Luto

"Foi incrível o que ele ensinou", diz filha do pioneiro Roberto Curi

Sepultamento começou às 15h, na Ala dos Pioneiros do Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul. Karina Curi destacou o clima de agradecimento na ocasião. "Ele foi em paz", afirmou

Pedro Marra
postado em 24/02/2021 19:16 / atualizado em 24/02/2021 19:17
 (crédito: Anip/Divulgação)
(crédito: Anip/Divulgação)

Após o sepultamento do pioneiro de Brasília Roberto Curi, que ocorreu na tarde desta quarta-feira (24/2), no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul, a filha do empresário, Karina Curi, destacou o sentimento de agradecimento. Cerimônia de despedida começou às 15h, no Setor A da Ala dos Pioneiros.

“Todo mundo estava muito emocionado se despedindo de uma pessoa tão emblemática, com o sentimento de gratidão por ter convivido com ele. Foi muito lindo e significativo. Durante o sepultamento, eu fiz um discurso muito do coração. E respeitamos todas as regras sanitárias contra a covid-19. Com isso, posso dizer que ele foi em paz”, afirma a filha do pioneiro de Brasília.

Na opinião de Karina, o pai deixou uma imagem de muita luta. “Ele teve um legado de trabalho e de família. Foi muito incrível tudo o que ele nos ensinou, sempre com honradez, princípios éticos. Foi uma pessoa muito elevada, de alma bondosa”, acrescenta.

Senhor Roberto, como era chamado, morreu nesta terça-feira (23/2), aos 88 anos, vítima de complicações da covid-19. Ele estava internado havia cerca de 15 dias, no Hospital DF Star, na Asa Sul.

Fundador da Curinga dos Pneus, em 1967, o empresário conseguiu transformar a loja em uma das maiores revendedoras do ramo no país, tornando-se um dos principais empreendedores de Brasília. Com o crescimento do negócio, a firma passou a atuar, também, como concessionária de carros e de caminhões.

Mesmo aos 88 anos, Roberto administrava as lojas e empresas da família. Ele deixa a mulher, Yara Curi, com quem foi casado por 54 anos, além de dois filhos, uma enteada e sete netos. Karina Curi lamentou a perda, mas destacou o legado que o pioneiro deixou. “Ele era meu melhor amigo. Éramos irmãos de alma. Honra e gratidão por ele ter sido meu pai. Saudades eternas da pessoa mais digna que conheci na vida”, comentou.

Ex-governador do DF, Rogério Rosso falou sobre a trajetória de Roberto, de quem foi genro. “Ele acompanhou toda a história de Brasília, desde a construção até hoje. Contava-me cada detalhe, de todas as etapas, todas as dificuldades e desafios, mas sempre dizia que tudo valeu a pena. Um dos relatos mais marcantes foi quando, no início dos anos 1960, ele enchia pneus de uma Kombi velha que tinha e os vendia por delivery. Era visionário desde cedo”, lembrou.

Perguntado sobre qual o legado que o sogro deixa para Brasília, Rosso não poupou elogios ao empresário. “O senhor Roberto era um empreendedor nato, desde criança, quando acompanhava o pai dele nas viagens de mula pelo Brasil comprando e vendendo mercadorias. O legado dele se resume em ética, bondade, sabedoria e amor pela família”, sintetizou o ex-deputado federal.

Vida empresarial

Antes de fazer sucesso com a própria loja, Roberto Curi trabalhou na Goodyear do Brasil, onde entrou em 1954 para prestar serviços no cargo de inspetor em São Paulo (SP). Poucos anos depois, em 1962, ele foi promovido para gerente-geral da filial.

Quando decidiu investir no mercado em Brasília, abriu a primeira loja do Curinga dos Pneus, na W3 Sul, após sair da revendedora Pneus OK. A empresa de Curi chegou a 47 filiais em 10 estados brasileiros. Os negócios se expandiram em 1998, momento em que o pioneiro inaugurou a revenda Curinga Veículos Fiat, que atende as cidades de Uberlândia (MG), Araguari (MG) e Catalão (GO).

A empresa chegou ao nível de se tornar também revendedora autorizada da Iveco Caminhões Fiat, com sede em Uberlândia, atendendo toda a região do Triângulo Mineiro.

Roberto Curi nasceu em São Paulo em 7 de outubro de 1932. De origem libanesa, costumava valorizar a fama de vendedor, tanto que começou a trabalhar aos 18 anos, quando pegava papel jornal nas repartições e depois vendia para açougues. Além de ter trabalhado na Goodyear, foi representante comercial da Nestlé, uma das empresas que o fez viajar a trabalho pelo Brasil.

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