Entrevista

Administradora do Plano Piloto defende políticas para garantir direitos humanos

A tendência de ocupação dos espaços públicos pela população do DF veio para ficar, segundo a administradora Regional do Plano Piloto, Ilka Teodoro. Ela destaca os projetos de recuperação, como os realizados na Galeria dos Estados e na W3 Sul. Outras áreas, a exemplo das passarelas subterrâneas, são prioridades

Jéssica Moura
postado em 27/07/2021 06:00
"Brasília é uma cidade parque, a gente tem amplos espaços gramados, com árvores" - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

A administradora Regional do Plano Piloto, Ilka Teodoro, destacou ao programa CB.Poder — parceria do Correio Braziliense com a TV Brasília —, que todas as edificações da cidade que poderiam oferecer risco à população foram vistoriadas nesta gestão e passaram por reformas. Depois da Galeria dos Estados, as próximas na lista de revitalização são as passagens subterrâneas do Eixão. Ilka Teodoro, primeira mulher negra a ocupar a administração regional da cidade, ressaltou que políticas afirmativas são necessárias para assegurar a defesa dos direitos humanos. “Essa representatividade importa”, disse em entrevista ao jornalista Alexandre de Paula, nessa segunda-feira (26/7).

São dois anos e meio de mandato do governador Ibaneis Rocha (MDB), e você está desde o começo na administração do Plano Piloto. Quais os principais destaques desse período?
Nesses últimos dias, a gente se dedicou intensamente a organizar o Orçamento da Administração Regional, fazendo o planejamento para os próximos anos, partindo do pressuposto de que um bom planejamento é fundamental para que as ações efetivamente saiam do papel.

No que a pandemia impactou as ações que estavam previstas?
O impacto foi realmente que uma série de ações que estavam programadas, de capacitação da equipe, da comunidade, e várias dessas iniciativas são feitas presencialmente, e isso tudo foi interrompido com a pandemia.

Uma tendência que começou a se fortalecer nos últimos anos é a ocupação dos espaços públicos. Como a administração vê isso, pensando na preservação?
Brasília é uma cidade parque, a gente tem amplos espaços gramados, com árvores. Recentemente, um projeto do Governo do Distrito Federal (GDF) foi o fechamento da W3 (Sul) aos domingos para os carros, com abertura para os pedestres. Então, a gente percebe que já existia essa tendência das pessoas usarem o espaço público, mas ainda era muito pouco.

Nesses becos (da W3 Sul), tem a ideia de economia colaborativa, de vários espaços em um lugar só?
Brasília tem um potencial muito grande de economia criativa. A gente tem estudos da Codeplan que para cada R$ 1 investido em economia criativa, quase R$ 7 voltam para circulação, de incremento na economia local.

A Galeria dos Estados é um símbolo dessa necessidade que o DF tem de manutenção constante. Ficou abandonada por décadas e acabou culminando com aquele acidente de 2018. Como está sendo feita essa manutenção nas áreas?
O que se identificou é: mapear todas as grandes obras, para que exista um planejamento de manutenção. Ao mesmo tempo, você precisa de uma ocupação qualificada. Se você deixa uma área esquecida, uma área degradada, fatalmente ela vai sofrer com muito mais intensidade as ações do tempo e outras intempéries ou, até mesmo, vandalismo.

A população pode ficar mais tranquila nesse momento?
Todas as edificações ou estruturas que ofereciam risco à população sofreram intervenções de reestruturação, revitalização, ou reparo estrutural para que deixassem de oferecer esse risco.

A administração tem feito ações pela diversidade. Quais foram elas e qual a importância disso?
A gente entende que administração pública precisa, também, refletir toda essa perspectiva de proteção de direitos humanos e de defesa dos grupos que são minorizados na sociedade.

Você é a primeira administradora mulher negra do Plano Piloto. Ainda falta essa representatividade? Como, de dentro, é possível ter esse olhar e mudar a partir dessa perspectiva?
Ainda falta muita representatividade. É importante a gente sempre reafirmar que essa representatividade importa. Importa muito, porque, quando uma menina olha para uma mulher em um espaço de poder, e ela se enxerga, ela sabe que aquele lugar é alcançável para ela.

Na prática, o que você acha que deve ser feito para que isso aconteça?
São tantas coisas que precisam ser feitas, mas o primeiro passo é ocupar, porque isso fica marcado como uma necessidade e como uma urgência. A segunda, são mecanismos de estímulo, que são as ações afirmativas, fundamentais para que se possa iniciar esse processo de mudança de cultura.

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