Coronavírus

Com mais doses, DF começará a vacinar professores para retorno presencial

Distrito Federal aguarda a chegada de mais 85,2 mil doses de vacinas para iniciar a imunização dos educadores e servidores de creches. Segundo a estimativa do governo, há cerca de 10 mil profissionais atuando em instituições de ensino dos anos iniciais da redes pública e privada

Samara Schwingel
Edis Henrique Peres
postado em 18/05/2021 06:00
 (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press)
(crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press)

No aguardo da chegada de mais 85,2 mil doses de vacinas contra a covid-19, o Distrito Federal planeja iniciar a imunização de professores de creches das redes pública e privada até quinta-feira. A Secretaria de Educação estima que esse público seja composto por cerca de 10 mil pessoas. Além disso, o governador Ibaneis Rocha (MDB) determinou, também, que tenha início a vacinação de pessoas com comorbidades de 30 a 49 anos, público composto por cerca de 53 mil pessoas. O agendamento para esse grupo começou ontem.

O plano para a imunização dos educadores foi elaborado em conjunto pela Secretaria de Educação e de Saúde. De acordo com o secretário-chefe da Casa Civil, Gustavo Rocha, esses profissionais serão vacinados em postos próximos aos respectivos locais de trabalho. “A Educação vai passar uma lista para a Secretaria de Saúde com os nomes e locais de trabalho de cada professor e, com base nessa lista, a Saúde organizará os locais para vacinação”, disse, durante coletiva no Palácio do Buriti na tarde de ontem.

Ainda segundo Rocha, não será necessário, a princípio, que os educadores agendem a aplicação das doses nem apresentem documentos específicos de comprovação da profissão. Além disso, o secretário de Saúde, Osnei Okumoto, também presente na coletiva, afirmou que as instituições particulares de ensino vão enviar listas próprias com os nomes dos profissionais a serem contemplados nesta fase. “As informações precisam ser verídicas, pois, se houver caso de fura-fila, as pessoas serão responsabilizadas”, reforçou. Com as listas, as pastas vão informar, assim que a vacinação começar, a qual posto cada profissional deve ir.

A intenção do GDF é vacinar todos os profissionais da educação, desde o ensino básico até o universitário. Porém a ampliação desse processo depende do envio de doses de vacinas contra o coronavírus por parte do Ministério da Saúde. Das doses a serem recebidas esta semana, as cerca de 30,1 mil da AstraZeneca/Oxford serão distribuídas para pessoas com comorbidades e professores. Segundo Okumoto, as 8,1 mil doses da Pfizer/BioNTech serão destinadas a grávidas e puérperas com comorbidades. Outras 47 mil unidades de AstraZeneca serão reservadas para a aplicação da segunda dose.

Até o momento, o DF vacinou 559,7 mil pessoas com a D1 (primeira dose) e 293,7 mil com a D2 (segunda dose). Apenas ontem, 6.674 pessoas receberam os imunizantes, sendo que 4.547 receberam a primeira aplicação e 2.127, o reforço. A autônoma Suely Bonfim dos Santos, 51 anos, se emocionou ao tomar a primeira dose da vacina contra a covid-19. Com comorbidades, ela se imunizou na Unidade Básica de Saúde (UBS) 1 de Brazlândia, ontem. “Feliz porque eu consegui chegar até aqui para tomar a vacina, mas triste por tanta gente e tantos amigos terem ido embora”, diz.

Retorno


Apesar do início da vacinação de educadores, a professora do Departamento de Biologia Celular da Universidade de Brasília (UnB), Anamélia Lorenzetti Bocca explica que é primordial que os profissionais recebam as duas doses da vacina antes de planejar um retorno presencial às aulas. “É preciso sempre lembrar que os professores estarão vacinados, mas trabalham com crianças que não estão. Ou seja, as crianças se tornam um caminho de transmissão e de infecção, mesmo que não apresentem os sintomas clínicos”, frisa. Por isso, Anamélia destaca que os pais devem ser orientados a não enviar os filhos que estiverem com quaisquer sintomas. “Assim como as professoras devem ser afastadas quando sentirem algo diferente e voltarem apenas com o exame negativo de covid-19”, completa.

Porém algumas unidades particulares de ensino já retornaram às aulas presenciais no fim de dezembro, quando foram liberadas pelo GDF. Letícia Padilha, representante da creche Anjos da Guarda para alunos de 3 meses a 5 anos, localizada em Taguatinga Norte, explica que os funcionários estão ansiosos pela vacina. “A gente trabalha porque é necessário, e os pais precisam de um lugar para receber os filhos, seguimos as medidas preventivas, mas a imunização confere uma certeza maior de estarmos protegidos”, destaca. A unidade, de acordo com Letícia, segue as recomendações de uso de máscaras, distanciamento social e álcool em gel.

Comorbidades


Na tarde de ontem, foram abertas vagas para o agendamento de pessoas com comorbidades que estejam na faixa etária de 30 a 49 anos. Segundo a Secretaria de Saúde, esse público é estimado em cerca de 40 mil pessoas. Para realizar o agendamento é preciso ter o cadastro no site vacina.saude.df.gov.br e, pelo mesmo endereço, escolher o local, a data e hora do atendimento.

No dia da vacinação, é preciso apresentar documento de identificação para comprovar a idade, carteira de vacinação, comprovante de agendamento e laudo médico original comprovando a existência da doença crônica preexistente de, no máximo, seis meses de emissão. Segundo o GDF, apenas quem apresentar os documentos necessários será vacinado. Quem, por algum imprevisto, não conseguir comparecer ao posto no dia marcado, poderá voltar ao local no dia seguinte para receber a primeira dose.

Apesar do avanço da imunização, César Carranza, médico infectologista do Hospital Anchieta, salienta que a vacina deve ser acompanhada por diversos outros cuidados. “Hoje sabemos que o vírus se transmite, principalmente, por via área e bem menos por um local estar contaminado. Por isso, áreas ventiladas são o principal meio de evitar contágios em qualquer espaço”, diz.

Novos casos


O Distrito Federal registrou 1.049 novos casos de covid-19, ontem, de acordo com o boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde. Com a atualização, a capital federal soma 393, 6 mil casos confirmados da doença. No mesmo período, foram notificadas 28 mortes. Sete ocorreram ontem. Entre essas, quatro eram mulheres, três, homens; todos tinham algum tipo de comorbidade. Do total de 8.345 mortes por complicações da covid-19 no DF; 82,7%, ou seja, 6.898, tinham alguma doença crônica preexistente considerada comorbidade. Ainda em relação às mortes, 703 pessoas moravam em outros estados, sendo 605 de Goiás e o restante de outras 4 unidades da Federação.

Segundo divulgado pelo secretário da Casa Civil, Gustavo Rocha, em coletiva na tarde desta segunda-feira, a taxa de transmissão da doença está em 0,88. A média móvel de casos está em 873, 11,18% menor que há 14 dias. A mediana de morte está em 27,86, valor 24% menor que o registrado há duas semanas. Do total de casos confirmados, a maior incidência está nas faixas etárias de 30 a 39 anos, que soma 99,6 mil infecções desde o início da pandemia.

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