Crime

Vítimas de grupo que induzia o suicídio no DF eram amigas

As duas jovens, 21 e 22 anos, moravam no Paranoá. Em operação para deter o grupo, a PCDF prendeu três pessoas

Renata Nagashima
postado em 29/09/2021 14:51 / atualizado em 29/09/2021 17:58
 (crédito: PCDF)
(crédito: PCDF)

As vítimas do grupo investigado pela operação “Methylene Blue”, da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), deflagrada nesta quarta-feira (29/9) para prender membros da organização que estimula o suicídio de jovens na DeepWeb e em grupos de mensagens, eram amigas. A primeira era uma gamer, 21 anos, moradora do Paranoá. Ela ficou no grupo por cerca de dois meses até tirar a vida. A segunda, amiga dela, morreu um mês depois, aos 22 anos. Ela trabalhava em um escritório de advocacia de Brasília. Ainda não se sabe se a segunda vítima fazia parte do grupo.

As investigações tiveram início após a morte da primeira vítima. A PCDF apreendeu o aparelho celular e o computador da jovem e identificou que ela fazia parte do grupo CTBus, (Catch the Bus), expressão em inglês utilizada para se referir ao cometimento de suícidio. “Com posse das mensagens, identificamos que o núcleo do grupo atuava inicialmente na DeepWeb, convidando as pessoas a participar do grupo no território nacional”, explicou o delegado-chefe da 6ª DP, Ricardo Viana.

A associação criminosa atuava auxiliando as pessoas a cometer o autoextermínio, conversando, indicando medicamentos e dosagens certas para cada pessoa. Segundo Viana, responsável pela investigação, além da substância que tiraria a vida das vítimas, eles também indicavam medicamentos para que elas não sentissem dor ou vomitassem os elementos. “Eles agiam de forma muito organizada. Receitavam a substância, dosagem de acordo com o peso e a idade da vítima e a forma de não sentir dor durante o procedimento.”

O delegado disse, ainda, que o grupo era acolhedor, oferecia apoio e demonstrava empatia com os problemas das vítimas. “Eles criavam esse ambiente dizendo que entendiam a dor da pessoa, que queria tirar a vida também, mas não conseguiam, davam dicas de como as pessoas poderiam tentar o autoextermínio. No entanto, mesmo induzindo pessoas à morte, nenhum membro desse núcleo chegou a praticar o que receitavam”, acrescentou.

Três investigados foram presos. Dois em São Paulo e um em Goiânia. Há um quarto suspeito foragido, no Rio de Janeiro. Mandados de prisão e busca e apreensão foram cumpridos no Distrito Federal, em Goiás, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Os apreendidos serão encaminhados para Brasília, onde ficarão à disposição da justiça. Eles devem responder pelos crimes de incentivo ao suicídio qualificado pelo resultado morte e associação criminosa.

 

 

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