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Início Curiosidades

Segundo a psicologia, pessoas que pedem desculpas por tudo não são apenas educadas, mas podem ter baixa autoestima.

Por Daniely Cardoso
27/09/2026
Em Curiosidades
Uma pessoa pode se desculpar ao interromper alguém, cometer um erro ou causar algum incômodo, situações em que o pedido faz sentido.

Uma pessoa pode se desculpar ao interromper alguém, cometer um erro ou causar algum incômodo, situações em que o pedido faz sentido.

Pedir desculpas é uma habilidade importante para reparar relações, mas dizer “desculpa” o tempo todo, inclusive quando não houve erro, pode revelar dificuldade para se posicionar. Em alguns casos, o hábito aparece associado à baixa autoestima, ao medo de desagradar e à necessidade constante de aprovação.

Pedir perdão por tudo não significa apenas boa educação

Uma pessoa pode se desculpar ao interromper alguém, cometer um erro ou causar algum incômodo, situações em que o pedido faz sentido. O padrão chama atenção quando ela pede perdão por expressar uma opinião, fazer uma pergunta, ocupar espaço ou até por acontecimentos que estavam fora de seu controle.

Isso não permite concluir automaticamente que exista um problema psicológico. A frequência das desculpas pode refletir hábitos aprendidos, personalidade, ambiente familiar, experiências anteriores ou uma estratégia para evitar conflitos e manter as relações aparentemente tranquilas.

Entre os sinais descritos está justamente aceitar culpa por situações que não são responsabilidade da pessoa e pedir desculpas sem necessidade.

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Baixa autoestima pode estar por trás das desculpas frequentes

Quando alguém duvida constantemente do próprio valor, pode interpretar pequenas situações sociais como sinais de que está incomodando os outros. Nesse cenário, pedir desculpas funciona como uma tentativa de reduzir a rejeição e receber indiretamente a confirmação de que está tudo bem.

A relação, porém, não é automática nem serve como diagnóstico. Estudos sobre autoestima mostram que seu nível e sua estabilidade podem influenciar diferentes formas de comportamento defensivo, mas uma palavra isolada ou um hábito específico não é suficiente para definir como a pessoa se enxerga ou determinar sua saúde emocional.

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O comportamento também aparece entre pessoas que tentam agradar todos

O chamado people-pleasing ocorre quando alguém coloca repetidamente as necessidades dos outros acima das próprias para evitar desaprovação ou conflito. A Cleveland Clinic aponta que esse padrão pode aparecer junto de baixa autoestima, dificuldade de assertividade, medo de abandono e ansiedade.

Entre os sinais descritos está justamente aceitar culpa por situações que não são responsabilidade da pessoa e pedir desculpas sem necessidade. Com o tempo, esse comportamento pode dificultar a definição de limites, aumentar frustração e fazer com que alguém concorde com coisas que realmente não deseja apenas para evitar desentendimentos.

Quem pede desculpas demais pode ser percebido de outra forma

A frequência também interfere na maneira como os outros interpretam o comportamento. Um estudo publicado no Personality and Social Psychology Bulletin analisou pessoas com diferentes níveis habituais de pedidos de desculpas e encontrou diferenças na percepção social atribuída a elas.

Participantes avaliaram pessoas que se desculpavam frequentemente como mais voltadas às relações interpessoais, mas, em determinadas condições, também como tendo menor assertividade ou capacidade de ação. Isso mostra que pedir perdão pode favorecer a reconciliação, enquanto o excesso pode transmitir uma mensagem diferente daquela que a pessoa pretende comunicar.

Participantes avaliaram pessoas que se desculpavam frequentemente como mais voltadas às relações interpessoais

Nem todo mundo considera as mesmas situações dignas de desculpas

Outra explicação está na maneira como cada indivíduo percebe uma possível ofensa. Um estudo disponível no PubMed mostrou que diferenças na frequência de desculpas estavam relacionadas ao limite usado pelos participantes para considerar determinado comportamento ofensivo.

Isso ajuda a evitar interpretações simplistas. Alguém que se desculpa bastante pode simplesmente identificar mais situações como inconvenientes, enquanto outra pessoa pode considerar os mesmos episódios irrelevantes, o que reforça que frequência, contexto e motivação precisam ser analisados juntos.

Uma desculpa saudável envolve responsabilidade real

Pedir perdão continua sendo uma ferramenta valiosa quando houve dano ou comportamento inadequado. Em entrevista à American Psychological Association, a pesquisadora Karina Schumann explica que uma boa desculpa depende do contexto, mas costuma envolver sinceridade, reconhecimento do dano e responsabilidade pelo que aconteceu.

O problema começa quando “desculpa” deixa de responder a um erro e passa a funcionar como uma espécie de permissão para existir. Trocar algumas dessas respostas automáticas por frases mais diretas, como agradecer pela espera ou simplesmente apresentar uma opinião, pode ajudar a desenvolver uma comunicação mais assertiva sem abandonar a gentileza.

Quando observar o hábito com mais atenção

Quem percebe que pede desculpas continuamente pode começar identificando quando e por quê isso acontece. Se o impulso surge principalmente diante do medo de rejeição, da dificuldade de dizer não ou da sensação constante de estar incomodando, pode ser útil trabalhar autoestima, limites e assertividade, inclusive com apoio profissional quando o padrão causa sofrimento.

Não existe uma quantidade de desculpas que, sozinha, indique baixa autoestima ou qualquer transtorno. O que merece atenção é quando o hábito interfere nas relações, leva a pessoa a assumir culpas indevidas ou impede que suas necessidades sejam expressas; nesse caso, compreender o contexto é muito mais útil do que simplesmente tentar parar de dizer “desculpa”.

Tags: comportamentopsicologiaRelaçõesSaúde
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