A cerca de 260 km de São Luís, no litoral norte do Maranhão, os Lençóis Maranhenses formam um dos cenários naturais mais incomuns do Brasil. São 155 mil hectares de dunas brancas intercaladas por milhares de lagoas sazonais, paisagem que ganhou ainda mais projeção internacional em 2024, quando a UNESCO reconheceu o parque como Patrimônio Natural da Humanidade.
Como as dunas e lagoas formaram um dos cenários mais raros do planeta?
Criado em 2 de junho de 1981, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A unidade possui 156.608 hectares de restinga, manguezais, dunas e costa oceânica, abrangendo os municípios de Barreirinhas, Santo Amaro do Maranhão e Primeira Cruz.
A paisagem muda de acordo com o regime das chuvas, responsável por preencher as lagoas que aparecem entre as dunas. Aproximadamente dois terços da área são ocupados por dunas móveis que avançam de 5 a 25 km para o interior e chegam a 40 metros de altura. Entre janeiro e junho, as chuvas alimentam o lençol freático e dão origem às lagoas interdunares. Em 2024, o parque recebeu cerca de 440 mil visitantes, tornando-se o sexto parque nacional mais visitado do Brasil.

Quando as lagoas dos Lençóis ficam mais bonitas?
O melhor momento para conhecer os Lençóis Maranhenses está diretamente ligado ao ciclo das chuvas e ao preenchimento das lagoas. As precipitações mais intensas acontecem entre janeiro e maio, acumulando água entre as dunas. A partir de junho, com o retorno dos dias mais ensolarados, as piscinas naturais atingem seu melhor período, com águas transparentes em tons de azul e verde.
Julho e agosto costumam concentrar o maior movimento, impulsionado pelas férias escolares brasileiras e pela presença de turistas europeus durante a alta temporada. Setembro ainda oferece boas condições com menos visitantes. Depois de outubro, muitas lagoas começam a diminuir, enquanto entre novembro e janeiro boa parte das piscinas naturais desaparece, embora as dunas continuem formando uma paisagem impressionante.
Qual das três bases escolher para conhecer o parque?
Os Lençóis Maranhenses são extensos demais para serem explorados a partir de um único ponto, e cada uma das principais portas de entrada oferece uma experiência diferente. A escolha da base influencia tanto os passeios disponíveis quanto o ritmo da viagem.
- Barreirinhas: principal porta de entrada, concentra a maior estrutura de hospedagem e agências. É a base dos tradicionais Circuito Lagoa Azul e Circuito Lagoa Bonita, este último conhecido pela subida de uma duna íngreme que leva a um dos panoramas mais famosos do parque.
- Santo Amaro do Maranhão: apresenta uma atmosfera mais rústica e preservada e permite chegar rapidamente às lagoas localizadas no interior do parque, como Lagoa da Andorinha, Lagoa da Gaivota e Lagoa da Esperança, considerada a única que permanece cheia durante todo o ano.
- Atins: antiga vila de pescadores situada onde o Rio Preguiças encontra o oceano, combina ruas de areia, clima descontraído e forte presença do kitesurf durante a temporada de ventos.
Quais experiências vão além das lagoas?
Os Lençóis oferecem muito mais do que caminhadas entre dunas e mergulhos nas piscinas naturais. Passeios fluviais, voos panorâmicos e travessias a pé permitem observar diferentes paisagens do parque, e a escolha depende do tempo disponível e do tipo de experiência procurada.
- Circuito Lagoa Azul: roteiro tradicional com paradas em três ou quatro lagoas próximas de Barreirinhas.
- Circuito Lagoa Bonita: inclui uma subida íngreme pela duna e proporciona uma das vistas panorâmicas mais conhecidas dos Lençóis.
- Passeio pelo Rio Preguiças: percurso de lancha com paradas em Vassouras, Mandacaru, onde fica o farol, e Caburé, na região de encontro do rio com o mar.
- Flutuação no Rio Formiga: atividade realizada no povoado de Cardosa, com águas claras cercadas por vegetação preservada.
- Sobrevoo de avião: permite observar do alto a extensão das dunas e as lagoas coloridas, com saída contratada em Barreirinhas.
- Travessia dos Lençóis: caminhada de aproximadamente três dias entre Santo Amaro e Atins, indicada para quem deseja passar mais tempo dentro do parque.
- Kitesurf em Atins: os ventos constantes entre agosto e janeiro transformam a vila em um dos principais pontos da região para praticantes do esporte.

Como é o clima nos Lençóis Maranhenses
A região tem clima tropical quente, com temperaturas altas o ano inteiro e duas estações bem marcadas. O verão é chuvoso e enche as lagoas; o resto do ano é seco.
Temperaturas aproximadas com base em dados do ICMBio. Condições podem variar.
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Qual é o caminho até os Lençóis Maranhenses?
São Luís concentra a principal porta de entrada aérea para quem pretende visitar os Lençóis Maranhenses. O Aeroporto Internacional Marechal Cunha Machado fica na capital maranhense, de onde são cerca de 260 km até Barreirinhas, percurso realizado em aproximadamente quatro a cinco horas pelas rodovias BR-135, MA-402 e MA-225.
Santo Amaro está a cerca de 240 km de São Luís, por um trecho de estrada mais rústico. Já Atins pode ser alcançada a partir de Barreirinhas em lancha pelo Rio Preguiças ou em veículos 4×4 pela praia. Durante a alta temporada, também existem voos regionais com destino a Barreirinhas.
Onde as dunas se transformam em lagoas azuis?
Os Lençóis Maranhenses concentram em aproximadamente 156 mil hectares uma paisagem que parece impossível de existir: dunas brancas que se enchem de água e formam piscinas naturais conforme o ritmo das chuvas. O reconhecimento da UNESCO reforçou a importância desse cenário, cuja aparência muda constantemente de acordo com a estação.
A experiência de subir uma duna e observar as lagoas se espalhando pelo horizonte revela por que o parque se tornou um dos grandes patrimônios naturais do Brasil. Ao amanhecer, quando a luz transforma as areias e a água em diferentes tons, os Lençóis mostram uma paisagem que dificilmente pode ser confundida com qualquer outro lugar.



