Pandemia

Saiba como será a vacinação contra covid-19 no DF neste neste fim de semana

Mais de 62 mil pessoas receberam a primeira dose dos imunizantes e 14.769, o reforço, nessa sexta-feira (23/7). Expectativa da Secretaria de Saúde é de atender 100 mil moradores do Distrito Federal com a D1 até domingo (25/7). Neste fim de semana de campanha, 74 postos estão funcionando

Samara Schwingel
Rafaela Martins
postado em 24/07/2021 06:00
Após perder amigos para a covid-19, Luciana Guimarães ficou aliviada de tomar a primeira dose -  (crédito:           Marcelo Ferreira/CB/D.A Press                          )
Após perder amigos para a covid-19, Luciana Guimarães ficou aliviada de tomar a primeira dose - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )

Durante o primeiro dia do mutirão de vacinação contra a covid-19 no Distrito Federal, nessa sexta-feira (23/7), cerca de 77,6 mil pessoas foram vacinadas, sendo 62.668 com a primeira dose; 14.769, com a segunda; e 236, com dose única. Os números de D1 e D2 são os recordes de aplicações diárias desde o início da campanha, em janeiro deste ano. A expectativa da Secretaria de Saúde é de atender, até domingo (24/7), 100 mil pessoas de 37 anos ou mais com a primeira dose. Para o reforço, a pasta espera atender 182 mil pessoas até o fim do mês.

Sem agendamento, a campanha foi marcada por filas e espera em alguns pontos de atendimento — ao contrário do que foi divulgado anteriormente pela Secretaria de Saúde, nessa sexta-feira, 96 postos funcionaram. Seriam 100. Neste sábado (24/7) e domingo, são 74 postos operando das 9h às 17h. O mutirão se encerra neste domingo. Para se vacinar, é preciso ter 37 anos ou mais e comparecer com um documento de identificação com foto. Nessa sexta-feira, a pasta incluiu grávidas e puérperas no público-alvo do mutirão. Como elas têm contraindicação para receber a AstraZeneca, serão atendidas em pontos específicos (veja Gestantes e puérperas).

Na avaliação do subsecretário de Vigilância à Saúde e presidente do Comitê de Operacionalização da Vacinação, Divino Valero, o primeiro dia de mutirão foi um sucesso. “Dentro do que esperávamos, e a resposta da população foi muito boa. Tivemos muita procura no início da manhã, mas estávamos preparados. Alguns postos aplicaram 1.300 doses até as 14h”, ressalta. Para ele, a grande procura pelos imunizantes demonstra que a secretaria está no caminho certo. O subsecretário afirma que 1.500 profissionais estão envolvidos no atendimento à população. “Agradeço a todas as equipes que atuam nessa campanha pelo empenho. E, neste sábado, estamos esperando aqueles que não compareceram nessa sexta-feira”, convida.

Parte do público a ser vacinado pela faixa etária, Felipe Cruz, 37 anos, estava ansioso e, ao receber a lista com os locais de atendimento, se preparou para chegar o mais cedo possível na Unidade Básica de Saúde nº 2 do Guará. Ele estava no local por volta das 7h, mas encontrou uma grande fila e decidiu tentar mais tarde. “Percebi que ia me atrasar para o trabalho. Por isso, optei por ir logo ao Plano Piloto trabalhar”, conta o designer gráfico e morador do Guará.

Pela tarde, Felipe foi informado de que a UBS nº 2 do Cruzeiro estava com pouca movimentação. “Esperei 1h30 para ser atendido, mas consegui me vacinar”, celebra. Agora, é aguardar pela aplicação do reforço. “Desde o início, sempre quis me vacinar. A imunização ainda não está completa, então se cria a expectativa pelo dia que vou tomar a segunda dose”, considera.

O piscicultor Adenilson Vieira, 56, ainda não conseguiu se vacinar. Ele mora na área rural de São Sebastião, tem dificuldade de se deslocar até a zona urbana e de acessar a internet. nessa sexta-feira, ficou cinco horas na fila da UBS nº 2 de São Sebastião e não recebeu o imunizante. “Cheguei às 10h e, por volta das 15h, uma enfermeira falou que só tinha mais 50 doses, o restante não conseguiria ser atendido”, critica. Ele foi orientado a retornar neste sábado, mas não sabe se consegue. “Moro longe, não tenho carro. Fica difícil”, lamenta.

