Entrevista

Dois mil empregos no fim de ano, prevê vice-presidente do Sindivarejista

O vice-presidente do Sindicato do Sistema Comércio (Sindivarejista), Sebastião Abritta, destaca crescimento nas vendas de Natal e réveillon, que deve variar de 9% a 13%

Rafaela Martins
postado em 02/11/2021 06:00
Avaliação é de que o 13º salário injete mais de R$ 7 bilhões na economia do DF -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Avaliação é de que o 13º salário injete mais de R$ 7 bilhões na economia do DF - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

O vice-presidente do Sindicato do Sistema Comércio (Sindivarejista), Sebastião Abritta, avalia que a pandemia da covid-19 impactou fortemente no comércio local, mas que a expectativa de melhora em dezembro está alta, devido à injeção de R$ 7,8 bilhões, provenientes do 13º salário. Em entrevista ao programa CB.Poder, nessa segunda-feira (1º/11), — parceria do Correio Braziliense com a TV Brasília — ele destaca que o crescimento esperado nas vendas para as datas comemorativas de fim de ano — Natal e ano novo — deve variar entre 9% e 13%.

Sebastião Abritta adiantou, ao jornalista Vicente Nunes, que o período também vai fomentar o mercado de trabalho, graças às contratações temporárias. "Ano passado geramos cerca de 1 mil vagas de emprego, mas, este ano, podemos chegar a 2 mil. Estamos otimistas. Por conta da pandemia, o consumidor estava tímido para ir às ruas, mas, com o aumento da vacinação e a queda das infecções, isso deve melhorar", ressaltou. Segundo o vice-presidente do Sindivarejista, a estimativa é de que de 10% a 20% dos trabalhadores temporários sejam efetivados em janeiro de 2022.

Como o comércio está se preparando para o fim de ano? Quantas vagas de emprego serão abertas? Quem quiser se candidatar precisa fazer o quê?

O Sindivarejista tem um site (www.sindivarejista.com.br) em que a pessoa entra, clica em "balcão de emprego", preenche o currículo, e esse documento fica no nosso sistema para atender às possíveis vagas que vão surgir no final de ano, chamadas de temporárias. Ano passado, nós geramos mais de mil empregos, e, este ano, podemos gerar até 2 mil vagas no Distrito Federal, quase o dobro. Estamos otimistas, pois, em 2020, estávamos sob o efeito da pandemia, e o consumidor não queria sair de casa. O que gera emprego no varejo é a presença do consumidor na loja olhando, escolhendo e experimentando o que ele quer.

Dessas vagas para temporário, quantas pessoas serão efetivadas? Conseguimos ter esse percentual?

O objetivo do Sindivarejista é facilitar ao máximo que o empresário abra mais vagas de emprego e mais unidades. Aumentar renda e emprego, no Brasil, é o que precisamos. Normalmente, em janeiro, de 10% a 20% dessas pessoas que preenchem as vagas vão para o quadro efetivo do lojista, mas isso vai depender do desempenho de cada um e do trabalho que ele vai exercer neste período, se vai se destacar dos demais. Já o salário é de acordo com a categoria, carga horária e segmento do terceiro setor. Todos os anos, as mulheres ocupam 60% das contratações e os homens, 40%. Acho que isso ocorre porque os homens são mais acomodados, e as mulheres têm uma visão mais ampla da realidade.

Existe espaço tanto para jovens quanto para pessoas mais velhas no mercado?

Espaço, eu acho que existe sim. A pessoa tem que correr atrás, ter foco e distribuir o máximo de currículo. É bom que a pessoa tenha boa aparência e fácil comunicação, porque, normalmente, o empresário tem um perfil. Às vezes, ele precisa de alguém que está iniciando a carreira profissional, para que o lojista possa moldar o trabalhador, e tem lojista que prefere uma pessoas mais experiente, que tenham contatos e uma carteira de clientes. A oportunidade é para todos, mas depende da insistência e da persistência da pessoa de convencer que ela consegue atender aos atributos daquela vaga que surgiu.

Quanto vocês estão prevendo para o crescimento das vendas de Natal para 2021?

