No centro do Mato Grosso, na área de encontro entre Amazônia, Pantanal e Cerrado, Cuiabá enfrenta temperaturas superiores a 40 °C no verão e vai muito além da imagem ligada à produção de soja e à criação de gado. A capital mais quente do Brasil preserva igrejas construídas no século XVIII, mantém uma gastronomia baseada nos peixes dos rios e está a apenas 65 km da Chapada dos Guimarães.
Como uma descoberta inesperada transformou Cuiabá?
A história começou em 1718, quando o bandeirante sorocabano Pascoal Moreira Cabral avançou pelo rio Coxipó procurando indígenas para escravizar. Depois de ser derrotado pelos coxiponés, encontrou pepitas de ouro nas margens do rio. No ano seguinte, em 8 de abril de 1719, ele assinou a ata que marcou a fundação do povoado na Forquilha, às margens do Rio Coxipó, garantindo à Capitania de São Paulo os direitos sobre a descoberta.
Existem pelo menos três explicações para a origem do nome Cuiabá, sendo a mais aceita aquela derivada do termo bororo Ikuiapá, associado ao lugar da flecha-arpão utilizada na pesca. O ouro, porém, não durou muito, e o esgotamento das lavras levou a cidade a um longo período de isolamento, agravado pela Guerra do Paraguai entre 1864 e 1870. A retomada do crescimento ocorreu principalmente nas décadas de 1940 e 1970, impulsionada pela construção de Brasília e pelos programas de ocupação do Centro-Oeste.

Como é a rotina na capital do calor?
Com aproximadamente 650 mil moradores, Cuiabá forma junto de Várzea Grande uma conurbação que supera 1 milhão de pessoas. As altas temperaturas influenciam diretamente os hábitos locais: muita gente procura resolver as tarefas durante a manhã e prefere permanecer na sombra após o meio-dia. A arborização urbana ajuda a reduzir a sensação térmica em diferentes bairros.
Entre serviços e agroindústria, a economia movimenta boa parte do dia a dia cuiabano. A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) aparece como principal instituição de ensino superior, enquanto o Parque das Águas reúne pista de caminhada, ciclovia e academia ao ar livre, tornando-se ponto de encontro nas tardes mais amenas. Já a Arena Pantanal, construída para a Copa do Mundo de 2014, continua recebendo partidas e shows.
Cuiabá é apresentada como porta de entrada para o Pantanal e uma joia no coração da América do Sul. O vídeo é do canal Coisas do Mundo, que possui mais de 800 mil inscritos, e mostra a gastronomia pantaneira, o centro histórico colonial e a importância econômica da capital do agronegócio.
Quais lugares conhecer na capital e nos arredores?
Além de servir como ponto de partida para grandes destinos naturais brasileiros, Cuiabá concentra atrações próprias que podem ocupar pelo menos um dia de passeio.
- Centro Histórico: reúne casarões coloniais, a Igreja do Rosário e São Benedito, do século XVIII, e o conjunto tombado pelo IPHAN no entorno da Praça da República.
- Museu do Rio: apresenta a história regional destacando a fauna, a flora e o ciclo do ouro.
- Casa do Artesão: reúne peças de cerâmica, cestaria, tecelagem e esculturas feitas por artistas locais.
- Chapada dos Guimarães: localizada a 65 km pela MT-251, abriga o Parque Nacional, administrado pelo ICMBio, com atrações como a Cachoeira Véu de Noiva, de 86 metros, a Cidade de Pedra e o Mirante do Centro Geodésico, ponto equidistante dos oceanos Atlântico e Pacífico.
- Pantanal: situado a cerca de 100 km ao sul, oferece pousadas pantaneiras com safáris fotográficos, pesca esportiva e observação de onças-pintadas.

Mojica de pintado e arroz Maria Isabel na panela de ferro
A culinária cuiabana é uma fusão de tradições indígenas, africanas e portuguesas, servida em panelas de ferro nos restaurantes do centro e do Mercado do Porto.
- Mojica de pintado: ensopado de peixe com mandioca e temperos regionais, prato que resume a cozinha do rio.
- Arroz Maria Isabel: arroz cozido com carne seca desfiada, símbolo da culinária mato-grossense.
- Pacu assado na brasa: peixe dos rios do Pantanal, servido com farofa de banana.
- Bolo de arroz: acompanhamento onipresente no café da manhã cuiabano, vendido em padarias e feiras.
Quando o calor dá trégua e o que fazer em cada estação?
Cuiabá tem clima tropical com duas estações bem marcadas: a úmida (outubro a abril) e a seca (maio a setembro). O inverno seco é a melhor época para trilhas, passeios no Pantanal e eventos ao ar livre.
Temperaturas aproximadas. Consulte a previsão atualizada no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à capital do Mato Grosso?
O Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, recebe voos diretos de São Paulo, Brasília, Goiânia e outras capitais. Por terra, a BR-163 liga Cuiabá ao sul do país e ao norte, até Santarém (PA). A BR-364 conecta a cidade a Goiânia (890 km) e a Porto Velho (1.450 km).
Visite e aproveite Cuiabá
Cuiabá carrega três séculos de história bandeirante, uma mesa generosa de peixes de rio e a posição geográfica mais central que uma capital brasileira pode ter. Entre o Pantanal ao sul e a Chapada ao norte, a Cidade Verde oferece uma combinação rara de natureza, cultura e vida urbana no meio do continente.
Você precisa enfrentar o calor de Cuiabá pelo menos uma vez, provar uma mojica de pintado no Mercado do Porto e subir até o mirante da Chapada para entender o que significa estar no centro exato da América do Sul.


