Economia

Avanço da vacinação e fim de ano animam setor de eventos no DF

Embora de forma tímida, a retomada das festas e encontros anima representantes do setor. Categoria projeta crescimento principalmente para o começo de 2022, com o destaque em encontros corporativos

Edis Henrique Peres
postado em 08/11/2021 05:52 / atualizado em 08/11/2021 05:53
As formaturas do ensino médio e universidades são destaques -  (crédito: Arquivo Pessoal)
As formaturas do ensino médio e universidades são destaques - (crédito: Arquivo Pessoal)

A flexibilização das medidas sanitárias e o avanço da vacinação na capital do país vêm aquecendo o mercado de eventos no DF. Embora o crescimento seja tímido e não alcance os índices do mesmo período de 2019, a procura pela realização de eventos garante uma retomada do setor que parou as atividades, em 2020, devido à pandemia do novo coronavírus. Alguns comerciantes chegam a projetar um crescimento de até 20% da procura e comemoram a agenda de programação fechada.

O DF tem avançado na imunização contra covid-19. A unidade da federação atingiu a marca de 1.675.243 pessoas vacinadas com a segunda dose ontem. Mas, levantamento semanal do Ministério da Saúde, aponta que 306 mil ainda estão com a segunda dose atrasada na capital. De acordo com os dados do órgão, 58,2% dos brasileiros estão vacinados com as duas doses do imunizante.

Um dos destaques neste período do ano é a realização de formaturas. Pâmela Lima, 33 anos, é diretora comercial da VIP Formaturas e destaca: "Estamos confiantes, principalmente com a retomada das aulas 100% presenciais das escolas públicas". Pâmela avalia que a formatura motiva os estudantes. "Muitos estavam desanimados, por estarem tendo aulas on-line. Agora, vejo que estão ansiosos e estimulados", avalia.

A diretora comercial atribui o otimismo ao avanço da vacinação. "Não só esperamos voltar à ativa, como estamos com uma projeção de ter mais eventos que 2019, principalmente porque os estudantes estão carentes, sentindo falta desse tipo de comemoração. Inclusive, nossa agenda de eventos está lotada", conta. Contudo, Pâmela confessa que vencer 2020 foi um desafio. "A nossa empresa ficou muito atenta à questão da pandemia. Nossos funcionários ficaram em home office e muitos eventos foram adiados. Tentamos ao máximo oferecer, quando as medidas foram sendo liberadas, eventos que atendessem às expectativas e que não tivessem aglomeração", detalha.

Luís Otávio, presidente do Sindicato das Empresas de Promoção, Organização, Produção e Montagem de Feiras, Congressos e Eventos do Distrito Federal (Sindieventos), destaca que a retomada ainda é lenta. "Estamos vivendo um momento em que as regras ainda estão impostas e precisam ser cumpridas. Os eventos que voltam mais rápidos são os sociais, pois aconteceriam mesmo se não houvesse uma flexibilização das regras, pois possuem datas inflexíveis", conta.

O presidente do sindicato destaca que congressos, seminários e encontros corporativos prometem se destacar no começo do próximo ano. "Em 2020, o setor parou completamente, os que tinham empresas com funcionários precisaram cortar gastos, enxugar as despesas. Mesmo agora com a retomada, algumas casas de eventos ainda aguardam uma flexibilização melhor para fechar contratos de eventos", frisa.

Desafios

Amanda Oliveira, 29 anos, analista de comunicação da Lummi Eventos, destaca que a procura tem aumentado conforme a imunização avança na capital do país. "Os formandos vêm com muita expectativa de voltar à normalidade, principalmente agora que a vacinação de muitos jovens já aconteceu. Esperamos que as coisas se normalizem o quanto antes e, enquanto isso, seguimos cumprindo os diversos protocolos, até alcançarmos o mesmo número de eventos de antigamente. O ano passado foi bem difícil, mas fizemos um trabalho de incentivo estratégico muito grande para os formandos não desistirem dos pacotes de formatura. Mesmo assim, muitos desistiram", diz.

