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Pessoa com deficiência visual tenta contratar serviço anunciado exclusivamente pela internet, mas site impede conclusão da compra com leitor de tela; empresa orienta cliente a pedir ajuda de terceiros para finalizar cadastro

Por Patrick Silva
28/10/2026
Em Notícias
Pessoa com deficiência visual tenta contratar serviço anunciado exclusivamente pela internet, mas site impede conclusão da compra com leitor de tela; empresa orienta cliente a pedir ajuda de terceiros para finalizar cadastro

Falta de acessibilidade em site de compras impede contratação independente por pessoa com deficiência visual. — Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

Noemi, uma consumidora com deficiência visual, tentou contratar um serviço anunciado exclusivamente pela internet, mas encontrou dificuldades para concluir o cadastro utilizando seu leitor de tela. Depois de várias tentativas, procurou o atendimento da empresa e recebeu a orientação de pedir ajuda a outra pessoa para finalizar a compra. A situação é fictícia e ilustra um problema de acessibilidade digital que pode comprometer a autonomia dos consumidores.

Por que Noemi decidiu contratar um serviço pela internet sem precisar de ajuda?

Acostumada a utilizar o computador para estudar, trabalhar e organizar suas atividades, Noemi realizava compras pela internet com auxílio de um leitor de tela. A ferramenta transformava informações digitais em áudio, permitindo que ela navegasse pelos sites com independência e segurança, sem precisar compartilhar dados pessoais com outras pessoas.

Ao encontrar a divulgação de um serviço que atendia às suas necessidades, decidiu realizar a contratação. A empresa informava que todo o procedimento deveria ser concluído pelo site, desde a escolha do plano até o pagamento. Noemi acessou a página e começou a preencher os dados solicitados.

Pessoa com deficiência visual tenta contratar serviço anunciado exclusivamente pela internet, mas site impede conclusão da compra com leitor de tela; empresa orienta cliente a pedir ajuda de terceiros para finalizar cadastro
Falta de acessibilidade em site de compras impede contratação independente por pessoa com deficiência visual. — Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

O que aconteceu quando o leitor de tela não conseguiu identificar os campos do cadastro?

Durante o preenchimento, Noemi percebeu que alguns campos não eram anunciados corretamente pelo leitor de tela. Outros botões apareciam sem identificação, impossibilitando a compreensão de suas funções. Mesmo utilizando comandos de navegação, não conseguia avançar para a etapa final. O sistema impedia a conclusão da compra.

Depois de repetir o procedimento, procurou o atendimento da empresa e explicou a dificuldade. A resposta foi inesperada: um familiar ou amigo poderia preencher o formulário por ela. Noemi questionou a orientação, pois não desejava entregar suas informações cadastrais e financeiras a terceiros para contratar um serviço disponível ao público.

Pessoa com deficiência visual tenta contratar serviço anunciado exclusivamente pela internet, mas site impede conclusão da compra com leitor de tela; empresa orienta cliente a pedir ajuda de terceiros para finalizar cadastro
Falta de acessibilidade em site de compras impede contratação independente por pessoa com deficiência visual. — Imagem ilustrativa gerada por IA para representar a situação descrita no texto; pessoas, locais e elementos visuais não correspondem necessariamente aos reais

O que a legislação brasileira determina sobre acessibilidade em sites comerciais?

O artigo 63 da Lei Brasileira de Inclusão estabelece a obrigatoriedade de acessibilidade em sites mantidos por empresas com sede ou representação comercial no Brasil. A regra busca garantir que pessoas com deficiência consigam acessar informações e utilizar recursos digitais conforme as diretrizes de acessibilidade.

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O Código de Defesa do Consumidor também protege a igualdade nas contratações e o acesso a informações adequadas sobre os serviços oferecidos. Assim, orientar a pessoa a depender de terceiros não elimina o dever de acessibilidade. A existência de uma falha deve ser avaliada conforme as condições efetivas do site.

Quais providências a consumidora pode tomar ao encontrar barreiras para finalizar a compra?

Depois da resposta recebida, Noemi poderia solicitar à empresa uma solução que permitisse contratar o serviço com autonomia. As orientações da Enap sobre formulários acessíveis destacam a importância de campos identificados, navegação por teclado e mensagens de erro compreensíveis. Esses recursos permitem que tecnologias assistivas funcionem adequadamente.

