Noemi, uma consumidora com deficiência visual, tentou contratar um serviço anunciado exclusivamente pela internet, mas encontrou dificuldades para concluir o cadastro utilizando seu leitor de tela. Depois de várias tentativas, procurou o atendimento da empresa e recebeu a orientação de pedir ajuda a outra pessoa para finalizar a compra. A situação é fictícia e ilustra um problema de acessibilidade digital que pode comprometer a autonomia dos consumidores.
Por que Noemi decidiu contratar um serviço pela internet sem precisar de ajuda?
Acostumada a utilizar o computador para estudar, trabalhar e organizar suas atividades, Noemi realizava compras pela internet com auxílio de um leitor de tela. A ferramenta transformava informações digitais em áudio, permitindo que ela navegasse pelos sites com independência e segurança, sem precisar compartilhar dados pessoais com outras pessoas.
Ao encontrar a divulgação de um serviço que atendia às suas necessidades, decidiu realizar a contratação. A empresa informava que todo o procedimento deveria ser concluído pelo site, desde a escolha do plano até o pagamento. Noemi acessou a página e começou a preencher os dados solicitados.

O que aconteceu quando o leitor de tela não conseguiu identificar os campos do cadastro?
Durante o preenchimento, Noemi percebeu que alguns campos não eram anunciados corretamente pelo leitor de tela. Outros botões apareciam sem identificação, impossibilitando a compreensão de suas funções. Mesmo utilizando comandos de navegação, não conseguia avançar para a etapa final. O sistema impedia a conclusão da compra.
Depois de repetir o procedimento, procurou o atendimento da empresa e explicou a dificuldade. A resposta foi inesperada: um familiar ou amigo poderia preencher o formulário por ela. Noemi questionou a orientação, pois não desejava entregar suas informações cadastrais e financeiras a terceiros para contratar um serviço disponível ao público.

O que a legislação brasileira determina sobre acessibilidade em sites comerciais?
O artigo 63 da Lei Brasileira de Inclusão estabelece a obrigatoriedade de acessibilidade em sites mantidos por empresas com sede ou representação comercial no Brasil. A regra busca garantir que pessoas com deficiência consigam acessar informações e utilizar recursos digitais conforme as diretrizes de acessibilidade.
O Código de Defesa do Consumidor também protege a igualdade nas contratações e o acesso a informações adequadas sobre os serviços oferecidos. Assim, orientar a pessoa a depender de terceiros não elimina o dever de acessibilidade. A existência de uma falha deve ser avaliada conforme as condições efetivas do site.
Quais providências a consumidora pode tomar ao encontrar barreiras para finalizar a compra?
Depois da resposta recebida, Noemi poderia solicitar à empresa uma solução que permitisse contratar o serviço com autonomia. As orientações da Enap sobre formulários acessíveis destacam a importância de campos identificados, navegação por teclado e mensagens de erro compreensíveis. Esses recursos permitem que tecnologias assistivas funcionem adequadamente.
Se a empresa não solucionar a dificuldade, a consumidora poderá recorrer ao Procon ou registrar reclamação pelo Consumidor.gov.br, caso o fornecedor participe da plataforma. Para demonstrar a barreira e a resposta recebida, alguns registros são especialmente importantes:
Site impede contratação com leitor de tela: quais provas reunir?
Oito registros e medidas importantes para documentar barreiras de acessibilidade, identificar falhas na navegação e solicitar uma alternativa acessível para concluir a contratação do serviço.
| Documento ou medida | O que verificar e guardar |
|---|---|
| 01 Oferta do serviço | Guardar a publicidade que informa as condições e os canais disponíveis para contratação. |
| 02 Endereço do site | Registrar a página em que o cadastro deixou de funcionar corretamente. |
| 03 Gravação da navegação | Documentar, quando possível, as dificuldades enfrentadas pelo leitor de tela, sem expor informações sensíveis. |
| 04 Descrição dos erros | Identificar campos sem nome, botões inacessíveis e mensagens que não foram anunciadas. |
| 05 Informações técnicas | Registrar o navegador, o sistema operacional e o leitor de tela utilizados. |
| 06 Protocolo de atendimento | Preservar a orientação recebida para solicitar ajuda de terceiros. |
| 07 Solicitação de acessibilidade | Pedir formalmente a correção do problema e uma forma acessível de concluir a contratação. |
| 08 Comprovantes da reclamação | Guardar respostas, datas e eventuais propostas de solução apresentadas pela empresa. |
Qual é a diferença entre oferecer um site acessível e exigir ajuda de terceiros para realizar a compra?
O principal problema enfrentado por Noemi não estava na utilização do leitor de tela, mas na incompatibilidade do formulário com a tecnologia assistiva. Quando um site é desenvolvido corretamente, pessoas com deficiência visual podem identificar campos, compreender mensagens e concluir procedimentos sem depender obrigatoriamente de outra pessoa.
Além disso, uma solução acessível deve preservar a autonomia e a privacidade de quem realiza a contratação. A empresa pode disponibilizar assistência própria enquanto corrige problemas técnicos, mas transferir integralmente essa responsabilidade para familiares ou conhecidos não substitui suas obrigações. A comparação esclarece as diferenças:
| Etapa | O que Noemi enfrentou | Procedimento adequado |
|---|---|---|
| Acesso inicial | Entrou no site utilizando leitor de tela. | Permitir navegação compatível com tecnologias assistivas. |
| Formulário | Encontrou campos sem identificação compreensível. | Associar instruções e rótulos aos campos. |
| Navegação | Não conseguiu acionar determinados botões. | Garantir controles acessíveis por teclado e leitor de tela. |
| Atendimento | Foi orientada a pedir ajuda de terceiros. | Disponibilizar suporte acessível e solução adequada. |
| Privacidade | Precisaria compartilhar dados para concluir a compra. | Preservar autonomia e confidencialidade das informações. |
| Regularização | Permaneceu impedida de finalizar o cadastro. | Corrigir barreiras e viabilizar a contratação acessível. |
O que a experiência de Noemi revela sobre a inclusão de pessoas com deficiência no comércio digital?
A experiência de Noemi é fictícia, mas representa uma barreira que pode atingir consumidores com deficiência visual. Sua capacidade de utilizar a internet não era o problema. A dificuldade surgiu porque o site não oferecia condições adequadas de navegação, transformando uma contratação comum em uma atividade dependente da ajuda de outra pessoa.
Quem enfrenta barreiras de acessibilidade digital precisa seguir esse caminho: documentar os erros, solicitar uma solução acessível à empresa, preservar as respostas e recorrer aos órgãos competentes quando necessário. A correção pode exigir trabalho técnico, mas a autonomia e a igualdade de acesso devem fazer parte dos serviços oferecidos ao público.




