Quem pensa nos bonecos gigantes do Carnaval logo imagina as ladeiras coloridas de Olinda, em Pernambuco. O que pouca gente sabe é que a tradição não começou ali. Os primeiros gigantes surgiram no sertão, em uma pequena cidade à beira do Rio São Francisco, e só depois subiram as ladeiras do litoral. Hoje, carregados nos ombros de foliões, os bonecos de mais de 3 metros viraram símbolo da festa e são reconhecidos como parte do patrimônio cultural do estado.
Onde surgiram os bonecos gigantes?
No sertão pernambucano. Segundo o portal Plenarinho, da Câmara dos Deputados, a tradição dos bonecões foi trazida da Europa e entrou no Brasil pela cidade de Belém do São Francisco, no sertão de Pernambuco. O primeiro boneco, chamado Zé Pereira, foi criado no Carnaval de 1919, com corpo de madeira e cabeça de papel machê.
O criador tem nome. Segundo o portal Terra, que cita o portal da Cultura Pernambucana, o morador Gumercindo Pires foi quem fez o primeiro boneco gigante do país, batizado em homenagem a uma figura do Carnaval carioca. A cidade sertaneja mantém hoje um memorial dedicado ao Zé Pereira e à sua companheira, a boneca Vitalina.

Quando os bonecos chegaram a Olinda?
Em 1932. O Terra registra que a primeira aparição dos bonecos gigantes em Olinda aconteceu em 1932, com o Homem da Meia-Noite, criado pelos artistas Luciano Anacleto de Queiroz e Bernardino da Silva. O boneco é considerado patrimônio cultural e artístico de Pernambuco e desfila até hoje no bloco que leva seu nome.
A família cresceu. Segundo o Plenarinho, o Homem da Meia-Noite ganhou depois uma companheira, a Mulher do Meio-Dia, e os dois se tornaram pais do Menino da Tarde. O Terra registra que o Menino da Tarde foi o primeiro de muitos bonecos do artista Silvio Botelho, considerado o principal mestre bonequeiro do Carnaval de Olinda.
Como um boneco gigante é feito?
A fabricação mistura artesanato e técnica. Estes são os principais elementos de um boneco, segundo as fontes consultadas.
Os bonecos mudaram com o tempo?
Ficaram mais leves e resistentes. Segundo o Plenarinho, o Homem da Meia-Noite original pesava cerca de 50 quilos e tinha 3,5 metros de altura, enquanto hoje os bonecos costumam pesar até 13 quilos. O artista Silvio Botelho explica que na construção são usados isopor, madeira, papel, fibra de vidro e muito tecido.
A mudança teve motivo. Segundo a revista Mangue Town, os bonecos feitos de papel machê e isopor sofriam com as chuvas de março, e a fibra de vidro passou a garantir mais resistência e durabilidade. O Plenarinho informa que, fora do Carnaval, os bonecos ficam expostos o ano inteiro em um espaço no Recife Antigo, na vizinha capital.

Como é o clima de Olinda ao longo do ano?
O calor é constante, e a chuva se concentra no meio do ano. Junho registra 171 mm em média, enquanto novembro tem apenas 34 mm, e as temperaturas ficam entre 23°C e 29°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
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Gigantes que carregam a história de um povo
Os bonecos gigantes de Olinda mostram como uma tradição pode viajar e se transformar. Nascidos no sertão em 1919, eles subiram as ladeiras do litoral em 1932 e se multiplicaram nas mãos de artistas como Silvio Botelho. Mais leves e resistentes, os gigantes seguem dançando nos ombros de foliões e contando, a cada Carnaval, um pedaço da história de Pernambuco.
Você precisa ver de perto um boneco gigante de Olinda, imaginar o peso que ele chegou a ter e acompanhar a dança dos foliões pelas ladeiras para entender por que esses gigantes são a cara do Carnaval pernambucano.