Avaliação

Apesar das grandes filas, o movimento nos postos de saúde ficou mais tranquilo durante a tarde. O analista de sistemas Thiago Nascimento, 37, procurou pela imunização no início da manhã dessa sexta-feira. Porém, como a secretaria não informou que alguns locais só funcionariam durante o fim de semana, o morador de Águas Claras chegou ao Taguaparque e não encontrou atendimento. “Resolvi ir trabalhar. Depois, conversando com alguns amigos, vi quais locais estavam atendendo”, diz.

Por volta de 13h30, Thiago foi à UBS nº 4 do Guará. “Recebi atendido em 15 minutos e não tinha mais de 30 pessoas na fila”, destaca. Agora, depois de vacinado, ele afirma que se sente mais tranquilo. “Tirei um peso enorme dos ombros. Não dá para relaxar ainda, mas já é uma segurança a mais”, avalia.

Para o infectologista Dalcy Albuquerque, o desafio do mutirão está relacionada à comunicação. “Deixamos de ter uma fila virtual para ter uma presencial. Além disso, a divulgação dos locais foi falha, muito tardia. Tivemos filas enormes em locais já conhecidos, e os novos estavam muito vazios. Realmente, requer uma divulgação maior”, ressalta. O médico argumenta que, para os próximos dias, seria estratégico dividir os pontos de imunização por faixa etária. “Colocar uma idade para ser atendida em um posto, outra em outro. Seria uma forma interessante de organizar”, diz.

Apesar dos problemas registrados, a médica Lívia Ribeiro, da Sociedade de Infectologia do DF, avalia que a ação ocorreu dentro da normalidade. “O mutirão serve, justamente, para acelerar a vacinação. Tivemos sobrecarga em alguns postos, mas outros estavam tranquilos”, pondera.

A secretária Luciana Guimarães, 41, se programou para tomar a vacina antes de entrar no trabalho, no Parque da Cidade. “A esperança vive entre a gente, para que possamos nos livrar desse vírus e viver normal. Eu perdi amigos para a covid-19 e estou satisfeita com a vacina que vou tomar aqui”, comenta.

O autônomo Ricardo Vasconcelos, 38, disse que teve de enfrentar muitos obstáculos nesta pandemia, por trabalhar com eventos. Receber o imunizante, para ele, é fundamental. “Essa doença vem nos assustando há muito tempo. Qualquer percentual a mais de proteção é bom, por isso qualquer vacina é boa. Peguei uma fila de cem carros. É mais do que necessário para mim, pois estou há dois anos com dificuldades na área que trabalho”, diz.


Programe-se

Horários
Sábado e domingo: das 9h às 17h

O que levar?
Documento de identidade com foto.


Gestantes e puérperas

Asa Sul
Unidade Básica de Saúde nº 1 — 1ª dose

Asa Norte
Unidade Básica de Saúde n° 2 — 1ª dose

Brazlândia
Unidade Básica de Saúde nº 1 — 1ª e 2ª doses

Ceilândia
Unidade Básica de Saúde nº 3 — 1ª dose
Unidade Básica de Saúde nº 7 — 1ª dose

Cruzeiro
Unidade Básica de Saúde nº 2 — 1ª dose

Gama
Unidade Básica de Saúde nº 3 — 1ª e 2ª doses
Sesi Gama — (só drive-thru) — 1ª e 2ª doses

Guará
Unidade Básica de Saúde nº 1 — 1ª e 2ª doses

Núcleo Bandeirante
Unidade Básica de Saúde nº 1 — 1ª e 2ª doses

Paranoá
Quadra do Paranoá — 1ª dose

Parque da Cidade
Estacionamento 13 (só drive-thru) - 1ª dose

Planaltina
Unidade Básica de Saúde nº 5 — (inclui drive-thru) — 1ª e 2ª doses

Riacho Fundo 2
Unidade Básica de Saúde nº 1 — 1ª e 2ª doses

Santa Maria
Igreja Assembleia de Deus — 1ª e 2ª doses

São Sebastião
Ginásio São Bartolomeu São Sebastião — 1ª dose

Sobradinho
Unidade Básica de Saúde nº 1 — (inclui drive-thru) — 1ª e 2ª doses

Sobradinho 2
Regional de Ensino de Sobradinho 2 — (inclui drive-thru) — 1ª e 2ª doses

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