãos suspensos de forma permanente. Sem um piso firme para se apoiar e com o fluxo empurrando tudo para cima, o corpo do banhista flutua, mesmo que a pessoa tente mergulhar.

O que é o capim dourado?
Uma planta do cerrado que vira artesanato. Segundo a ficha da indicação geográfica publicada pela rede internacional Origin, o capim dourado é retirado dos campos úmidos do Jalapão, tem vida de 5 a 10 anos e é costurado com a seda do buriti, outra planta da região, em uma técnica herdada das comunidades quilombolas.
A planta tem nome científico. Um estudo publicado em revista da Universidade de Brasília (UnB) identifica o capim dourado como Syngonanthus nitens e registra que a Associação dos Artesãos em Capim Dourado da Região do Jalapão é a titular do selo de origem, que abrange seis municípios, entre eles Mateiros e Ponte Alta.
Por que a colheita só começa em 20 de setembro?
Para que a planta se renove. Segundo o portal Planetaexo, uma portaria do Naturatins determina que o capim dourado só pode ser colhido entre 20 de setembro e 30 de novembro, apenas por extrativistas cadastrados, e que as flores sejam espalhadas no solo para que a planta volte a se semear. O Canal Rural registra que a regra que marca o início da colheita em 20 de setembro era vista como um avanço para a preservação da espécie.
O artesanato também ganhou proteção. Segundo um mapa de indicações geográficas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o artesanato em capim dourado da Região do Jalapão recebeu a Indicação de Procedência em 30 de agosto de 2011. O Canal Rural registra que foi o primeiro artesanato a receber esse tipo de selo do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
O que visitar no Jalapão?
A região combina água, areia e cultura tradicional. Estes são alguns dos principais destaques.

Como é o clima no Jalapão ao longo do ano?
A região tem duas estações bem marcadas. Em Mateiros, principal base para visitar o parque, janeiro registra 256 mm de chuva em média, enquanto julho e agosto praticamente não têm chuva, e as máximas chegam a 33°C em setembro.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo, com dados de Mateiros. Condições podem variar.
Uma região de água que flutua e capim que brilha
O Jalapão reúne dois fenômenos que parecem impossíveis. Nos fervedouros, a água que brota do subsolo mantém o corpo na superfície; nos campos, o capim dourado cresce, é colhido em época definida e vira artesanato com selo de origem nas mãos das comunidades tradicionais. Proteger essas duas riquezas é o que mantém vivo um dos destinos mais surpreendentes do cerrado brasileiro.
Você precisa flutuar em um fervedouro do Jalapão, caminhar pelos campos de capim dourado e conhecer as artesãs que tecem a planta para entender por que essa região do Tocantins encanta tanto.




