Economia

Número de casamentos realizados no Distrito Federal aumenta 44,6%

Entre janeiro e outubro deste ano, houve o registro de 17.292 matrimônios. No mesmo período de 2020, foram 11.953

Ana Isabel Mansur
postado em 16/11/2021 06:00
Aline Cunha aproveitou para comprar o vestido do casamento e do noivado -  (crédito: Carlos Vieira/CB/D.A.Press)
Aline Cunha aproveitou para comprar o vestido do casamento e do noivado - (crédito: Carlos Vieira/CB/D.A.Press)

Os brasilienses voltaram a se casar, após um período de queda expressiva nos matrimônios em 2020, devido à pandemia da covid-19. Dados da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Brasil (Arpen), obtidos pelo Correio, mostram que houve crescimento de 44,6% nos casamentos civis no Distrito Federal, entre janeiro e outubro de 2021, em comparação com o mesmo período do ano passado. Os números da associação apontam que os cartórios da capital do país tiveram 17.292 registros nos 10 primeiros meses de 2021 e 11.953 matrimônios no mesmo intervalo em 2020.

"Não podemos justificar ao certo, mas nossa análise permite analisar que o aumento dos casamentos ocorreu junto à flexibilização das medidas sanitárias de combate à covid-19 e a vacinação em massa da população", argumento Gustavo Renato Fiscarelli, presidente da Arpen-Brasil. "Com a volta da vida normal, a tendência é de que os casais realizem casamentos e celebrações. Muitos matrimônios foram adiados, o que, certamente, contribuirá para o aumento (no número de eventos) nos próximos anos", prevê Fiscarelli.

Fernando Peixoto abriu um bazar de noivas, no Lago Sul. Ele afirma que a procura aumentou muito
Fernando Peixoto abriu um bazar de noivas, no Lago Sul. Ele afirma que a procura aumentou muito (foto: Carlos Vieira/CB/D.A.Press)

Rebeca Guimarães Pereira, 23, é uma das pessoas que integram a estatística. A moradora de Samambaia Norte se casou em 17 de outubro. "Queríamos casar logo, então ficamos apenas seis meses noivos. Noivamos em abril e conseguimos marcar o casamento para outubro. Semanas depois (de marcar), não havia mais datas, por conta das noivas que passaram os casamentos do primeiro semestre para o segundo", conta a jovem. Rebeca precisou adaptar a cerimônia. "Nós queríamos um casamento para mais de 100 pessoas. Conhecemos muita gente que, infelizmente, ficou de fora. Alugamos um lugar para 80 convidados e tivemos os cuidados possíveis, como álcool em gel e máscaras, principalmente ao se levantar", lembra a publicitária.

O cerimonialista Pedro Marra confirma a expectativa do presidente da associação. "Nós tivemos casamentos adiados quatro vezes em 2020 e 2021. De julho para cá, quando o cenário da pandemia começou a melhorar, o pessoal voltou a marcar as festas. Vamos entregar as remarcações até dezembro do ano que vem. Em 2022, teremos três anos em um", ressalta o empresário.

Em relação à alta geral de preços — ocasionada pela inflação aguda que atinge o Brasil, aliada ao aumento do dólar e dos combustíveis — Pedro sugere que os noivos fechem com os fornecedores em 2021. "(Essas) altas têm muita influência sobre o setor de casamentos. Então, é bom que os clientes comecem logo a negociação e fechem os contratos até o fim deste ano. Os valores ainda vão subir muito", alerta.

Dhyana Giardini, dona e decoradora do espaço Villa Giardini, no Lago Norte, afirma que o cenário percebido durante a pandemia começou a melhorar a partir de maio. De lá para cá, segundo a empresária, o número de casamentos dobrou, em média, de mês a mês. "Como os eventos ficaram represados, a demanda reprimida está saindo agora, e a quantidade quadruplicou. Antes da crise sanitária, na alta temporada — que é o período da seca em Brasília, fazíamos entre quatro e seis casamentos por mês. Agora, são entre 12 e 16 mensalmente. O setor está bem sobrecarregado", comemora Dhyana. A decoradora avalia que, com o aval para a realização de eventos, novos contratantes surgiram, em um movimento quase automático, sem necessidade de busca ativa por parte dos empresários. "Estamos com muitos clientes novos. Como as pessoas ficaram muito tempo sem poder fazer eventos, há uma certa carência nesse sentido", observa.

