Poucos parques nacionais contam a própria história pelo tamanho que ocupam no mapa. No nordeste de Goiás, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, criado em 1961, perdeu e recuperou território ao longo de décadas até chegar a cerca de 240 mil hectares de cerrado protegido, reconhecidos como patrimônio da humanidade. Entre trilhas que cruzam antigos garimpos, quedas de 120 metros e uma seca que quase zera a chuva no inverno, o destino recompensa quem escolhe bem a época da visita.
Por que o parque encolheu e depois voltou a crescer?
Porque a proteção dependeu de decretos que acabaram contestados na Justiça. Segundo relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), o parque foi ampliado de 65.515 para 235.970 hectares em 2001, mesmo ano em que entrou na lista do Patrimônio Mundial ao lado do Parque Nacional das Emas. Em 2003, porém, o Supremo Tribunal Federal anulou o decreto de ampliação, e a área protegida voltou ao tamanho original.
O recuo preocupou o Comitê do Patrimônio Mundial, que chegou a registrar a perda de proteção de 72% da área inscrita. A solução veio em 5 de junho de 2017, Dia Mundial do Meio Ambiente, quando um decreto presidencial ampliou o parque para 240.611 hectares, conforme a avaliação da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

O que ver na Trilha Amarela do parque?
O percurso mais procurado atravessa terrenos íngremes e pedregosos e reúne as principais quedas do Rio Preto, segundo o site oficial do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. No caminho, o visitante passa por áreas de antigos garimpos de cristal de quartzo, que ainda guardam parte da memória cultural da região.
Quais animais ameaçados vivem no parque?
A lista oficial inclui alguns dos bichos mais emblemáticos do Brasil. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o parque protege espécies ameaçadas como a onça-pintada, o lobo-guará, o tamanduá-bandeira, o tatu-canastra e o pato-mergulhão. O instituto também mantém campanhas sobre o impacto de cães e gatos na fauna nativa, um alerta para moradores e visitantes da região.
A avaliação da IUCN reforça o papel do parque como abrigo para espécies do cerrado que precisam se adaptar às mudanças climáticas. O mesmo documento aponta os incêndios nos campos como a principal ameaça à área, com estratégias de manejo do fogo que vêm reduzindo esse risco.

Como é o clima da Chapada dos Veadeiros ao longo do ano?
O ano no cerrado de altitude se divide em dois extremos. Julho registra em média apenas 1 mm de chuva, enquanto novembro chega a 386 mm, e as mínimas ficam em torno de 16°C no inverno.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao parque saindo de Brasília?
O parque fica a cerca de 250 km ao norte da capital federal, segundo a ficha técnica do Centro de Monitoramento da Conservação Mundial (UNEP-WCMC), ligado à ONU. A sede de visitação fica na Vila de São Jorge, no km 36 da GO-239, em Alto Paraíso de Goiás, de acordo com o ICMBio.
O cerrado que resistiu no mapa
A Chapada dos Veadeiros é um destino que se entende melhor caminhando. As trilhas passam por garimpos abandonados, terminam diante de quedas de até 120 metros e revelam um cerrado de altitude que abriga onças, lobos-guará e aves raras. Por trás da paisagem, há também uma história de persistência: um parque que perdeu quase três quartos da área protegida e voltou a ser ampliado, sustentado pelo reconhecimento internacional como patrimônio da humanidade.
Você precisa chegar à Vila de São Jorge numa manhã seca de julho, calçar as botas e seguir a Trilha Amarela até o mirante do Rio Preto para entender por que esse pedaço de Goiás vale cada curva da estrada.




