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Início Cidades

Um aquário gigante e uma receita trazida do Japão em 1908 fazem desta cidade um destino singular

Por Maura Pereira
03/11/2026
Em Cidades, Turismo
Um aquário gigante e uma receita trazida do Japão em 1908 fazem desta cidade um destino singular

A história começou entre os córregos Prosa e Segredo, na área onde atualmente está o Horto Florestal. / Imagem ilustrativa

No coração da América do Sul, Campo Grande reúne paisagens de terra avermelhada, herança de diferentes povos e atrações que ajudam a explicar o apelido de Cidade Morena. Com quase 1 milhão de habitantes, a capital sul-mato-grossense concentra em poucos quilômetros o maior aquário de água doce do planeta, uma feira conhecida pela culinária de influência oriental e o maior parque urbano do Mato Grosso do Sul. Também funciona como um dos principais acessos ao Pantanal.

Como Campo Grande deixou de ser um pequeno povoado para se tornar capital?

A história começou entre os córregos Prosa e Segredo, na área onde atualmente está o Horto Florestal. Foi ali que José Antônio Pereira, mineiro que chegou com a família em 1875, ocupou os campos nativos do Cerrado e deu início ao povoamento. A paisagem aberta inspirou o nome Campo Grande. Décadas depois, o antigo Arraial de Santo Antônio foi elevado à categoria de município em 26 de agosto de 1899, data que marca oficialmente o aniversário da cidade.

O solo de tonalidade avermelhada e as temperaturas elevadas deram origem ao apelido Cidade Morena, conforme explica a Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul. A formação cultural ganhou novos elementos com a chegada de imigrantes europeus, árabes e orientais, que se juntaram às tradições indígenas e sertanejas. Em 1979, Campo Grande se tornou capital com a criação do Mato Grosso do Sul, após a divisão do antigo Mato Grosso. Desde então, consolidou sua posição como principal centro de negócios do agronegócio brasileiro no Centro-Oeste.

Campo Grande é a capital do Mato Grosso do Sul, cidade moderna com economia baseada em agronegócio e comércio. // Créditos: depositphotos.com / vbacarin

O que existe dentro do maior aquário de água doce do mundo?

Aberto ao público em março de 2022, no interior do Parque das Nações Indígenas, o Bioparque Pantanal conquistou o título de maior aquário de água doce do mundo. De acordo com o site oficial do Bioparque Pantanal, o espaço ocupa aproximadamente 19 mil metros quadrados de área construída e reúne 33 tanques, que somam cerca de 5 milhões de litros de água. São mais de 45 mil animais de aproximadamente 470 espécies, incluindo peixes, répteis e outros representantes do bioma pantaneiro.

A arquitetura foi concebida por Ruy Ohtake e concluída por seu filho Rodrigo Ohtake após a morte do arquiteto, em 2021. O percurso inclui tanques internos e externos, museu interativo, biblioteca, auditório com capacidade para 250 pessoas e laboratórios de pesquisa. A cenografia dos ambientes leva a assinatura do artista Roberto Alves Gallo. A visitação é gratuita, mas exige agendamento antecipado, o que mantém o complexo entre os pontos turísticos mais procurados de Campo Grande durante o ano.

Como uma receita de Okinawa se tornou símbolo de Campo Grande?

A chegada dos imigrantes japoneses a Campo Grande, em 1908, trouxe também uma tradição culinária da Ilha de Okinawa. A receita original era uma sopa encorpada com macarrão, ovo, cebolinha e tiras de carne. Com o tempo, o sobá ganhou adaptações ao gosto sul-mato-grossense e ultrapassou as cozinhas da comunidade japonesa. Sua importância cultural levou ao reconhecimento como patrimônio cultural imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

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Para experimentar o prato, um dos endereços mais conhecidos é a Feira Central de Campo Grande, chamada popularmente de Feirona. Conforme a Prefeitura Municipal de Campo Grande, o espaço funciona desde 2006 no prédio da antiga Estação Ferroviária. Entre as dezenas de barracas, há opções de sobá, iguarias paraguaias, artesanato indígena e produtos regionais. A feira abre às quartas, quintas e sextas-feiras a partir das 16h, além de sábados e domingos a partir das 12h.

Quais lugares ajudam a conhecer Campo Grande?

Dois a três dias são suficientes para percorrer boa parte dos principais atrativos da capital. Muitos deles ficam no centro ou nas proximidades do Parque das Nações Indígenas, com deslocamentos curtos de carro entre os pontos de visitação.

