Em meio à curva do Rio Paraíba do Sul, Volta Redonda nasceu de uma paisagem que acabou batizando o município e, décadas depois, tornou-se um dos símbolos da industrialização brasileira. Conhecida como Cidade do Aço, a cidade construiu sua identidade ao redor da siderurgia, mas hoje combina esse passado industrial com áreas verdes, serviços, cultura e uma estrutura urbana que vai muito além das chaminés da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).
Como a siderurgia transformou Volta Redonda em cidade?
A história moderna de Volta Redonda começou em 9 de abril de 1941, quando teve início a construção da Companhia Siderúrgica Nacional, resultado dos chamados Acordos de Washington. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil ofereceu uma base militar em Natal aos aliados e, em contrapartida, recebeu financiamento do governo dos Estados Unidos para a implantação da usina. Trabalhadores de diferentes partes do país chegaram para participar da obra e ficaram conhecidos como “arigós”, segundo registros da Prefeitura de Volta Redonda.
A produção de aço começou em 1946, e a usina passou a fornecer material para grandes obras brasileiras, incluindo a construção de Brasília, os metrôs do Rio de Janeiro e de São Paulo e a Avenida Atlântica. A emancipação de Volta Redonda ocorreu em 1954, quando o município se separou de Barra Mansa. A própria CSN ajudou a desenhar a nova cidade, seguindo o modelo de company town, com moradias, escolas, hospital e espaços de lazer destinados aos trabalhadores. Mesmo após a privatização da empresa, em 1993, parte dessa estrutura permaneceu incorporada à paisagem urbana.

O que muda na rotina de quem vive em Volta Redonda?
Com aproximadamente 279 mil habitantes, Volta Redonda apresenta um IDH de 0,771, índice que está entre os quatro maiores do estado do Rio de Janeiro, conforme dados do IBGE. A influência histórica da CSN ainda pode ser percebida na organização de áreas como Vila Santa Cecília e Aterrado, onde ruas arborizadas, praças e ciclovias ajudam a compor uma estrutura urbana voltada ao cotidiano dos moradores.
A presença de instituições de ensino superior também movimenta a cidade. O Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA) e um campus da Universidade Federal Fluminense (UFF) recebem estudantes de diferentes municípios do entorno, fortalecendo a oferta educacional regional. Para além da rotina local, a localização permite chegar a destinos turísticos como Angra dos Reis, a cerca de 110 km, e Penedo, ampliando as alternativas de lazer nos fins de semana.
Volta Redonda é o coração industrial do Sul Fluminense. O vídeo é do canal De fora em Juiz de Fora, com 63 mil inscritos, e detalha a CSN, o Zoológico Municipal e a Vila Santa Cecília: 63 mil inscritos.
O que conhecer além das chaminés?
A cidade guarda mais verde do que o apelido industrial sugere. Parques, um zoológico gratuito e espaços culturais ocupam boa parte do perímetro urbano.
- Zoológico Municipal (Zoo-VR): único zoológico público e gratuito do interior do estado, com 150 mil m² de área em meio à Mata Atlântica. Abriga cerca de 377 animais de 105 espécies, incluindo onça-pintada e macaco-aranha. Recebe cerca de 6 mil visitantes por mês.
- Parque Natural Municipal Fazenda Santa Cecília do Ingá: 211 hectares de Mata Atlântica com trilhas ecológicas dentro do perímetro urbano.
- Floresta da Cicuta: remanescente de Mata Atlântica no entorno do zoológico, com fauna e flora preservadas.
- Museu da CSN: primeiro museu voltado à siderurgia no Brasil, com máquinas, fotos e documentos que contam a história da usina e dos operários.
- Vila Santa Cecília: bairro planejado pela CSN, com praças, comércio variado e vida noturna concentrada em um raio de poucas quadras.

Feijão tropeiro e influência mineira à mesa
A proximidade com Minas Gerais marca a gastronomia local. Os restaurantes do centro e do Aterrado servem pratos que misturam tradição fluminense e mineira.
- Feijão tropeiro: prato presente em praticamente todos os restaurantes de comida caseira da cidade.
- Doce de leite e queijos artesanais: herança direta dos vizinhos mineiros, vendidos no Mercado Popular e em feiras de bairro.
- Cachaças regionais: produzidas em alambiques do Vale do Paraíba, com rótulos que aparecem nas barracas do Mercado Popular.
Quando o clima favorece cada tipo de programa?
A altitude de 390 metros e o vale do Paraíba criam um clima tropical ameno. O inverno é seco e fresco, ideal para passeios culturais. O verão é quente, com chuvas concentradas à tarde.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Volta Redonda partindo do Rio de Janeiro?
A 130 km do Rio de Janeiro e aproximadamente 320 km de São Paulo, Volta Redonda está diretamente conectada às duas maiores metrópoles do Sudeste pela Rodovia Presidente Dutra (BR-116). Para quem sai da capital fluminense, a viagem de carro costuma levar cerca de 1h40, enquanto ônibus intermunicipais fazem o percurso ao longo do dia.
Quem chega de avião precisa utilizar um aeroporto de outra cidade, já que Volta Redonda não possui aeroporto comercial. O Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, é uma das alternativas para completar o trajeto por estrada.
Como a Cidade do Aço transformou sua paisagem?
A antiga imagem industrial de Volta Redonda divide espaço hoje com áreas arborizadas, instituições de ensino e espaços de lazer. A cidade mantém marcas de sua história ligada à CSN, mas incorporou novos usos ao território, criando uma rotina urbana que vai além da atividade siderúrgica.
Entre os símbolos dessa transformação está o zoológico municipal, instalado em uma área de Mata Atlântica e com entrada gratuita. Já regiões como Vila Santa Cecília mostram outra face do município, com comércio, praças e espaços para circulação. O resultado é uma cidade que preserva sua memória industrial enquanto amplia as possibilidades de convivência com áreas verdes.



