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Padrasto inclui nome na certidão do enteado por afeto e descobre obrigação financeira após o divórcio; STF aplica tese da multiparentalidade e determina pagamento de pensão alimentícia acumulada com a do genitor biológico

Por Bruno Vaz
15/08/2026
Em Entretenimento
pensão alimentícia do padrasto

Para incluir o garoto no convênio médico e oficializar o vínculo no cartório, ele formalizou a inclusão de seu nome na certidão.

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Ao registrar o enteado por puro afeto, Carlos não imaginava que passaria a dever a pensão alimentícia do padrasto de forma definitiva ao lado do genitor de sangue. Anos depois, a cobrança financeira veio à tona durante o divórcio da família. A história é fictícia, mas ilustra como o reconhecimento socioafetivo produz obrigações completas na Justiça brasileira.

Como nasceu a decisão de Carlos de registrar o enteado?

Quando começou a conviver com o pequeno Lucas, então com quatro anos, Carlos assumiu voluntariamente todas as tarefas paternas. O carinho diário transformou a convivência em uma relação de verdadeiro pai e filho, repleta de dedicação sincera.

Para incluir o garoto no convênio médico e oficializar o vínculo no cartório, ele formalizou a inclusão de seu nome na certidão. Ele confiava que as decisões do Supremo Tribunal Federal viam o ato apenas como uma homenagem familiar.

pensão alimentícia do padrasto
Ao registrar o enteado por puro afeto, Carlos não imaginava que passaria a dever a pensão alimentícia do padrasto de forma definitiva ao lado do genitor de sangue

O que aconteceu quando a união chegou ao fim?

Quase dez anos depois, o casamento de Carlos terminou e a guarda do jovem ficou com a mãe. Para surpresa do empresário, a ação de alimentos exigiu dele o pagamento mensal de pensão alimentícia integral para o adolescente.

Ele acreditava que o genitor biológico, que sempre pagou um valor mensal, permaneceria como o único devedor. Ao procurar orientação, descobriu que o registro em cartório criou uma obrigação jurídica definitiva que não se desfaz com o fim do relacionamento.

O que a legislação e os tribunais dizem sobre a multiparentalidade?

A resposta para o impasse de Carlos foi fixada no julgamento do Tema 622 de repercussão geral. O tribunal definiu que a paternidade socioafetiva não retira a responsabilidade do pai biológico e autoriza a cumulação dos alimentos.

Além disso, o artigo 227 da Constituição Federal proíbe qualquer distinção entre filhos biológicos e adotivos. Ao assumir a filiação civil, o padrasto passa a ter os mesmos deveres legais atribuídos ao genitor de sangue.

pensão alimentícia do padrasto
Quase dez anos depois, o casamento de Carlos terminou e a guarda do jovem ficou com a mãe.

Quais são os critérios para a divisão dos alimentos entre os dois pais?

A fixação dos valores segue as regras gerais de alimentos descritas no Código Civil brasileiro. O juiz avalia a necessidade do jovem e a renda de cada pai, estabelecendo uma proporção equilibrada entre os responsáveis.

Os critérios analisados na fixação da quantia envolvem os seguintes pontos:

  • Capacidade financeira de cada genitor para suportar os custos sem prejuízo próprio.
  • Necessidades reais do filho para moradia, educação, saúde e lazer.
  • Proporcionalidade da cota calculada individualmente para o pai biológico e o padrasto registral.

As normas familiares existem para punir quem acolhe uma criança?

As regras da multiparentalidade não foram criadas para desestimular o afeto. Elas existem para garantir a proteção integral da criança, impedindo que jovens fiquem desamparados caso os adultos decidam romper os laços amorosos no futuro.

No direito brasileiro, a paternidade não pode ser exercida pela metade. Quem escolhe registrar assume o bônus do convívio e o ônus do sustento, assegurando que o interesse do menor prevaleça sobre qualquer conflito entre os adultos.

Leia também: Ter casos de câncer na família aumenta o risco e a resposta pode surpreender

O que muda quando comparamos a atitude de Carlos com o caminho legal?

A diferença entre a postura de Carlos e as exigências da lei não está na boa intenção, mas no desconhecimento sobre a extensão dos efeitos patrimoniais decorrentes da filiação registral.

A comparação entre a suposição do morador e o que a Justiça determina fica evidente na tabela:

Registro Inclusão em certidão
O que Carlos fez:
Registrou sem avaliar deveres
O que a Justiça determina:
Gera vínculo de filiação pleno
Responsabilidade Divisão do sustento
O que Carlos fez:
Presumiu encargo exclusivo do pai
O que a Justiça determina:
Permite cobrança de ambos os pais
Desconstituição Tentativa de cancelamento
O que Carlos fez:
Tentou revogar após o divórcio
O que a Justiça determina:
Mantém o registro irrevogável
Alimentos Definição da pensão
O que Carlos fez:
Negou obrigação financeira
O que a Justiça determina:
Fixa valor proporcional aos ganhos
Etapa O que Carlos fez O que a Justiça determina
Registro
Inclusão em certidão
Registrou sem avaliar deveres
Gera vínculo de filiação pleno
Responsabilidade
Divisão do sustento
Presumiu encargo exclusivo do pai
Permite cobrança de ambos os pais
Desconstituição
Tentativa de cancelamento
Tentou revogar após o divórcio
Mantém o registro irrevogável
Alimentos
Definição da pensão
Negou obrigação financeira
Fixa valor proporcional aos ganhos

O que se aprende com a história de Carlos?

A história de Carlos é fictícia, mas retrata uma surpresa que atinge famílias em todo o país. O carinho dele não era o problema. O erro foi desconhecer que a filiação socioafetiva produz vínculos definitivos e inseparáveis da obrigação alimentar.

Quem realmente quer reconhecer a filiação socioafetiva precisa seguir esse roteiro: buscar assistência jurídica prévia, compreender a irrevogabilidade do registro e formalizar a declaração perante o cartório com total ciência dos deveres. É um caminho mais burocrático do que um impulso afetivo. Mas protege a dignidade de todos.

Tags: filiação socioafetivamultiparentalidadePensão alimentíciaSTF
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