  • Parque das Nações Indígenas: maior parque urbano da cidade, reúne trilhas cercadas por jenipapos, mangueiras e aroeiras. Dentro de sua área ficam o Bioparque, o Museu das Culturas Dom Bosco, o Museu de Arte Contemporânea e o Memorial da Cultura Indígena.
  • Bioparque Pantanal: abriga o maior aquário de água doce do mundo e oferece atividades educativas, exposições sobre biodiversidade e ambientes cenográficos inspirados nos principais habitats pantaneiros.
  • Feira Central: reconhecida como patrimônio cultural imaterial da cidade, é o endereço tradicional do sobá e uma parada importante para provar a gastronomia local em um ambiente descontraído.
  • Mercado Municipal Antônio Valente: conhecido como Mercadão, fica na região central e reúne pastéis com mais de 50 sabores, incluindo jacaré, pacu e frango com pequi, além de tereré e peças de artesanato.
  • Praça Ary Coelho: ocupa uma posição histórica no centro, com coreto tradicional, bancos à sombra das árvores e concha acústica. É um antigo ponto de encontro dos campo-grandenses.
  • Memorial da Cultura Indígena: instalado em uma grande oca inspirada nas construções do povo Terena, apresenta uma exposição permanente sobre os povos originários do Mato Grosso do Sul.
O prato japonês que saiu do Japão e ganhou reconhecimento oficial no Brasil é o único tombado como patrimônio histórico
Destaca-se pelo patrimônio histórico, diversidade cultural e eventos como Festival América do Sul e Festival de Inverno. // Créditos: depositphotos.com / vbacarin

Quais sabores representam a culinária de Campo Grande?

A mesa campo-grandense reúne ingredientes do sertão pantaneiro, heranças indígenas e receitas trazidas por diferentes comunidades de imigrantes. Essa mistura aparece tanto nos restaurantes tradicionais quanto nas barracas da Feirona, onde pratos regionais fazem parte da experiência de conhecer a capital.

  • Sobá: sopa preparada com macarrão de Okinawa, ovo, cebolinha e tiras de carne. Na Feira Central, casas familiares mantêm o preparo de uma receita centenária.
  • Caldo de piranha: especialidade do Pantanal, servido bem quente, com pedaços do peixe e temperos regionais. Entre os moradores, é conhecido também pela fama de afrodisíaco.
  • Espetinho: hábito gastronômico de Campo Grande, preparado na hora em pontos de rua do centro. É especialmente popular nas noites de sexta-feira e pode levar carne, coração de galinha e queijo coalho.
  • Pintado com urucum ou banana-da-terra: peixe nobre do Pantanal, presente em diferentes preparações tradicionais da culinária pantaneira.
  • Tereré: bebida gelada de origem Guarani, semelhante ao chimarrão, consumida diariamente por muitos campo-grandenses em cuias personalizadas.

Como é o clima ao longo do ano

Campo Grande tem clima tropical de savana, com verão chuvoso e inverno seco. As friagens vindas do Sul podem derrubar a temperatura no meio do inverno, o que garante madrugadas quase frias em uma capital tropical.

🌧️ Chuvas Nov-Mar
Média: 21-32°C
Chuva: Alta
Explorar o Bioparque, museus e o Mercadão.
🌦️ Transição Abr-Mai
Média: 18-29°C
Chuva: Média
Perfeito para passeios pelo Parque das Nações Indígenas.
☀️ Seca Jun-Ago
Média: 15-28°C
Chuva: Baixa
Ideal para um bate-volta ao Pantanal e à Serra da Bodoquena.
🌤️ Pré-chuva Set-Out
Média: 19-33°C
Chuva: Média
Aproveitar a Feira Central e a vida cultural nas praças.
💡 Dica do especialista: O período de seca (junho a agosto, 15°C a 28°C) apresenta baixa chuva, sendo ideal para fazer um bate-volta ao Pantanal e à Serra da Bodoquena. Enquanto a época de chuvas convida a explorar o Bioparque e o Mercadão, a transição e o pré-chuva trazem ótimas opções para passeios no Parque das Nações Indígenas e na Feira Central!

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Campo Grande

O Aeroporto Internacional de Campo Grande recebe voos diários de São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e outras capitais. Por rodovia, a cidade é cortada pelas BR-262 (que liga Vitória a Corumbá, na fronteira com a Bolívia) e pela BR-163, principal eixo rodoviário Norte-Sul do país. Também funciona como base para bate-voltas ao Pantanal, a Bonito (a cerca de 300 km) e à Serra da Bodoquena.

Leia também: A ilha do Nordeste já foi refúgio de piratas, preserva uma fortaleza de 1630 e proibiu carros para manter um estilo de vida simples.

A capital que fica no meio da América do Sul

Campo Grande é a única capital brasileira que consegue reunir num único endereço um aquário recordista mundial, um prato oriental tombado como patrimônio e a chegada ao maior santuário de fauna do país. Não vive dos estereótipos do agro: exibe uma cultura urbana em pleno movimento, com museus, feiras étnicas e uma agenda gastronômica cada vez mais reconhecida.

Você precisa conhecer Campo Grande, tomar um tereré ao pôr do sol e depois provar um sobá na Feirona para entender por que a Cidade More

Tags: Campo GrandeMato Grosso do Sul
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