Retomada

Com a volta dos eventos no DF, depois do fim das restrições de segurança contra a covid-19, a demanda por serviços relacionados ao segmento de casamentos cresceu. Fernando Peixoto, proprietário de um ateliê de vestidos de noiva, tem atendido cerca de 20 clientes por dia — há lista de espera de mais de 30 pessoas. Até o próximo sábado, o estilista está promovendo um bazar, com descontos que podem chegar a 90%. Ao fim da promoção, ele espera vender mais de 40 vestidos. O bazar de 2020, feito também em novembro, comercializou cerca de 30 peças.

"A procura, neste ano, está maior do que em 2020, por conta da perspectiva positiva. Devido à pandemia, a maioria dos casamentos agendados para o ano passado foram remarcados e também houve reagendamentos em 2021. Aos poucos, as pessoas estão marcando as datas novamente, agora que têm mais segurança em relação à pandemia. A agenda de 2022 está toda lotada e estou abrindo a de 2023. As noivas estavam com a demanda retraída", avalia Fernando. O empresário destaca que as vendas começaram a aumentar a partir dos últimos meses deste ano. Na comparação com o mesmo período de 2020, as aquisições cresceram, segundo Fernando, entre 30% e 40%.

O estilista relata que os valores praticados pelo mercado de vestidos de luxo subiram drasticamente em 2021. "Minhas matérias-primas são quase todas importadas a dólar, então o preço foi lá para cima." Apesar do aumento, Fernando está satisfeito com o movimento no ateliê. "A expectativa para os próximos dias está excelente. É o que eu esperava, considerando a retomada dos eventos e o estoque que tenho", revela o proprietário.

Noivas

Quem se esbaldou com o bazar do estilista foi a psicanalista Aline Cunha, 35 anos, que adquiriu dois vestidos nessa segunda-feira (15/11), um para o noivado e outro para a cerimônia, com mais de 50% de desconto. "Comprei dois pela metade do preço de um aluguel", comemora a moradora de Vicente Pires, que planeja a festa há um ano e precisou adiar o casamento três vezes por conta da pandemia. "Eu só tenho a igreja fechada. Decidi esperar, pois muitos fornecedores quebraram, fiquei com medo de investir e ser surpreendida com a não concretização do serviço de última hora", confessa Aline, com matrimônio marcado para setembro de 2022. Em comparação aos preços praticados em 2020, a psicanalista sentiu no bolso o aumento brusco. "Os valores de tudo, em todos os setores, triplicaram, principalmente na alimentação", reclama.

Amanda Sabino está com o casamento marcado para junho do ano que vem, desde 2020
Amanda Sabino está com o casamento marcado para junho do ano que vem, desde 2020 (foto: Carlos Vieira/CB/D.A.Press)

Amanda Sabino, 25, também aproveitou o bazar e comprou um vestido de noiva no Ateliê Fernando Peixoto nessa segunda-feira. Ela conseguiu desconto de 90% na peça. A advogada está com casamento programado desde 2020 para junho do ano que vem. "Sempre esteve marcado para 2022. Por causa da pandemia, eu estava esperando todo mundo ser vacinado para agendar uma data. Sabia que seria um bom prazo e marquei para 2022 pensando nisso", relata a moradora do Jardim Botânico.

Amanda está com a maioria dos fornecedores fechados para a festa, mas precisa contratar alguns serviços. "Não fechei o bar ainda, então liguei para algumas empresas há uns dias e nenhuma delas tinha minha data disponível. Eles me disseram que muitos casamentos foram remanejados para 2022", comenta a advogada. Amanda não esconde a emoção ao contar sobre o vestido escolhido. "Comprei um (vestido) diferente do que eu imaginava, mas o preço estava muito bom. Me emocionei quando experimentei, era para ser meu mesmo", celebra a noiva.

 

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