No final do século XIX, a fortuna gerada pelo látex permitiu importar mármore de Carrara, lustres de cristal e 36 mil peças de cerâmica francesa para erguer um teatro de ópera em plena floresta. Inaugurado em 1896, o Teatro Amazonas permanece no Largo de São Sebastião, em Manaus, enquanto, a poucos quilômetros dali, dois rios seguem lado a lado sem misturar suas águas. No Amazonas, a arquitetura da Belle Époque divide o cenário com a maior floresta tropical do planeta.
A riqueza da borracha transformou Manaus em uma Paris tropical
Do final do século XIX às primeiras décadas do século XX, a exploração da borracha fez de Manaus uma das cidades mais prósperas do mundo. A elite manauara importava roupas, profissionais de engenharia e materiais europeus para construir palácios e praças comparáveis aos de grandes capitais da Europa. O Teatro Amazonas tornou-se o principal símbolo desse período: sua cúpula é revestida por peças de cerâmica esmaltada nas cores da bandeira brasileira, as paredes de aço foram trazidas de Glasgow e as escadas receberam mármore de Carrara. Tombado pelo IPHAN em 1966, o teatro continua recebendo óperas, concertos e o Festival Amazonas de Ópera, promovido todos os anos em maio.
O piso em mosaico preto e branco do Largo forma desenhos de ondas inspirados na Praça Dom Pedro IV, em Lisboa. Nos arredores, casarões restaurados deram lugar a cafés, galerias e ao Bar do Armando, conhecido como ponto de encontro de manauaras e turistas e espaço para apresentações de música ao vivo.

Por que as águas do Rio Negro e do Solimões não se misturam?
As águas escuras do Rio Negro e as barrentas do Rio Solimões percorrem quilômetros lado a lado antes de se misturarem. Esse fenômeno é provocado pelas diferenças de temperatura, densidade e velocidade das correntes. Quando os dois rios finalmente se encontram, formam o Rio Amazonas, o maior do planeta em volume de água. Os passeios de barco até o Encontro das Águas partem do porto central e costumam incluir visitas a comunidades ribeirinhas, flutuantes onde é possível se aproximar de botos-cor-de-rosa e aldeias indígenas.
Quais atrações conhecer em Manaus além do teatro e dos rios?
Manaus reúne opções para montar roteiros de um a sete dias. Enquanto o centro histórico pode ser explorado a pé, as excursões pelos rios e pela floresta geralmente exigem transporte de barco e acompanhamento de um guia.
- Mercado Municipal Adolpho Lisboa: construído em ferro e com arquitetura Art Nouveau inspirada no Les Halles de Paris, reúne pavilhões de peixes, carnes, frutas e ervas medicinais às margens do Rio Negro. Na última sexta-feira de cada mês, funciona à noite com atrações culturais e gastronômicas.
- Museu da Amazônia (MUSA): ocupa 100 hectares da Reserva Florestal Adolpho Ducke e oferece trilhas pela mata, viveiros de orquídeas, aquários e uma torre de observação com 42 metros de altura, acima da copa das árvores.
- Bosque da Ciência (INPA): espaço aberto à visitação pública do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, abriga animais de vida livre, entre eles o sauim-de-coleira, primata endêmico de Manaus.
- Praia da Ponta Negra: localizada às margens do Rio Negro, combina praia urbana de água doce, calçadão, quiosques e vista do pôr do sol sobre a floresta. A faixa de areia aparece durante a vazante, entre setembro e fevereiro.
- Presidente Figueiredo: situada a 130 km de Manaus, com acesso pela BR-174, a chamada “terra das cachoeiras” concentra dezenas de quedas-d’água, grutas e lagoas cristalinas, sendo uma opção para um passeio de um dia.
Quais pratos revelam a riqueza gastronômica de Manaus?
A cozinha manauara está entre as mais autênticas do Brasil e tem como base os peixes de água doce, as frutas regionais e os conhecimentos culinários dos povos originários.
- Tambaqui assado na brasa: peixe emblemático da Amazônia, costuma ser servido com farofa de banana e farinha do Uarini. Sua costela se tornou um dos ícones gastronômicos da cidade.
- Pirarucu de casaca: preparado em camadas, combina o maior peixe de escamas de água doce do mundo com banana frita, farofa e batata.
- Tacacá: caldo quente feito com tucupi, goma de tapioca, camarão seco e jambu, erva responsável pela sensação de formigamento na boca. É vendido em feiras e praças, especialmente no fim da tarde.
- X-Caboquinho: sanduíche preparado com pão francês, tucumã, queijo coalho e banana pacovã frita, presença tradicional no café da manhã dos manauaras.
- Frutas regionais: cupuaçu, taperebá, pupunha e tucumã fazem parte de sucos, sorvetes e doces encontrados em diferentes pontos da cidade.

Como chegar a Manaus e se locomover na cidade?
O Aeroporto Internacional Eduardo Gomes (MAO) recebe voos diretos de São Paulo (3h50), Brasília, Belém e outras capitais. A chegada por via terrestre é limitada, já que a BR-319 tem trechos precários. O transporte fluvial, por outro lado, conecta Manaus a dezenas de localidades ribeirinhas em viagens que podem durar dias. Dentro da cidade, os deslocamentos para passeios fluviais partem do porto central ou de marinas privadas. Para Presidente Figueiredo e outros destinos terrestres, o carro é a melhor opção.
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A metrópole onde a selva entra pela janela
Manaus é o raro lugar onde se pode assistir a uma ópera num palácio do século XIX, almoçar tambaqui na brasa num flutuante sobre o Rio Negro e terminar o dia observando botos cor-de-rosa no igarapé. O contraste entre o luxo da borracha e a grandiosidade da floresta cria uma experiência que nenhuma outra capital brasileira reproduz.
Você precisa navegar pelo Encontro das Águas, sentir o formigamento do jambu na língua e entender por que Manaus construiu uma ópera no meio da selva sem pedir desculpas.




