Uma árvore plantada no terreno vizinho virou motivo de conflito depois que suas raízes danificaram uma calçada e uma tubulação subterrânea. No relato fictício, Carlos e Roberto discutem quem deve pagar pelo conserto, enquanto o prejuízo aumenta e nenhum dos dois aceita assumir a despesa.
Raízes atravessam o terreno e provocam prejuízo
Carlos percebeu que parte da calçada estava levantando e que havia umidade perto de uma tubulação enterrada. Ao chamar um profissional para avaliar o problema, surgiu a suspeita de que raízes de uma árvore plantada no terreno de Roberto, seu vizinho, estavam pressionando o piso e a estrutura subterrânea.
O orçamento indicou que seria necessário abrir parte do chão, verificar a tubulação e reconstruir o trecho danificado. Carlos procurou Roberto para discutir os custos, mas ouviu que a árvore estava dentro da propriedade dele e que não havia motivo para pagar pelo reparo da calçada.
O que a lei diz sobre raízes que invadem outro terreno?
O artigo 1.283 do Código Civil estabelece que o proprietário pode cortar raízes e galhos que ultrapassem a divisa do imóvel, respeitando o limite vertical entre os terrenos. A regra está prevista na Lei nº 10.406/2002, que também trata dos direitos de vizinhança.
Isso não significa autorização para derrubar a árvore ou executar cortes que comprometam sua estabilidade. O artigo 1.277 também protege contra determinadas interferências prejudiciais entre propriedades, mas a aplicação dessas regras depende das circunstâncias, incluindo a localização da árvore e as normas ambientais.
Quem deve pagar pelo conserto da calçada e da tubulação?
O simples fato de a árvore pertencer a Roberto não resolve automaticamente a questão. Pelos artigos 186 e 927 do Código Civil, a obrigação de indenizar pode existir quando estão presentes os requisitos da responsabilidade civil, incluindo dano e relação entre a conduta atribuída ao responsável e o prejuízo.
No caso fictício, seria necessário comprovar que as raízes realmente provocaram os estragos, e não um defeito antigo na tubulação ou outro problema estrutural. Um laudo técnico pode ajudar a identificar a causa e esclarecer se existe responsabilidade pelo custo do serviço.

O que fazer antes de começar o reparo?
O primeiro cuidado de Carlos deve ser registrar os danos com fotografias, vídeos e documentos, além de guardar os orçamentos apresentados pelos profissionais. Também é recomendável solicitar uma avaliação técnica por escrito, indicando a origem provável do problema e os serviços necessários para impedir novos prejuízos.
Não é indicado cortar raízes profundas sem orientação especializada, pois isso pode comprometer a árvore e provocar acidentes. Se houver vazamento, risco de queda ou ameaça aos pedestres, a prioridade deve ser eliminar o perigo com apoio técnico e comunicar a concessionária responsável quando a rede de serviço público estiver envolvida.
Prefeitura também pode ter regras sobre árvores e calçadas
As exigências para manutenção de calçadas e intervenções em árvores variam conforme o município. Em Vitória, por exemplo, a Prefeitura orienta sobre obras em calçadas e informa que serviços envolvendo raízes podem exigir atuação da área ambiental. Por isso, é necessário consultar as regras locais antes de qualquer intervenção.
Existe ainda uma diferença entre a obrigação de conservar a calçada e o direito de cobrar indenização de quem causou determinado dano. Mesmo quando a legislação municipal atribui a manutenção ao proprietário do imóvel da frente, isso não elimina necessariamente uma possível responsabilidade do vizinho.
Como resolver a disputa sem aumentar o prejuízo?
Carlos pode apresentar o laudo e os orçamentos a Roberto, propondo uma solução documentada por escrito. Se não houver acordo, uma notificação formal, seguida de tentativa de mediação ou orientação jurídica, pode ajudar a resolver a discussão. Persistindo o conflito, é possível avaliar uma ação judicial de reparação de danos.
Enquanto isso, os dois precisam evitar atitudes que agravem a situação, especialmente cortes improvisados ou obras sem avaliação. No caso apresentado, a medida mais segura é comprovar a origem dos danos, verificar as autorizações necessárias e buscar uma solução para o reparo antes que a tubulação e a passagem de pedestres sofram consequências maiores.




