Mariana Lopes e Eduardo Martins compraram um apartamento na planta e desembolsaram R$ 45 mil adicionais para garantir duas vagas de garagem que, segundo a negociação, ficariam próximas ao elevador. Na entrega das chaves, porém, o casal encontrou uma surpresa: uma das vagas estava posicionada entre duas colunas e tinha um espaço tão limitado que o carro usado pela família mal conseguia entrar.
As vagas foram escolhidas ainda durante a compra
O casal assinou o contrato do imóvel quando o edifício ainda estava em construção. Como Mariana e Eduardo utilizavam o carro diariamente e tinham uma filha pequena, a localização das vagas pesou na decisão, principalmente pela facilidade para descarregar compras e acessar o apartamento. Por isso, aceitaram pagar o valor extra pelas duas vagas indicadas durante a negociação.
Na planta comercial apresentada aos compradores, as vagas apareciam no mesmo setor da garagem e relativamente próximas aos elevadores. Eduardo conta, no relato fictício, que não recebeu nenhuma advertência de que uma delas teria colunas laterais capazes de dificultar as manobras ou reduzir significativamente o espaço útil.
A surpresa apareceu na vistoria de entrega
Quando o prédio ficou pronto, Mariana percebeu o problema assim que desceu até a garagem. A segunda vaga ficava realmente na região esperada, mas estava espremida entre elementos estruturais, deixando pouco espaço para abrir as portas após estacionar o carro da família.

Leia também: Morador troca vários eletrodomésticos após quedas frequentes de energia, mas defeito estava dentro da própria casa
Carro entra, mas uso diário vira um problema
Eduardo tentou estacionar algumas vezes para entender se a dificuldade era apenas falta de adaptação. Segundo ele, era necessário fazer várias correções de direção e aproximar bastante o veículo de uma das colunas para conseguir permanecer dentro das marcações da vaga delimitada.
Mesmo quando o carro conseguia entrar, o espaço disponível para sair do veículo era reduzido. O casal passou a questionar se havia recebido, na prática, uma vaga com condições compatíveis com aquilo que imaginava ter comprado ao desembolsar um valor adicional.
Contrato e material da venda passam a ser decisivos
Depois da entrega, Mariana reuniu o contrato de compra e venda, os anexos, as plantas disponibilizadas pela incorporadora e as mensagens trocadas com o corretor. O ponto central era descobrir como as vagas haviam sido identificadas no contrato e se os documentos mostravam claramente a existência das colunas.
Esse tipo de conferência é importante porque uma discussão sobre imóvel comprado na planta depende do que foi efetivamente ofertado e contratado. O Código de Defesa do Consumidor determina que informações suficientemente precisas presentes na oferta podem integrar o contrato, além de prever proteção contra informações inadequadas ou insuficientes sobre produtos e serviços.
Ao mesmo tempo, a simples existência de uma coluna próxima não permite concluir automaticamente que a vaga é irregular. É necessário verificar as medidas reais, o projeto aprovado, as normas aplicáveis, a documentação do empreendimento e aquilo que foi prometido especificamente ao comprador.
Casal questiona por que pagou mais pela localização
Para Mariana e Eduardo, o principal incômodo não era apenas a dificuldade de estacionar. Eles afirmavam ter desembolsado R$ 45 mil justamente para evitar vagas consideradas menos convenientes e esperavam que o valor adicional proporcionasse uma condição de uso melhor no dia a dia.
O que deve ser conferido antes de aceitar a situação
Antes de solicitar qualquer alteração, o casal precisa comparar a planta entregue na venda com o desenho definitivo da garagem e medir o espaço efetivamente disponível. Também pode pedir à incorporadora os documentos que identificam as vagas vinculadas ao apartamento e uma explicação formal sobre a configuração entregue.
Se houver diferença relevante entre aquilo que foi ofertado e o que consta no imóvel pronto, Mariana e Eduardo poderão registrar a reclamação por escrito e buscar orientação especializada para avaliar as alternativas possíveis. O ponto mais importante é preservar contratos, plantas, anúncios, mensagens e registros da vistoria, porque esses documentos podem indicar se a vaga entre as colunas já estava claramente prevista ou se o casal recebeu uma condição diferente daquela apresentada durante a compra.