Apesar do otimismo, o setor enfrenta desafios com a falta de orientação por parte do governo. Christiane Villas, 55 anos, gerente de eventos e cerimonialista, destaca a falta de orientação dada à categoria. "Os decretos que vêm do governo costumam ser confusos para a gente do setor de eventos. Inclusive já solicitei, oficialmente, esclarecimentos das diversas dúvidas que temos, mas ainda não recebi resposta", assegura. Segundo ela, faltam informações sobre a capacidade de pessoas liberadas para cada tipo de estrutura.

"Apesar da falta de esclarecimentos, a fiscalização está atenta para multar os espaços e embargar eventos. Contudo, a parte de orientações a gente não tem. Por exemplo, o último decreto liberava atender 50% da capacidade, mas isso foi há meses e, agora, já há espaços que estão recebendo 75% do público. São vários detalhes que fazem muita diferença na hora de organizar uma festa de médio e até mesmo pequeno porte", afirma.

Paulo Roberto da Costa, proprietário do Projeto Eventos Festas e Formaturas, explica que há um início de procura, mas sem tanta efetivação. "As pessoas estão pesquisando, fazendo orçamentos, mas apenas um ou outro fecha o pacote. Além disso, tem o medo do público. Quando algumas atividades foram liberadas e os clientes quiseram realizar as programações previstas, o público ficou receoso de participar", destaca. Na opinião de Paulo, o cenário se mostra mais positivo para o próximo ano. "Os eventos corporativos estão em destaque para o próximo ano. Além disso, estamos trabalhando com uma parceria para um projeto de shows, o Hostel Music, em um espaço de 3,5 mil m², que começa a programação a partir do dia 12 deste mês", explica.

Economia

A crise financeira também é um empecilho para a realização de eventos de grande porte. Em geral, os alunos começam a se organizar meses antes da formatura para arrecadar a quantia necessária para a festa. Com o cenário incerto da pandemia, o planejamento da despedida dos estudantes ficou muito em cima da hora. Por isso, alguns alunos do Centro de Ensino Médio 1 de Planaltina se mobilizaram para não deixar de celebrar, sem gastar muito.

"Planejamos uma festa por vontade própria. Nos juntamos para alugar uma chácara e ficar por lá mesmo, sem nenhum envolvimento da escola ou empresa. Não vai ter os privilégios que teria sendo uma festa arrumada por empresa especializada, mas vai servir porque não fica tão caro assim. Foi nossa escapatória para não acabarmos o ensino médio sem despedida", conta Vitória Galdina, 17 anos e aluna do 3ª ano da CEM 1. Palloma Moura, 17 anos, explica a iniciativa. "Nós nos organizamos por meio dos grupos de WhatsApp. Não viveremos mais o 'terceirão', então a importância é enorme, porque também não vivemos o ensino médio", finaliza.

* Colaborou Pablo Giovanni*

* Estagiário sob a supervisão de Ana Maria Campos

 

  • Setor de eventos projeta retomada tímida para este fim de ano. O começo de 2022 também garante aquecer economia com destaque em eventos corporativistas
    Setor de eventos projeta retomada tímida para este fim de ano. O começo de 2022 também garante aquecer economia com destaque em eventos corporativistas Foto: Arquivo Pessoal
  • Setor de eventos projeta retomada tímida para este fim de ano. O começo de 2022 também garante aquecer economia com destaque em eventos corporativistas
    Setor de eventos projeta retomada tímida para este fim de ano. O começo de 2022 também garante aquecer economia com destaque em eventos corporativistas Foto: Arquivo pessoal
  • Formandos demonstram muita expectativa de retomada da normalidade, mas também têm medo de aglomerações na pandemia
    Formandos demonstram muita expectativa de retomada da normalidade, mas também têm medo de aglomerações na pandemia Foto: Arquivo Pessoal
  • Apesar da crise, comerciantes apostam em crescimento de até 20% da procura por eventos e celebram agenda fechada
    Apesar da crise, comerciantes apostam em crescimento de até 20% da procura por eventos e celebram agenda fechada Foto: Arquivo Pessoal
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