Feminicídio

"O que a gente quer é justiça", diz sobrinho de vendedora assassinada

Acusado de feminicídio vai a juri popular e sessão será transmitida às 9h desta quinta-feira (26/11)

Jéssica Moura
postado em 26/11/2020 09:52 / atualizado em 26/11/2020 09:59
 (crédito: Reprodução/Facebook)
(crédito: Reprodução/Facebook)

"Um ano, um mês e nove dias". O tempo quem conta é Marcus Aurélio de Oliveira, sobrinho da vendedora Noélia Rodrigues de Oliveira, 38 anos, assassinada com um tiro. "O sentimento ainda é de muito luto", completa. O acusado pelo crime é o vizinho dela, Almir Evaristo Ribeiro, que vai a juri popular na manhã desta quinta-feira (26/11). Além de responder pelo feminicídio da vítima, o homem também é processado pelo porte ilegal de arma de fogo.

"É bastante difícil. Estava até essa semana revivendo os fatos detalhe por detalhe, mas no tribunal do juri a gente não pode deixar escapar nada, a vida prossegue e vamos aguardar a condenação", disse Marcus, que será assistente de acusação no julgamento.

Por causa das medidas de restrição do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) durante a pandemia do novo coronavírus, a família de Noélia vai acompanhar a sessão de maneira virtual. Parentes de outros estados vieram ao DF para a ocasião e ficarão reunidos na casa de uma das irmãs da vítima aguardando o resultado. Noélia era a mais nova de 14 irmãos. "O que a gente quer hoje é justiça pelo Estado", afirmou Marcus.

Marcus Aurélio passou a integrar a equipe de acusação. "A Noélia era uma segunda mãe para mim, pode ter certeza. O dia de hoje para a gente foi muito aguardado, veio em boa hora, antes do Natal, mas não tem muito o que comemorar porque a vida já foi ceifada."

O caso

Noélia, que morava no Sol Nascente com o marido e dois dos três filhos, trabalhava como vendedora no Brasília Shopping. Como não voltou para casa em 17 de outubro do ano passado, foi dada como desaparecida. O corpo de Noélia só foi encontrado no dia seguinte, na Colônia Agrícola 26 de Setembro, com um tiro no rosto, em uma área de difícil acesso. Segundo as investigações, ela ainda tinha sinais de luta corporal.

Na semana seguinte, o então suspeito, Almir Ribeiro, foi preso pela Polícia Civil. Câmeras de segurança registram o momento em que dois veículos se aproximam de Noélia, que se enconde em um arbusto, e Almir estaria dentro de um dos carros. O automóvel dele, e do filho, que aparecem nas imagens, foram apreendidos durante as investigações. As investigações apontaram que Noélia e Almir teriam um caso extraconjugal. Se for condenado, ele pode pegar uma pena de 12 a 30 anos de prisão.

O Correio tenta contato com a defesa de Almir. O espaço segue aberto para manifestação.







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