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Uma capital cercada pela Amazônia que guarda um teatro histórico com materiais franceses e uma arquitetura impossível de ignora

Por Maura Pereira
13/10/2026
Em Cidades, Turismo
Uma capital cercada pela Amazônia que guarda um teatro histórico com materiais franceses e uma arquitetura impossível de ignora

. O Teatro Amazonas tornou-se o principal símbolo desse período. / Imagem ilustrativa

No final do século XIX, a fortuna gerada pelo látex permitiu importar mármore de Carrara, lustres de cristal e 36 mil peças de cerâmica francesa para erguer um teatro de ópera em plena floresta. Inaugurado em 1896, o Teatro Amazonas permanece no Largo de São Sebastião, em Manaus, enquanto, a poucos quilômetros dali, dois rios seguem lado a lado sem misturar suas águas. No Amazonas, a arquitetura da Belle Époque divide o cenário com a maior floresta tropical do planeta.

A riqueza da borracha transformou Manaus em uma Paris tropical

Do final do século XIX às primeiras décadas do século XX, a exploração da borracha fez de Manaus uma das cidades mais prósperas do mundo. A elite manauara importava roupas, profissionais de engenharia e materiais europeus para construir palácios e praças comparáveis aos de grandes capitais da Europa. O Teatro Amazonas tornou-se o principal símbolo desse período: sua cúpula é revestida por peças de cerâmica esmaltada nas cores da bandeira brasileira, as paredes de aço foram trazidas de Glasgow e as escadas receberam mármore de Carrara. Tombado pelo IPHAN em 1966, o teatro continua recebendo óperas, concertos e o Festival Amazonas de Ópera, promovido todos os anos em maio.

O piso em mosaico preto e branco do Largo forma desenhos de ondas inspirados na Praça Dom Pedro IV, em Lisboa. Nos arredores, casarões restaurados deram lugar a cafés, galerias e ao Bar do Armando, conhecido como ponto de encontro de manauaras e turistas e espaço para apresentações de música ao vivo.

Uma ópera de luxo europeu construída com 36 mil peças de cerâmica francesa no meio da floresta do Amazonas conquista quem mora nessa cidade
Manaus é porta de entrada para o ecoturismo na floresta amazônica. // Créditos: depositphotos.com / Saaaaa

Por que as águas do Rio Negro e do Solimões não se misturam?

As águas escuras do Rio Negro e as barrentas do Rio Solimões percorrem quilômetros lado a lado antes de se misturarem. Esse fenômeno é provocado pelas diferenças de temperatura, densidade e velocidade das correntes. Quando os dois rios finalmente se encontram, formam o Rio Amazonas, o maior do planeta em volume de água. Os passeios de barco até o Encontro das Águas partem do porto central e costumam incluir visitas a comunidades ribeirinhas, flutuantes onde é possível se aproximar de botos-cor-de-rosa e aldeias indígenas.

Quais atrações conhecer em Manaus além do teatro e dos rios?

Manaus reúne opções para montar roteiros de um a sete dias. Enquanto o centro histórico pode ser explorado a pé, as excursões pelos rios e pela floresta geralmente exigem transporte de barco e acompanhamento de um guia.

  • Mercado Municipal Adolpho Lisboa: construído em ferro e com arquitetura Art Nouveau inspirada no Les Halles de Paris, reúne pavilhões de peixes, carnes, frutas e ervas medicinais às margens do Rio Negro. Na última sexta-feira de cada mês, funciona à noite com atrações culturais e gastronômicas.
  • Museu da Amazônia (MUSA): ocupa 100 hectares da Reserva Florestal Adolpho Ducke e oferece trilhas pela mata, viveiros de orquídeas, aquários e uma torre de observação com 42 metros de altura, acima da copa das árvores.
  • Bosque da Ciência (INPA): espaço aberto à visitação pública do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, abriga animais de vida livre, entre eles o sauim-de-coleira, primata endêmico de Manaus.
  • Praia da Ponta Negra: localizada às margens do Rio Negro, combina praia urbana de água doce, calçadão, quiosques e vista do pôr do sol sobre a floresta. A faixa de areia aparece durante a vazante, entre setembro e fevereiro.
  • Presidente Figueiredo: situada a 130 km de Manaus, com acesso pela BR-174, a chamada “terra das cachoeiras” concentra dezenas de quedas-d’água, grutas e lagoas cristalinas, sendo uma opção para um passeio de um dia.

Quais pratos revelam a riqueza gastronômica de Manaus?

A cozinha manauara está entre as mais autênticas do Brasil e tem como base os peixes de água doce, as frutas regionais e os conhecimentos culinários dos povos originários.

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  • Tambaqui assado na brasa: peixe emblemático da Amazônia, costuma ser servido com farofa de banana e farinha do Uarini. Sua costela se tornou um dos ícones gastronômicos da cidade.
  • Pirarucu de casaca: preparado em camadas, combina o maior peixe de escamas de água doce do mundo com banana frita, farofa e batata.
  • Tacacá: caldo quente feito com tucupi, goma de tapioca, camarão seco e jambu, erva responsável pela sensação de formigamento na boca. É vendido em feiras e praças, especialmente no fim da tarde.
  • X-Caboquinho: sanduíche preparado com pão francês, tucumã, queijo coalho e banana pacovã frita, presença tradicional no café da manhã dos manauaras.
  • Frutas regionais: cupuaçu, taperebá, pupunha e tucumã fazem parte de sucos, sorvetes e doces encontrados em diferentes pontos da cidade.
Uma ópera de luxo europeu construída com 36 mil peças de cerâmica francesa no meio da floresta do Amazonas conquista quem mora nessa cidade
Manaus, capital do Amazonas, reúne floresta amazônica, rios gigantes e arquitetura histórica no coração da Amazônia brasileira. // Créditos: depositphotos.com / CreativeDesignNacional

Como chegar a Manaus e se locomover na cidade?

O Aeroporto Internacional Eduardo Gomes (MAO) recebe voos diretos de São Paulo (3h50), Brasília, Belém e outras capitais. A chegada por via terrestre é limitada, já que a BR-319 tem trechos precários. O transporte fluvial, por outro lado, conecta Manaus a dezenas de localidades ribeirinhas em viagens que podem durar dias. Dentro da cidade, os deslocamentos para passeios fluviais partem do porto central ou de marinas privadas. Para Presidente Figueiredo e outros destinos terrestres, o carro é a melhor opção.

Leia também: A quarta cidade mais antiga do Brasil tem um Cristo Redentor anterior ao do Rio de Janeiro.

A metrópole onde a selva entra pela janela

Manaus é o raro lugar onde se pode assistir a uma ópera num palácio do século XIX, almoçar tambaqui na brasa num flutuante sobre o Rio Negro e terminar o dia observando botos cor-de-rosa no igarapé. O contraste entre o luxo da borracha e a grandiosidade da floresta cria uma experiência que nenhuma outra capital brasileira reproduz.

Você precisa navegar pelo Encontro das Águas, sentir o formigamento do jambu na língua e entender por que Manaus construiu uma ópera no meio da selva sem pedir desculpas.

Tags: AmazonasManaus
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