INVESTIGAÇÃO

PF cumpre novos mandados de busca no DF por fraude em contribuição sindical

Ação faz parte da Operação Registro Espúrio e envolvidos poderão responder pelo crime de lavagem de dinheiro

Correio Braziliense
postado em 14/05/2021 22:11
Segundo a PF, há indícios de crimes de ocultação de bens e valores obtidos a partir dos lucros oriundos das fraudes nas restituições de contribuição sindical identificadas na operação -  (crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Segundo a PF, há indícios de crimes de ocultação de bens e valores obtidos a partir dos lucros oriundos das fraudes nas restituições de contribuição sindical identificadas na operação - (crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A Polícia Federal cumpriu, nesta sexta-feira (14/5), dois mandados de busca em mais um desdobramento da Operação Registro Espúrio, que investiga desvios no Ministério do Trabalho relacionados à concessão do registro sindical.

Segundo a PF, há indícios de crimes de ocultação de bens e valores obtidos a partir dos lucros oriundos das fraudes nas restituições de contribuição sindical identificadas na operação. A ação constatou que um dos investigados da operação, ligado à Força Sindical, tem usado a companheira como laranja. O ato inclui a transferência de bens e valores, com o objetivo de burlar uma ordem da 12ª Vara Federal do DF, que decretou a indisponibilidade do patrimônio do investigado.

Os envolvidos responderão pelo crime de lavagem de dinheiro, cuja pena pode chegar a 10 anos de prisão (Lei n. 9.613/1998). A Polícia Federal não informou a identidade dos envolvidos. O Correio tentou contato com a Força Sindical mas não obteve resposta. O espaço segue aberto para manifestações.

Registro Espúrio

A Operação Registro Espúrio foi deflagrada em 30 de maio de 2018. Em julho daquele ano, o então ministro do Trabalho, Helton Yomura, foi um dos alvos da terceira fase da operação. À época, a Polícia Federal e a Procuradoria-geral da República pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF) o afastamento de Yomura do ministério. A medida foi aceita pelo ministro Edson Fachin, relator do caso na corte.

Em agosto de 2018, a Polícia Federal concluiu o relatório da operação e apontou a participação de 39 pessoas, entre políticos, sindicalistas e servidores públicos nas fraudes. Entre os nomes apontados como integrantes do grupo está o presidente do PTB, Roberto Jefferson, e a filha dele, a deputada Cristiane Brasil.

O documento mostrou também, além do ex-ministro do trabalho, Helton Yomura, a participação dos deputados federais Jovair Arantes (PTB-GO), Paulinho da Força Sindical (SD-SP), Wilson Santiago Filho (PTB-PB) e Nelson Marquezelli (PTB-SP). De acordo com a corporação, as ações de corrupção eram lideradas e organizadas pelo núcleo político.

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