A cerca de 40 km do centro do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu guarda uma história que vai muito além da imagem de cidade da Baixada Fluminense. O município é considerado o berço de outras cidades da região, abriga uma reserva reconhecida pela UNESCO e também teve seus trilhos marcados durante décadas pelo aroma das laranjas cultivadas em seu território.
Como Nova Iguaçu se tornou a Cidade-Mãe da Baixada Fluminense?
A trajetória de Nova Iguaçu começou em 1833, quando o município foi criado e ainda possuía um território muito maior do que o atual. Ao longo do século XX, diversas cidades se emanciparam de suas terras, entre elas Duque de Caxias, São João de Meriti, Nilópolis, Belford Roxo, Queimados, Japeri e Mesquita. Essa origem explica o título de Cidade-Mãe da Baixada, denominação registrada na história oficial da Prefeitura.
Antes de se consolidar como um importante centro de comércio e serviços, o território servia como passagem para tropeiros e como rota de escoamento do ouro. No século XIX, a abertura da Estrada Real do Comércio criou uma ligação entre os portos fluviais locais e as áreas produtoras de café e cana do interior. A transformação seguinte veio em 1858, com a chegada da Estrada de Ferro Dom Pedro II, que levou o núcleo urbano para o arraial de Maxambomba, posteriormente rebatizado como Nova Iguaçu em 1916.

De onde veio o apelido Cidade Perfume e o que um vulcão tem a ver com Nova Iguaçu?
Entre as décadas de 1920 e 1950, Nova Iguaçu recebeu o apelido de Cidade Perfume graças aos enormes pomares de laranja que espalhavam seu aroma pelas estradas e estações ferroviárias. A crise da produção, intensificada durante a Segunda Guerra Mundial, provocou o fim de boa parte dos pomares e abriu espaço para o avanço da urbanização que ajudou a formar a atual configuração da Baixada Fluminense.
Outra surpresa está no Vulcão de Nova Iguaçu, uma formação inativa há aproximadamente 40 milhões de anos, identificada em 1977 por geólogos que analisavam fotografias aéreas para a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Localizado no Maciço do Gericinó, a 855 metros de altitude, é considerado o vulcão mais novo e preservado do Brasil e atualmente abriga uma rampa de voo livre reconhecida no estado, que recebe etapas de campeonatos nacionais. A cidade ainda guarda outro marco curioso: inaugurada em 4 de dezembro de 1976, a pista de skate da Praça Ricardo Xavier da Silveira é apontada pela própria Prefeitura de Nova Iguaçu como a primeira da América Latina. Com 980 m² de rampas em formato de piscina, o espaço chegou a atrair skatistas da zona sul do Rio de Janeiro em uma época em que havia apenas uma pista semelhante na Califórnia.
Nova Iguaçu destaca-se como um dos principais motores econômicos e sociais da Baixada Fluminense. O vídeo é do canal PRIN LIFE !, que apresenta curiosidades regionais, e detalha o TopShopping, o Teatro Sylvio Monteiro e as melhores opções de gastronomia e lazer na cidade:
O que fazer na Capital da Baixada?
Nova Iguaçu guarda um conjunto de atrações que mistura natureza preservada, patrimônio histórico e espaços culturais. A maioria dos moradores nem conhece tudo que a cidade oferece.
- Serra do Vulcão e voo livre: rampa a 855 m de altitude com vista panorâmica da Baixada. Ponto de voo livre e parapente, com trilhas que levam ao Mirante do Cruzeiro.
- Reserva Biológica do Tinguá: 26 mil hectares de Mata Atlântica reconhecida pela Unesco como Reserva da Biosfera desde 1991. A maior parte da reserva fica em Nova Iguaçu. Abriga lobo-guará, onça-parda e gavião-pomba. Visitações guiadas organizadas em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
- Fazenda São Bernardino: ruínas de casarão neoclássico do século XIX, tombadas em 1951, próximas à Rebio Tinguá. Cenário histórico raro na região metropolitana.
- Praça do Skate: a pista histórica de 1976, reformada e ativa. Ponto de encontro de skatistas da cidade e de municípios vizinhos.
- Parque Natural Municipal de Nova Iguaçu: 1.100 hectares na borda do Maciço Mendanha, com trilhas, cachoeiras e o famoso Parque das Cobras.
- Ruínas de Iguaçu Velho: torre sineira da antiga Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade, remanescente da primeira sede do município, no distrito de Vila de Cava.

O que comer em Nova Iguaçu?
A mesa iguaçuana reflete a diversidade da Baixada, marcada pela forte presença de migrantes nordestinos e pela tradição carioca de boteco. O centro da cidade concentra opções para todos os perfis.
- Comida nordestina: herança da migração que moldou a Baixada. Carne de sol, baião de dois e buchada de bode em casas espalhadas pelo centro e bairros tradicionais.
- Boteco carioca: caldinho de feijão, torresmo e petiscos fritos são a alma da vida noturna local. Ambiente descontraído, preço justo.
- Polo Gastronômico: área central com concentração de restaurantes e bares, ponto de encontro de moradores nos fins de semana.
- Feiras tradicionais: sabores da roça e produtos coloniais nas feiras do centro e dos bairros, especialmente aos sábados.

Quando é melhor visitar a Cidade-Mãe da Baixada?
Nova Iguaçu tem clima tropical úmido, com verões quentes e chuvosos e invernos secos e mais amenos. Por ficar em área de baixada, o calor no verão é intenso e a hidratação é essencial.
Temperaturas aproximadas conforme dados do Climatempo. Condições podem variar.

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Como chegar a Nova Iguaçu partindo do Rio de Janeiro?
Quem sai do centro do Rio de Janeiro percorre cerca de 40 km até Nova Iguaçu, seguindo pela Rodovia Presidente Dutra (BR-116) ou pela Via Light. Em condições normais de trânsito, o percurso de carro leva aproximadamente 30 a 40 minutos, mas o tempo pode aumentar bastante nos horários de maior movimento. Para quem prefere o transporte ferroviário, a SuperVia conecta a Central do Brasil ao município em cerca de 1 hora, com tarifas acessíveis. Também existem linhas regulares de ônibus e serviços de frescão partindo de diferentes pontos do centro carioca.
Por que Nova Iguaçu merece mais do que uma visita rápida?
A cidade que já foi conhecida pelo perfume dos laranjais, guarda uma formação vulcânica adormecida entre as montanhas e abriga uma pista de skate considerada pioneira na América Latina também funciona como porta de entrada para uma das áreas mais importantes de Mata Atlântica do estado. Em menos de uma hora da capital fluminense, o visitante encontra uma combinação pouco comum de história, natureza e vida urbana.
Para aproveitar melhor a experiência, vale reservar um dia inteiro para percorrer Nova Iguaçu com calma, conhecer seus diferentes cenários e acompanhar o fim da tarde nas áreas serranas. Mais do que uma cidade de passagem, o município ajuda a contar a história da própria formação da Baixada Fluminense e revela por que tantas outras cidades surgiram a partir de seu território.