Estamos estimando um crescimento de 9% a 13%, pois, no ano passado, em todas as datas comemorativas, tivemos uma redução de menos 2% no varejo. No dia das crianças, em roupas infantis, crescemos 6% e, em brinquedos, 9%, então você percebe o movimento no shopping center e nas lojas de rua. Isso traz ânimo para investir em novas coleções, em lançamentos e em promoções. Quando começou a pandemia, a venda por impulso acabou. Quando o cidadão está passeando e olhando as vitrines, ele acaba comprando, mas, em 2020, isso não aconteceu. Roupas e calçados são os produtos mais procurados.

As pessoas ficaram presas ao e-commerce durante a pandemia. Como vai ser essa disputa? E em relação à inflação, como será o preço médio dos produtos?

Realmente, essa questão de compras pela internet ia chegar mais cedo ou mais tarde. Com a pandemia, os lojistas tiveram que se adequar. Mas, com certeza, o perfil do consumidor brasileiro é aquele que gosta de ver e pegar no produto. Sem contar que ele vai passear no shopping e usa a praça de alimentação, vai no cinema, e uma coisa puxa a outra. Além disso, mesmo com a inflação que vem corroendo o poder de compra, estamos na expectativa de que vamos ter um valor médio de R$ 270 no presente, enquanto, ano passado, esse valor foi de R$ 230.

Como o brasileiro vai pagar as compras?

Por incrível que pareça, o PIX não decolou, e quem lidera mesmo é o cartão de crédito. Nós temos que contar que, em dezembro, nós temos o recebimento do 13° para o trabalhador. O 13° deve injetar mais de R$ 7,8 bilhões na economia do Distrito Federal no mês de dezembro. Tem consumidor que vai limpar o nome e fazer novas compras por meio do cartão de crédito, e tem consumidor que está com o CPF em dia e vai fazer compras nas lojas.

Estamos chegando no ano eleitoral. Isso tem impacto no varejo? O governo tem participação positiva no comércio?

Com certeza. O Governo do Distrito Federal fez toda a diferença, pois tivemos, por meio do Banco de Brasília (BRB), o programa Supera-DF, o parcelamento dos impostos e o Refis. Esse conjunto de fatores facilitou a retomada e evitou o fechamento de empresas. O governo federal também ajudou com o auxílio emergencial, e isso mudou um pouco o perfil do consumidor, que logo comprou coisas para a residência como eletrodomésticos, sofás, toalhas e outros produtos. No DF, mais de 2 mil lojas fecharam, e isso impactou entre 6 mil e 8 mil trabalhadores, que ficaram desempregados.

Quais são os desafios para manter um crescimento sustentável gerando empregos e renda no DF ao longo dos anos?

O desafio maior é a manutenção do emprego, o controle da inflação e a baixa dos juros. É um conjunto, porque, se a inflação sobe demais e os produtos ficam mais caros, cai o poder de compra. Mas o emprego não liquida totalmente isso, porque tendo um, se você consumia o produto "A", agora, você passa a consumir o "B". Então, o cidadão ainda tem giro, e o varejo continua vendendo. Mas, quando não há geração de emprego nem perspectiva, isso impacta de modo grande a cadeia produtiva. A pandemia mudou o hábito de consumo das pessoas.

Durante a pandemia, o comércio do Entorno se recuperou primeiro do que o centro de Brasília, por quê?

Brasília é dominada pelo funcionarismo público. Fechou o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, e o pessoal ficou em casa. Não tinha porquê a pessoa vir no Plano Piloto. Quando o cidadão vem trabalhar nesses órgãos, ele acaba consumindo pelo centro, mas o trabalho remoto mudou isso. Brasília anoitece com 250 mil habitantes e, no auge do comércio, o trânsito no Plano Piloto tinha 1 milhão de pessoas. Com as pessoas em casa e podendo comprar pela internet, o Plano não teve a sua total capacidade de consumo nas lojas e nas ruas. Mas acreditamos que, em dezembro e janeiro, a vida continua, pois o pior já ficou para trás.

 

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