Se a empresa não solucionar a dificuldade, a consumidora poderá recorrer ao Procon ou registrar reclamação pelo Consumidor.gov.br, caso o fornecedor participe da plataforma. Para demonstrar a barreira e a resposta recebida, alguns registros são especialmente importantes:

Acessibilidade digital e direitos do consumidor

Site impede contratação com leitor de tela: quais provas reunir?

Oito registros e medidas importantes para documentar barreiras de acessibilidade, identificar falhas na navegação e solicitar uma alternativa acessível para concluir a contratação do serviço.

Documento ou medida O que verificar e guardar
01 Oferta do serviço Guardar a publicidade que informa as condições e os canais disponíveis para contratação.
02 Endereço do site Registrar a página em que o cadastro deixou de funcionar corretamente.
03 Gravação da navegação Documentar, quando possível, as dificuldades enfrentadas pelo leitor de tela, sem expor informações sensíveis.
04 Descrição dos erros Identificar campos sem nome, botões inacessíveis e mensagens que não foram anunciadas.
05 Informações técnicas Registrar o navegador, o sistema operacional e o leitor de tela utilizados.
06 Protocolo de atendimento Preservar a orientação recebida para solicitar ajuda de terceiros.
07 Solicitação de acessibilidade Pedir formalmente a correção do problema e uma forma acessível de concluir a contratação.
08 Comprovantes da reclamação Guardar respostas, datas e eventuais propostas de solução apresentadas pela empresa.
Os registros podem ajudar a demonstrar as barreiras enfrentadas durante a contratação e fundamentar pedidos de correção e atendimento acessível. A avaliação de eventual irregularidade depende das características do serviço, das falhas identificadas e das normas aplicáveis.

Qual é a diferença entre oferecer um site acessível e exigir ajuda de terceiros para realizar a compra?

O principal problema enfrentado por Noemi não estava na utilização do leitor de tela, mas na incompatibilidade do formulário com a tecnologia assistiva. Quando um site é desenvolvido corretamente, pessoas com deficiência visual podem identificar campos, compreender mensagens e concluir procedimentos sem depender obrigatoriamente de outra pessoa.

Além disso, uma solução acessível deve preservar a autonomia e a privacidade de quem realiza a contratação. A empresa pode disponibilizar assistência própria enquanto corrige problemas técnicos, mas transferir integralmente essa responsabilidade para familiares ou conhecidos não substitui suas obrigações. A comparação esclarece as diferenças:

EtapaO que Noemi enfrentouProcedimento adequado
Acesso inicialEntrou no site utilizando leitor de tela.Permitir navegação compatível com tecnologias assistivas.
FormulárioEncontrou campos sem identificação compreensível.Associar instruções e rótulos aos campos.
NavegaçãoNão conseguiu acionar determinados botões.Garantir controles acessíveis por teclado e leitor de tela.
AtendimentoFoi orientada a pedir ajuda de terceiros.Disponibilizar suporte acessível e solução adequada.
PrivacidadePrecisaria compartilhar dados para concluir a compra.Preservar autonomia e confidencialidade das informações.
RegularizaçãoPermaneceu impedida de finalizar o cadastro.Corrigir barreiras e viabilizar a contratação acessível.

O que a experiência de Noemi revela sobre a inclusão de pessoas com deficiência no comércio digital?

A experiência de Noemi é fictícia, mas representa uma barreira que pode atingir consumidores com deficiência visual. Sua capacidade de utilizar a internet não era o problema. A dificuldade surgiu porque o site não oferecia condições adequadas de navegação, transformando uma contratação comum em uma atividade dependente da ajuda de outra pessoa.

Quem enfrenta barreiras de acessibilidade digital precisa seguir esse caminho: documentar os erros, solicitar uma solução acessível à empresa, preservar as respostas e recorrer aos órgãos competentes quando necessário. A correção pode exigir trabalho técnico, mas a autonomia e a igualdade de acesso devem fazer parte dos serviços oferecidos ao público.

Tags: acessibilidadeconsumidordeficiência visualinternet
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