Um arquipélago de 21 ilhas vulcânicas a 545 km do continente já foi prisão política, base militar americana e posto de mísseis durante a Segunda Guerra Mundial. Hoje, Fernando de Noronha é Patrimônio Natural da Humanidade e abriga a praia que colecionou títulos de melhor do mundo.
Da prisão política ao Patrimônio Mundial da Humanidade
O arquipélago tem 21 ilhas de origem vulcânica no meio do Oceano Atlântico, sendo a ilha principal a única habitada, com 17 km² de área. Durante séculos, o isolamento serviu para funções militares e penitenciárias. Foi prisão política, base de apoio aos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial e Posto de Observação de Mísseis Teleguiados.
O rumo mudou em 14 de setembro de 1988, com a criação do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha pelo Decreto nº 96.693. Segundo a Prefeitura, a área protegida ocupa 70% do território total, o equivalente a 11.270 hectares divididos entre a ilha principal e as demais 20 ilhas do arquipélago.
Em dezembro de 2001, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) declarou o arquipélago Patrimônio Natural da Humanidade, junto com o Atol das Rocas. O reconhecimento veio pelo excepcional valor universal do ecossistema e transformou definitivamente a ilha em um dos destinos mais cobiçados do Brasil.

O que fazer entre as 16 praias e os pontos de mergulho?
A ilha divide as praias entre o mar de dentro, protegido pela costa entre maio e outubro, e o mar de fora, agitado. São 24 pontos de mergulho catalogados, com visibilidade que chega a 50 metros e águas a 26°C o ano inteiro.
- Baía do Sancho: eleita diversas vezes como a melhor praia do mundo pelo prêmio Travellers’ Choice. O acesso é feito por escadas verticais dentro de uma fenda na rocha ou por barco.
- Praia do Leão: uma das mais selvagens do arquipélago, área de conservação onde tartarugas-verdes desovam entre dezembro e maio.
- Baía do Sueste: santuário natural com tubarões e tartarugas convivendo próximos à faixa de areia. Abriga o único manguezal em ilhas oceânicas do Atlântico Sul.
- Baía dos Porcos: piscinas naturais com vista para o Morro Dois Irmãos, cartão-postal formado por duas rochas vulcânicas simétricas.
- Baía dos Golfinhos: o mirante permite ver golfinhos-rotadores dando saltos e rodopios no alvorecer, entrada natural das águas do parque.
- Praia da Atalaia: aquário natural com visitação limitada e monitorada, um dos passeios mais procurados do parque.
Um dos maiores santuários de vida marinha do Brasil
O ecossistema abriga cerca de 230 espécies de peixes, 15 tipos de corais e mais de 10 espécies de tubarões. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o arquipélago é uma das áreas mais importantes para reprodução de aves marinhas do Atlântico.
Os golfinhos-rotadores viraram símbolo do ecoturismo local. Chegam pela manhã à Baía dos Golfinhos para descanso e reprodução, coreografia natural observada de mirantes com passadiços de madeira. A ilha também recebe tartarugas-verdes e tartarugas-de-pente, que voltam anualmente para desovar nas praias mais isoladas.
A gestão da ilha se divide entre duas Unidades de Conservação: o Parque Nacional Marinho (PARNAMAR), administrado pelo ICMBio, e a Área de Proteção Ambiental (APA), sob responsabilidade do Governo de Pernambuco. A entrada no parque tem ingresso próprio, válido por 10 dias, com cerca de 70% da arrecadação revertida para melhorias diretas nas áreas de visitação.

Referência mundial em Plástico Zero e Carbono Neutro
A ilha se destaca por ações ambientais reconhecidas nacionalmente. O programa Plástico Zero baniu descartáveis do arquipélago, e o Carbono Neutro compensa emissões do turismo com plantio de árvores e projetos de reflorestamento. As ações viraram modelo para outras cidades turísticas do país.
A visitação exige o pagamento antecipado da Taxa de Preservação Ambiental, cobrada por dia de permanência. Segundo a Prefeitura Distrital, o valor pode ser pago no aeroporto ou antecipado pelo site oficial do arquipélago, e cobre o funcionamento da APA e dos serviços públicos da ilha.
Os pontos de mergulho variam da profundidade rasa para iniciantes até o Corveta, com 62 metros e navio afundado nas ondas do Atlântico. As águas são consideradas as mais transparentes do Brasil, e escolas certificadas oferecem cursos para quem quer aprender mergulho na própria ilha.
Uma cozinha entre frutos do mar e sabores nordestinos
Os restaurantes ficam concentrados na Vila dos Remédios, coração da ilha, com opções também à beira-mar. A culinária mistura o melhor da tradição pernambucana com ingredientes oceânicos frescos.
- Peixes frescos do dia: atum, cavala e dourado são os mais comuns nos cardápios, servidos grelhados, na crosta de castanhas ou com molhos autorais.
- Lagosta e polvo: itens de destaque nos restaurantes mais tradicionais, servidos ao natural, na chapa ou em preparos elaborados.
- Cuscuz nordestino: presente nas mesas dos hotéis e pousadas, servido no café da manhã com queijo coalho e ovos.
- Frutas tropicais: manga, coco verde, cajá e acerola são consumidas frescas ou em sobremesas com rapadura, herança regional.
- Casquinha de siri: entrada clássica do Nordeste, presente em quiosques da praia e nos restaurantes tradicionais da vila.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
A estação seca vai de agosto a janeiro, ideal para atividades aquáticas e mergulho. Já os surfistas encontram as melhores ondas de dezembro a março, quando o mar de fora fica agitado.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à ilha no meio do Atlântico?
Voos diários partem de Recife, capital de Pernambuco, a 545 km, e de Natal, capital do Rio Grande do Norte, a 360 km. O trajeto aéreo dura em média 1 hora, operado por companhias regulares.
A ilha também recebe cruzeiros marítimos autorizados entre outubro e fevereiro, opção para quem quer combinar Noronha com outros destinos do litoral nordestino. Embarcações particulares podem atracar em áreas específicas, com autorização prévia do ICMBio.
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O Patrimônio Natural mais visitado do Nordeste
Poucos destinos do Brasil reúnem tanta biodiversidade, tanta história militar e tanta beleza cênica em um só arquipélago. Fernando de Noronha prova que dá para transformar uma antiga prisão política no santuário ecológico mais admirado do país.
Você precisa conhecer Fernando de Noronha e mergulhar nas mesmas águas onde golfinhos-rotadores dançam há séculos entre as 21 ilhas vulcânicas do meio do Atlântico.



