HOSPITAIS

Profissionais de saúde relatam falta de itens básicos nas redes hospitalares do DF

Nesta terça-feira, força-tarefa Ação Conjunta encontrou série de inadequações no Hran. Ao Correio, trabalhadores da linha de frente contam como lidam com o excesso de trabalho e ausência de materiais de proteção e trabalho

Luana Patriolino
postado em 09/03/2021 22:58 / atualizado em 10/03/2021 22:29
 (crédito: Força-Tarefa Covid/Material cedido ao Correio)
(crédito: Força-Tarefa Covid/Material cedido ao Correio)

As redes hospitalares do Distrito Federal estão em estado crítico. Nesta terça-feira (9/3), a força-tarefa da Ação Conjunta contra a covid-19 realizou diligências no Hospital Regional da Asa Norte (Hran) e encontrou uma série de irregularidades. Ao Correio, profissionais da saúde da linha de frente relataram uma rotina exaustiva, além da falta de equipamentos e o alto risco de contágio nas unidades.

Uma técnica de enfermagem do Hran, que não quis se identificar, afirmou que falta o básico dentro da unidade. “Um caos total. Não tem respiradores, luvas, capotes e até sedativos. Alguns profissionais estão comprando materiais do próprio bolso. A gente pede o mínimo de respeito como servidor”, disse.

A profissional também contou que a equipe está sobrecarregada e o hospital está completamente lotado. “Alguns colegas estão com medo por terem comorbidade e podem ter que voltar para linha de frente”, conta.

Outras unidades de saúde também sofrem com a lotação e falta de recursos para trabalhar. No Hospital da Região Leste (antigo Hospital Regional do Paranoá), a médica pediatra Thatiana Ferreira Maia, 28 anos, conta que todos estão sofrendo com o colapso da saúde pública. “Faltam desde os mais básicos, como medicações e exames laboratoriais simples, até os mais avançados, como aparelhos de ventilação mecânica. O mais recente que faltou foi o salbutamol, o principal medicamento necessário para o tratamento de crises de asma em crianças”, relata.

Thatiana acredita que o profissional de saúde está desassistido no Distrito Federal. “Toda a falta de estrutura e insumos nos impede de fornecer o melhor da nossa capacidade de trabalho”, diz.

Outra que prefere não se identificar trabalha na UTI do Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib) e relata rotinas exaustivas, ausência de itens básicos, poucos profissionais e muitos pacientes. “Muitos colegas enfrentam jornadas duplas e triplas. O serviço noturno, plantões de 12h a 18h por dia, com grande sobrecarga física e emocional. Somos humanos, temos filhos, família. Não temos amparo psicológico. Uma consulta com psiquiatra ou psicólogo é uma ilusão na Secretaria de Saúde”, desabafa.

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) solicitou à Secretaria de Saúde (SES-DF), nesta terça-feira (9/3), informações sobre a atual demanda e o estoque de oxigênio hospitalar na capital. A requisição vem após o DF atingir taxas máximas de ocupação dos leitos nas unidades de terapia intensiva (UTIs) em vários hospitais. O órgão tem três dias para apresentar uma resposta à Corte. Até às 19h10 desta terça-feira, a taxa de ocupação dos leitos estava em 90,96%.


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