Feminicídio

Drogas e bebidas embalaram festa onde chefe de facção foi preso; veja vídeo 

Ruan Rodrigues, mais conhecido como R7, foi preso em Samambaia. Ele é acusado de matar a namorada em um motel de Taguatinga

Darcianne Diogo
postado em 14/11/2021 19:33 / atualizado em 14/11/2021 22:06
 (crédito: Material cedido ao Correio)
(crédito: Material cedido ao Correio)

Vídeo obtido pelo Correio mostra parte da operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) que resultou na prisão de Ruan Rodrigues de Souza, de 27 anos, vulgo R7. Ele é apontado como um dos chefes do Comboio do Cão (a maior facção do DF) e acusado de matar a namorada, Ana Carolina de Lima Araújo, 21, no motel Play Time de Taguatinga, na madrugada de 31 de outubro.

Ruan estava em uma festa em um apartamento em Samambaia desde a noite de sábado (13/11) na companhia de, pelo menos, outras seis pessoas. O outro envolvido no feminicídio de Ana Carolina é José de Alencar Fernandes Filho, vulgo “Filhote”, também integrante do Comboio do Cão. Ele foi preso durante a operação.

A filmagem mostra o imóvel onde Ruan estava escondido. Na bancada, havia cocaína e bebidas alcoólicas. Além disso, a polícia apreendeu haxixe, ecstasy e remédios de uso controlado. A operação da PCDF contou com o apoio dos policiais da 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul), da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor) e da Divisão de Operações Especiais (DOE). Durante a ação, outras sete pessoas que estavam participando do evento também foram detidas e autuadas por porte de drogas e liberadas após assinatura do Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO).

O terceiro envolvido no feminicídio, Pedro Henrique Sampaio, o “Zoio”, já estava preso. Segundo a PCDF, a proprietária da casa onde ocorria a festa do imóvel foi autuada pelo crime de favorecimento pessoal. Os presos foram encaminhados à carceragem da PCDF.

"Foi cumprido mandado de busca e apreensão obtido junto ao plantão judiciário, e no local foi localizado o autor do feminicídio e o indivíduo suspeito de ser o comparsa, na companhia de mais cinco pessoas, que estavam em uma festa consumindo drogas desde a noite de ontem (sábado). Entre essas pessoas se encontrava a proprietária da residência, que vinha dando abrigo aos dois foragidos da Justiça", detalhou o delegado-titular da Decor/Draco, Adriano Valente.

Vídeos

Vídeo obtido com exclusividade pelo Correio mostrou R7 ostentando armas de grosso calibre e mostra várias munições. No decorrer das diligências, os investigadores da 21ª DP localizaram vídeos em que mostram Ruan, o R7, mostrando armas antes do crime. Em uma das filmagens, ele mostra uma pistola prata e ameaça: “Onde ‘nós’ pegar tá ligado. Onde ‘nós’ pegar, é mal. Daquele ‘modelão”, disse.

Fontes policiais informaram ao Correio que Ruan tem alto poder aquisitivo e é um dos chefes do Comboio do Cão. Seria ele, também, o responsável por alugar armas para outras pessoas cometerem crimes. Em um outro vídeo, ele mostra ao menos cinco armas, inclusive algumas com seletor de rajada, vários cartuchos e caixas de munições em cima de uma cama.

Dois dias depois do assassinato de Ana Carolina, Ruan gravou um vídeo ameaçando um suposto rival morador do Guará 1. Na filmagem, o criminoso aparece com outros dois homens em um carro. O ocupante da frente carrega duas armas no colo, enquanto o outro está no banco de trás.

O vídeo circulou pelas redes sociais. Se intitulando como R7, o suspeito diz: “Parceiro, nós ‘tá’ dominando. [...] ‘Tamo’ armado e os cabra ‘tão’ tudo morrendo. Tem um ali no Guará para nós matar. Tem um ali que tentou contra nós, no Guará 1. Declarou ‘cabuloso’ contra o Comboio (referindo-se à facção)”, falou.

O crime

No dia do crime, os três acusados e uma mulher ingeriam bebida alcoólica quando decidiram, na madrugada, irem ao motel. O grupo acionou um motorista de transporte de aplicativo para ir ao estabelecimento. Eles chegaram por volta das 1h50 e às 4h11 pediram a conta.

Câmeras do circuito interno de segurança registraram o momento em que três pessoas saíram a pé por uma porta lateral. Quando funcionários foram fazer a vistoria na suíte encontraram o corpo de Ana Carolina caído ao chão e com uma marca causada supostamente por tiro. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a Polícia Militar do DF (PMDF) foram acionados, mas a vítima estava sem vida.

A perícia da PCDF compareceu ao local e constatou que a jovem morreu com um disparo causado por arma de fogo na nuca.

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